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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Agonia e Êxtase (1965): Obra Prima do Cinema Sobre o Mestre da Renascença

 


Por Adilson Carvalho & Paulo Telles 

(Site CINEMA COM POESIA)

https://cinemacompoesia.wordpress.com/

Em 11 de Novembro de 2023 completarão 511 anos da abertura ao público da Capela Sistina com os afrescos pintados pelo mestre renascentista Michelangelo (1475- 1564). Para o devido registro, um afresco é uma pintura feita sobre uma superfície com base de argamassa ou gesso. A obra foi encomendada pelo Papa Julius II (1443-1513) ao artista que estava relutante em aceitar o serviço que veio a entrar pela história como uma das grandes obras primas artísticas, um legado da humanidade. Michelangelo não se enxergava como um pintor, e sim como escultor. A encomenda, no entanto, era um desafio além de ser bem paga pela igreja.

Charlton Heston e Rex Harrison

A relação entre o artista e o Papa era muito conflituosa. Na época a figura do Papa era muito mais austera, com poder político incontestável, o qual Julius II (Rex Harrisson, 1908-1990) usa para pressionar Michelangelo (Charlton Heston, 1923-2018) a concluir a encomenda, de representar no teto da Capela os episódios do livro do Gênesis. Esta foi construída bem antes, seguindo o estilo arquitetônico do Templo de Salomão, e batizada em homenagem ao Papa Sisto IV, que era tio de Julius II. O escritor Irving Stone (1903-1989) passou meses em Roma para pesquisar tudo a respeito e teve acesso a cartas escritas pelo próprio Michelangelo. Com esse material, o autor escreveu o livro “Agonia & Êxtase”, publicado em 1959, e seguido à risca pelo roteirista Philip Dunne (1908-1992) que o adaptou para o cinema em 1965, com direção de Carol Reed (1906-1976).

Charlton Heston, magnífico como Michelangelo


O filme realizado pela Twentieth Century Fox teve o orçamento em torno de US$ 10.000.000. A princípio, Spencer Tracy (O Médico & O Monstro, O Velho & o Mar) seria o Papa, papel que ficou com Rex Harrisson. Este se recusou a deixar crescer a barba como o verdadeiro Julius II. Já Charlton Heston (Ben Hur) usou maquiagem para fazer seu nariz ficar mais parecido com seu personagem. Curiosamente, Heston e Harrisson tiveram um convívio nada amistoso durante as filmagens, o que seu diretor gostou de forma a reforçar a rivalidade entre os personagens. A capela foi recriada em estúdio (Dinocitta em Roma) e teve uma cenografia e fotografia belíssimas. O filme é vigoroso graças a essa hostilização entre Heston e Harrisson, dois grandes atores que se entregam a seus personagens. Apesar de ser um ótimo filme, este foi mal nas bilheterias arrecadando nas bilheterias americanas apenas US$ 4,000.000. Ainda assim recebeu indicação a cinco Oscars (melhor figurino, melhor direção de arte, melhor som, melhor fotografia e melhor trilha sonora, a cargo de Alex North). Também foi indicado a dois Globos de Ouro. Eu, Adilson Carvalho, assisti ao filme na Globo há muito tempo e adoraria ter a oportunidade de revê-lo, um exemplar de uma Hollywood que deixou marcas históricas.



sábado, 1 de abril de 2023

O Manto Sagrado (1953): O Filme Cuja Técnica Revolucionou Para Sempre a Estética do Cinema

Há mais de 70 anos, o primeiro filme rodado no processo Cinemascope surgiu para botar a televisão no escanteio. Tudo porque este então novo veículo de comunicação ameaçava o cinema, e as salas de exibição tornavam-se cada vez mais vazias. O conforto de ver televisão em casa provocava medo na indústria de filmes, e donos de estúdios, produtores, cineastas e diversos artistas, mobilizavam-se para não perderem concorrência com a telinha.

Divulgação

Parecia que a Sétima Arte estava com seus dias contados e fadada a um fim irremediável. No entanto, os recursos que grandes produtores e engenheiros encontraram para evitar a "extinção do cinema" e perder a concorrência com a TV foi expandir o formato de seus filmes. Devemos lembrar que, após o surgimento Cinemascope, vieram a surgir os processos Vistavision e Panavision (Câmera de 65mm, em Ben-Hur, 1959), e ainda o Techinirama 70mm, ambos formatos visavam transformar grandes produções em mega-espetáculos, e nada como filmes com temáticas históricas ou grandes épicos para fazer a alegria do público. Sem estas técnicas, é importante frisar que jamais existiria o formato Widescreen, que percorreria a grande maioria dos DVDS lançados no Mercado.

Henri Chrétien, inventor do "Sistema Hypergonar", que daria origem 30 anos depois ao surgimento do CinemaScope.

O curioso é que o Cinemascope já era um processo antigo antes mesmo de seu lançamento oficial em 1953. Engenhosamente, Darryl F. Zanuck (1902-1979), o chefão da 20th Century Fox, encontrou a solução para sobrepujar a concorrência com a televisão, quando lembrou do invento do francês Henri Chrétien (1879-1956), patenteado em 1927, com o nome de Sistema Hypergonar, que consistia basicamente numa câmara de lente anamórfica, capaz de criar imagens destinadas a uma tela duas vezes maior que a tradicional. Aperfeiçoando e "estereofonizado", o processo criado por Chrétien ressurgiu com o nome de Cinemascope, e rendendo uma fortuna aos cofres da Fox. E a nova técnica viria não somente para ficar, mas a influenciar outros formatos de tela. 

Divulgação

Com esta vitória da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana, que conseguiu com isto promover a volta do público para as grandes salas, O Manto Sagrado/The Robe ficou na história como o primeiro filme a ser lançado no formato Cinemascope, levando plateias no mundo inteiro aos cinemas, e um dos espetáculos mais exibidos nos feriados de Páscoa em muitos cinemas do Brasil (em alguns lugares, ficou em cartaz por quase 10 anos)- e também era filme garantido de toda Sexta-Feira Santa nas antigas exibições pela Sessão da Tarde da televisão . No entanto, é justamente no televisor que o filme perde drasticamente impacto visual, pois a telinha deforma o Cinemascope, perdendo os enquadramentos originais. 

Richard Burton como o tribuno romano Marcellus Gallio.
O épico de cunho religioso e bíblico versa nos últimos anos do reinado de Tibério (Ernest Thesiger, 1879-1961), quando Roma era a "Senhora do Mundo". Marcellus Gallio (Richard Burton, 1925-1984) é um jovem tribuno do império que está sempre envolvido com jogos ou mulheres. Além disto, tem rixa pessoal com Calígula (Jay Robinson, 1930-2013), o herdeiro do trono. A situação complica-se quando Marcellus oferece, em um leilão de escravos, a absurda quantia de três mil moedas de ouro por Demétrius de Corinto (Victor Mature, 1913-1999), um grego outrora trazido para a capital como prisioneiro de guerra e que também era disputado por Calígula no leilão.

Victor Mature como o escravo Demétrius de Corinto.
Jay Robinson como o insano imperador Calígula
Ao se ver derrotado por Marcellus, Calígula encara isto como uma afronta pessoal e então manda o tribuno ir servir imediatamente em Jerusalém, na Palestina, considerado o pior lugar do mundo. Entretanto, devido a motivos políticos, depois de curto período na "Terra Santa", Marcellus é chamado de volta por Tibério. 

Richard Boone como Pôncio Pilatos
Mas, antes de partir para Roma, Marcellus recebe de Pôncio Pilatos (Richard Boone, 1917-1981), procurador romano em Jerusalém,  a missão de supervisionar a execução de uma sentença: a crucificação de Jesus Cristo. Finda a tarefa, ele e outros soldados disputam em um jogo de dados a posse pelo manto vermelho usado por Jesus. Marcellus vence a aposta, mas o manto fica com Demétrius, pois quando Gallio tenta usar o manto, algo o aflige de forma indescritível. O escravo grego, que já tinha se tornado um cristão, tira-lhe o manto, dizendo que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre. Em seu retorno, o tribuno fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse.

Jean Simmons como Diana, a amada de Marcellus.

Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons, 1929-2010), a amada de Marcellus, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que o tribuno portava-se de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu em Jerusalém. Tibério acha que o oficial pode ter perdido a razão, mas quando Gallio atribui que a aflição que sente só aconteceu após cobrir-se com o manto de Jesus, então o adivinho da côrte conclui que o manto estava enfeitiçado e precisa ser destruído. Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno retorna à Palestina para destruir o manto e descobrir quem são os cristãos responsáveis por algum tipo de conspiração, mas esta viagem irá mudar profundamente sua vida.

Burton e Michael Rennie como São Pedro.
Pedro (Michael Rennie), o "Grande Pescador" e líder da Igreja, recebe Marcellus, ao lado de Justus (Dean Jagger)

Uma vez de volta a Palestina, em sua procura pelo manto, Marcellus vai à pequena vila de Caná, onde conhece Justus (Dean Jagger, 1903-1991) e Miriam (Betta St John, 1929-2023), dois exemplos de vida cristã.  Embora não acredite em algumas coisas que lhe falam, como a ressurreição de Cristo, o tribuno começa a ter dúvidas sobre suas crenças.  Justus lhe diz que conhece sua identidade e lhe informa que todos já o perdoaram, assim como Jesus o perdoou.  Logo depois, ao tentar convencer Marcellus do amor de Jesus pela humanidade, Miriam lhe diz que um dos seus discípulos, Simão Pedro (Michael Rennie, 1909-1971), conhecido como “O Grande Pescador”, acaba de chegar em companhia de seu companheiro grego, o próprio Demétrius.

Divulgação

Ao pedir o manto para ser queimado, Marcellus ouve de Demétrius que o problema dele não está no manto e sim em sua consciência, em seu coração, por ter crucificado o Messias.  Receoso, em princípio, mas encorajado por Demétrius, o tribuno termina abraçando o manto de Cristo e  livra-se de todas as suas angústias.

Diana e Marcellus
Em seguida, Marcellus é levado à presença de Pedro e termina convertendo-se ao cristianismo, passando a seguir o apóstolo.  Tempos de depois, Pedro e seus seguidores chegam à Roma e passam a viver nas catacumbas.  Com a morte de Tiberius, Caligula é o novo imperador e inicia uma perseguição implacável contra os cristãos.  Quando Demétrius é preso e torturado nos calabouços do palácio de Calígula, o tribuno decide libertá-lo, o que consegue com a ajuda de um grupo de homens.  Entretanto, durante a fuga, eles são perseguidos e, em benefício da liberdade do grupo, Marcellus atrai seus perseguidores, e se entrega. 

Demétrius (Victor Mature) se apossa do Manto Sagrado e se torna seu guardião...
...a ponto de quase sacrificar sua vida, mas é curado milagrosamente por Pedro (Michael Rennie).
Depois que Marcellus é capturado, Diana visita-o em sua cela e lhe implora para que renegue Jesus, a fim de salvar a si próprio, mas ele fala pra ela sobre o povo de Caná, que nunca renegou Jesus, apesar do perigo de ser seu seguidor.

Marcellus e Diana na côrte de Calígula (Jay Robinson).
Marcellus jura lealdade ao Império Romano, mas não abjuga Cristo
Marcellus é então levado a julgamento por traição, oportunidade em que confessa ser um cristão. Calígula ridiculariza as afirmações do tribuno de que o seu rei é o Rei do Céu, que acredita em amor, compaixão e caridade acima de tudo. Irritado por que Diana ainda prefere Marcellus a ele, Calígula faz com que a assembleia exija a morte do tribuno.

Marcellus e Diana levados para o pátio dos arqueiros, onde sofrerão 0 martírio (cena eliminada no filme).
Marcellus e Diana, a caminho da Eternidade.
Diana, movida pela crença apaixonada de Marcellus e repugnada pela tirania de Calígula, escolhe morrer com o homem que realmente ama.  O Manto Sagrado foi indicado para cinco categorias do prêmio Oscar em 1953, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Richard Burton. Mas acabou conquistando o Oscar por Melhor Cenografia em cores, e ainda, um Oscar especial pela novidade técnica que viria revolucionar para sempre toda estética do cinema. 

LLOYD C. DOUGLAS, autor do romance que originou o filme
A fita, dirigida por Henry Koster (1905-1988), foi baseada em romance publicado em 1942 por Lloyd C. Douglas (1877-1951). No Brasil, o romance foi publicado com o título de O Manto de Cristo A trilha sonora foi encarregada pelo Mestre Alfred Newman (1901-1971), de A Canção de Bernadete. Os direitos do romance chegou a ser comprado pela RKO estúdio, que no início dos anos de 1950, vendeu para 20th Century Fox, como veículo para Tyrone Power que interpretaria Marcellus, mas ele recusou o papel.

Victor Mature e Mae Marsh.
O Filme foi um estrondoso sucesso e foi ocasião ímpar em toda História da Cinematografia, pois todas as salas de cinema tiveram que ser reformadas para recepcionar o lançamento deste êxito das telas.  A Fox, que detinha os direitos do livro de Douglas, não sabia o que fazer com as demais 200 páginas do romance, e aproveitando o embalo do sucesso de The Robe, o estúdio resolveu fazer uma sequência da obra, em 1954. 

DEMÉTRIUS 
O GLADIADOR

Victor Mature repete o papel de Demetrius em DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES. Aqui com Ernest Borgnine.
Sob a direção de Delmer Daves (1904-1977) especialista em dramas e westerns (Galante e sanguinário), e repetindo Mature (Demétrius), Michael Rennie (São Pedro) e Jay Robinson (Calígula) nos seus respectivos papéis em O Manto Sagrado. Produzida por Frank Ross (1904-1990), que havia também produzido o filme anterior, realizou juntamente com o diretor Daves uma fita superior, porque substituiu a religiosidade melodramática de The Robe por exuberante ação física e estimulantes aspectos aventurescos (as sequencias de treinamento na arena e a luta de gladiadores no Coliseu são excelentes, com ótimos movimentos de câmera). 

Susan Hayward como Messalina. Na foto, com Mickey Simpson.
Michael Rennie volta a interpretar São Pedro em DEMETRIUS E OS GLADIADORES (1954).
Escrito por Philip Dunne (1908-1992) com base nos personagens de Lloyd C Douglas, o filme transcorre após a morte de Marcellus (Richard Burton) e Diana (Jean Simmons), ocorrida no desfecho de O Manto Sagrado. O cristão Demétrius, o guardião do manto de Cristo, é perseguido pelo imperador Calígula, sendo preso e feito gladiador na arena, comandada por Strabo (Ernest Borgnine, 1917-2012).

Demetrius perde a fé cristã e submete-se aos caprichos de Messalina.
Demetrius e sua amada Lucia (Debra Paget).
Quando sua amada Lucia (Debra Paget) entra em estado de choque ao risco de ser violentada por um dos gladiadores, Dardanius (Richard Egan, 1921-1987), Demétrius perde a fé e sucumbe aos encantos de Messalina (Susan Hayward, 1918-1975). Demétrius e os Gladiadores constitui um dos melhores espetáculos já realizado no cinema épico de aventuras. A trilha sonora é do renomado Franz Waxman (1906-1967), com base no repertório de Alfred Newman, o compositor original de The Robe.

O LANÇAMENTO DE “O MANTO SAGRADO” NO RIO DE JANEIRO

O MANTO SAGRADO foi lançado nos Estados Unidos em 24 de setembro de 1953, no Chinese Theatre, em Hollywood, inaugurando definitivamente o Cinemascope. Não demorou muito, a novidade chegou ao Brasil, repetindo o mesmo sucesso de Los Angeles. Não diferente também como ocorrido nas salas de cinema nos EUA, algumas salas aqui tiveram também que ser adaptadas para  a estreia de The Robe no Brasil, inclusive no Rio de Janeiro, a então Cidade Maravilhosa, que recebeu de braços abertos, tal como o Cristo Redentor, o monumento turístico da cidade, a sagrada fita estrelada por Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, e Michael Rennie, nos idos tempos que o Rio ainda era a capital da República. 

O MANTO SAGRADO - OCASIÃO DE GALA TAMBÉM NO RIO DE JANEIRO, CONFORME ANÚNCIO  NOS JORNAIS DA ÉPOCA DE SEU LANÇAMENTO, NAS SALAS CARIOCAS.

Divulgação pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1954.
O CINE-PALÁCIO no Centro do Rio de janeiro, teve suas instalações alteradas para a estreia, e finalmente, a 15 de abril de 1954, estreou O MANTO SAGRADO nas salas de projeção da cidade.
FICHA 
TÉCNICA
O MANTO SAGRADO
(The Robe)

País – Estados Unidos 

Ano – 1953

Gênero – Épico/Religioso 

Direção – Henry Koster

Produção – Frank Ross, para a 20th Century Fox 

Roteiro – Phillip Dunne e Gina Kaus (adaptação), com base no livro de Lloyd C. Douglas. 

Música – Alfred Newman 

Fotografia – Leon Shamroy, em Cores

Metragem – 135 minutos


elenco

RICHARD BURTON – Tribuno Marcellus Galio 

JEAN SIMMONS – Diana 

VICTOR MATURE – Demetrius de Corinto, o escravo 

MICHAEL RENNIE – São Pedro, o “Grande Pescador” 

JAY ROBINSON – Calígula 

TORIN THATCHER – Senador Galio 

DEAN JAGGER – Justus 

RICHARD BOONE – Pôncio Pilatos. 

BETTA St. JOHN – Miriam 

JEFF MORROW – Paullus, o centurião 

ERNEST THESIGER – Imperador Tibério 

DAWN ADDAMS – Junia 

LEON ASKIN – Abidou 

MICHAEL ANSARA – Judas Iscariotes 

FRANK DeCOVA – Escravo 

JOHN DOUCETTE – Soldado da esquadra 

SAM GILMAN – Capitão da esquadra 

MAE MARSH – Mulher idosa de Jerusalém que ajuda Demetrius

JAY NOVELLO – Tiro 

HAYDEN RORKE – Callus, licitante do leilão de escravos. 

HARRY SHEARER – o pequeno Davi 

PERCY HELTON – Caleb, o mercador de vinhos. 

DONALD  C. KLUTE – Jesus Cristo

SALLY CORNER – Cornelia, mãe de Marcellus

PAMELA ROBINSON – Irmã de Marcellus

ROSALIND IVAN – Julia, esposa de Tibério 

E

CAMERON MITCHELL – A Voz de Jesus no Calvário.




quinta-feira, 9 de março de 2023

Ben-Hur (1959): A Versão Definitiva, Insuperável e Inesgotável de William Wyler. Parte 2.

Continuando a matéria sobre BEN-HUR  onde foi abordada  a origem do romance publicado em 1880 e escrito pelo General Lewis Wallace (1827-1905), militar e político americano, herói da União durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), como também  as três versões cinematográficas (1907, 1926, e 1959), sendo que a mais popular é a dirigida por  William Wyler (1902-1981) e estrelada por Charlton Heston (1923-2008), insuperável em prêmios da Academia (11 Oscars), inesgotável em arte e estilo.

Nesta segunda parte, daremos prosseguimento a matéria contando sobre outras homenagens que a superprodução de Wyler recebeu ao redor do mundo e a essência do filme de 1959. Também será falada das versões do romance de Wallace em desenho animado, sendo que em uma delas o veterano Charlton Heston, então com 80 anos, emprestou sua voz para dublar o personagem. A versão televisiva de 2010 e a quarta adaptação para o cinema em  2016 do diretor russo Timur Bekmambetov, com Jack Huston no papel principal, Morgan Freeman como Ilderin e o brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo. 

Fiquem agora com a segunda parte de BEN-HUR: A VERSÃO DEFINITIVA, INESGOTÁVEL E INSUPERÁVEL DE WILLIAM WYLER, CAMPEÃ DA ACADEMIA. 

Boa Leitura!
Por PAULO TELLES




I –A ESSÊNCIA DE BEN-HUR DE 1959

Indelevelmente, de todos os superespectáculos épicos-religiosos que já assistimos – tais como Quo Vadis (1951), O Manto Sagrado (1953), e Os Dez Mandamentos (1956), todos em ipisis-literis espetaculares – inquestionavelmente Ben-Hur de William Wyler (1902-1981) talvez seja o Rei de todos os shows cinematográficos das grandes superproduções do cinema pós-moderno.  As mais devidas honras promovidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a conferir-lhe testifica o épico de Wyler a qualidade de obra prima da Sétima Arte.

Charlton Heston e William Wyler durante as filmagens.
Podem existir poucas pessoas no mundo que não apreciem o filme, entretanto, não há como negar que a película de Wyler (um dos maiores artesãos que o cinema já possuiu, embora não gostasse de ser rotulado como um “autor”, segundo a crítica francesa) possui esplêndidas qualidades artesanais e que acabou constituindo em ótimo espetáculo de entretenimento popular, onde no Brasil (assim como pelo restante do mundo) ficou em cartaz por mais de 20 anos nas salas de cinema sempre em reprises constantes, especialmente durante os períodos de Semana Santa ou Natal. 

Stephen Boyd, Charlton Heston, Haya Harareet e
Ramon Novarro(o "Ben-Hur" de 1926) - Na noite da premiere de BEN-HUR em 1959.
Ben-Hur é pictoricamente espetacular, graças à primorosa fotografia colorida de Robert Surtess (1906-1985), bastante valorizada pela câmera 65mm, além da cuidadosa e brilhante reconstituição de época de fastígio romano e dos primeiros anos do Cristianismo. Riqueza e pobreza, simplicidade e sofisticação, combinam-se para dar ao espetáculo uma impressão realística da Roma Antiga, garbosa e conquistadora, e da Judeia oprimida e conquistada.  E isso tudo acompanhado da marcante trilha sonora do incomparável Miklos Rozsa (1907-1995), que por sua composição para o filme acabou arrebatando o Oscar por Melhor Compositor de 1959. Rozsa tornou-se um ás das composições para o gênero épico no cinema, pois já havia feito trilhas para os filmes Quo Vadis (1951), Ivanhoé, o Vingador do Rei (1952), e Os Cavaleiros da Távola Redonda (1953), e após sua premiação por Ben-Hur (o mesmo compositor já havia ganho um Oscar pela composição para o filme Quando Fala o Coração em 1946), ainda comporia para El-Cid (1961) e Rei dos Reis (1961)

Ben-Hur com sua amada romana Flávia (vivida pela italiana
Marina Berti). Um breve relacionamento em Roma, não
muito explorado na obra de Wyler.
Charlton Heston, Stephen Boyd, e Terence Longdon, em cena de BEN-HUR, 1959.
Ben-Hur preso as galés.
Sobre Ben-Hur de 1959, trata-se de um épico grandioso e espetacular sobre a agitada e emocionante vida de um príncipe hebreu que, devido a inesperadas circunstâncias, se torna escravo, nobre romano, e é aclamado como herói das corridas de quadrigas,  e cujo destino se cruza, por mais de uma vez, com o de Jesus Cristo. William Wyler, dispondo de um orçamento fantástico, assinou um filme admirável, pela sua dimensão aventureira, romântica, religiosa, mística e heroica, que continua até hoje, passados mais de 60 anos de seu lançamento, impressionar pela sua grandiosidade espetacular e pela sua comovente dimensão humana. 

Maria e José chegando a Belém para o Censo de Augusto,
e o nascimento do Redentor.
O Poder e a Glória de Roma.
O Ano do Senhor. É onde começa a história.
Entretanto, em sua essência, é muito mais do que um superespectáculo em grandeza épica de cenários, figurinos, e atores inesquecíveis, que fez arrastar multidões aos cinemas de todo mundo. É também um filme cuja história retrata a trajetória de um judeu que vive um conflito entre sua fé, seu patriotismo, nutrido posteriormente pelo desejo de vingança, e por fim ao amor e a redenção.

OS TRÊS REIS MAGOS de BEN-HUR de 1959: Finlay Currie
(Balthazar), Richard Hale (Gaspar) e Reginald Lal Sing (Melchior)
Ben-Hur recebido em Roma.
Messala (Stephen Boyd) cruel com Tirzah (Cathy O' Donnell) e
Miriam (Martha Scott).
Sem dúvida, Charlton Heston dá vida ao personagem, em uma atuação segura, viril e sólida, ao contrário do herói pueril feito por Ramon Novarro na versão  de 1926 dirigida por Fred Niblo. O Ben-Hur de Wyler já é um homem formado e bem constituído como príncipe e homem de negócios em Jerusalém, mas de índole pacífica, que não esperaria jamais uma traição vinda de um amigo que o tem como um irmão. Stephen Boyd (1931-1977) também está soberbo como o infame Messala, onde este ator irlandês conseguiu também atingir seu sucesso. 

Charlton Heston como Judah Ben-Hur.
Ben-Hur enfrentando nas pistas seu maior inimigo.
A essência do filme de 1959 não está apenas na religiosidade e nos conflitos do personagem principal. A grande sequencia da Corrida de Quadrigas, anunciado pelo Departamento da MGM como o Climax Máximus da História do Cinema, foi essencial para o sucesso deste clássico, uma cena que dura apenas quinze minutos nas telas, e que propriamente a corrida dita foi filmada em nove meses.  Do momento inicial das fanfarras até que o herói vence e é coroado pelos louros, a sequencia é empolgante e superlativa, seja pela beleza da sua composição plástica, seja pelo emprego admirável da câmera. Aplausos para Andrew Marton (1904-1992) e Yakima Canutt (1895-1986) que foram responsáveis pelo soberbo espetáculo, juntamente com o diretor William Wyler (embora não tenha dirigido esta cena marcante das corridas por determinação sua no contrato, já que o cineasta supervisionou a mesma sequencia na versão de 1926). 

Ben-Hur encontra Jesus de Nazaré.
Wyler realizou muito mais do que um filme ganhador de prêmios, ou um espetáculo grandioso ou visualmente bonito. Ele conseguiu realizar uma obra prima sobre as atitudes humanas através da fé ou do ódio, sendo assim uma poderosa essência de como uma obra cinematográfica pode levar um espectador a seus questionamentos ou reflexões. E não foi a toa, pois em 1995, durante as celebrações do Centenário do Cinema, Ben-Hur figurou numa lista de 45 filmes na categoria de Religião promovida pelo Vaticano, juntamente ao lado de obras culturais como O Evangelho Segundo São Mateus (1964), de Pier Paolo Pasolini, Nazarin (1959), de Luis Buñuel, e A Paixão de Joana D’Arc (1928), de Carl Dreyer. Afinal, trata-se de um filme capaz de subverter alguns dos preceitos mais fulcrais de todos os gêneros nos quais se insere, injetando ação em uma história religiosa e de arrependimento em uma trama de vingança. No percurso, Ben-Hur transforma-se na obra cristã por excelência, pois indo além da encenação de um relato evangélico, busca traduzir fielmente a noção da misericórdia.

Uma das cenas mais memoráveis do clássico de 1959.
II –O CRISTO SEM FACE DE WYLER

Realmente tocante em sua essência é como o cineasta William Wyler apresentou Cristo do nascimento até sua crucificação, sendo que Jesus é um personagem incidental na trama, mas sua presença é marcante quando aparece. Entretanto, sua face nunca é mostrada.

Ben-Hur amparando Jesus durante sua caminhada ao Golghota.
A PAIXÃO DE CRISTO segundo William Wyler em BEN-HUR (1959)
A escolha de não mostrar o rosto de Jesus partiu de Wyler, como uma demonstração de respeito ao autor do romance que deu origem ao seu filme, Lewis Wallace (1827-1905). Considerava essa uma forma de referenciar a crença na divindade de Cristo. Nesse contexto, dar-lhe um rosto seria necessariamente torná-lo mundano segundo sua concepção. Entretanto, este pensamento não vinha só do diretor. Muitos cineastas anteriores não ousavam mostrar uma face para Jesus se ele não fosse um personagem central, tal como ocorreu nas obras religiosas Quo Vadis (1951) e O Manto Sagrado (1953).

Charlton Heston e Jeffrey Hunter (que foi "Cristo" em REI DOS REIS de Nicholas Ray, em 1961) em evento de 1962. Ao fundo, o perfil da Senhora Heston, Ligia Clarke.
Cecil B. DeMille ousou fazer isso quando lançou sua obra mais importante sobre a vida de Jesus, O Rei dos Reis, em 1927, ainda na fase silenciosa do cinema, com H. B Warner no papel de Cristo. Depois de muito tempo, em 1961, Jesus voltou a ser o centro das atenções para uma fita própria, e Nicholas Ray lançou Rei dos Reis, com Jeffrey Hunter (1926-1969) sendo o primeiro ator do cinema contemporâneo a expressar o rosto de Jesus Cristo, com sua apolínea beleza e olhos azuis que o fez ser consagrado por alguns críticos como o “mais belo Cristo do Cinema”.

A FACE DE JESUS segundo William Wyler que as câmeras
não focalizaram, o ator Claude Heater, intérprete de Jesus no
BEN-HUR de 1959.
Claude Heater, ator, cantor, e barítono.
No caso de Ben-Hur 1959, cabe aqui destacar a atuação de Claude Heater (1927-2020), que personificou o “Cristo sem face” para William Wyler. Heater nasceu a 25 de outubro de 1927, em Oakland, Califórnia. Sua família era de Mórmons e foi missionário até 19 anos quando decidiu se dedicar a música. Quando serviu na Marinha Americana, entre 1945 e 1946, Heater entrou num curso para aperfeiçoar sua voz, já que manifestava desejo de ser cantor. 

Claude Heater - conceituado barítono e artista.
Adquirindo voz e dicção perfeitas, principalmente como tenor, Claude Heater estreou na Broadway em 1950, onde cantava e fazia até shows de malabarismos. A carreira de Heater em outros espetáculos teatrais e nas óperas chegou tanto ao ápice que recebeu convites para trabalhar na Europa. No final da década de 1950, Claude Heater já era um nome conhecido entre todos os envolvidos nas camadas teatrais dos Estados Unidos e era requisitado frequentemente pelos dramaturgos para algum papel em operetas importantes.

Teste de Claude Heater para o papel de Jesus em BEN-HUR (1959)
Em uma coluna da famosa Louella Parsons (1881-1972), fofoqueira de Hollywood, datado de 31 de julho de 1958, ela menciona Heater: "A difícil tarefa de lançar o papel de Jesus em “Ben-Hur” foi concluída em Roma e surgiu de uma forma incomum. Harry Henningson, o gerente de produção, foi para o concerto de uma jovem cantora americana em Roma e ouviu Claude Heater, cuja voz não é apenas magnífica, mas ele tem um rosto espiritual bonito. Henningson disse a William Wyler e Sam Zimbalist sobre o jovem Heater, e como resultado, fizeram com ele um teste e lhe deram o papel de Jesus. Agora aqui a parte mais estranha: Wyler e Zimbalist tiveram que ir a Europa encontrar esse menino que nasceu em Oakland, Califórnia".

O SERMÃO DA MONTANHA - Uma das cenas em que o rosto de Cristo nunca é focalizado na versão de BEN-HUR (1959).
Como havia restrições no cinema americano em não exibir a imagem de Jesus ou mesmo mostrar sua voz, a menos que Cristo fosse um personagem central, houve algumas discussões em se fazer duas versões para o filme de 1959. Entretanto, nas primeiras rodagens com Claude Heater, William Wyler ficou satisfeito com o resultado de não mostrar o rosto do cantor e barítono para as plateias, embora fosse um homem muito bonito. 

O diretor William Wyler dando instruções a Claude Heater.
Wyler jamais mostra o rosto do Cristo de Heater, mas lhe dá sempre uma suavidade confortadora, chegando a atingir uma elevação comovente tanto nas sequencias do julgamento de Jesus por Pilatos (Frank Thring, 1926-1994), o caminho para o calvário, e a agonia na cruz. 

Jesus é julgado por Pilatos (Frank Thring)
A morte de Jesus.
Após seu trabalho em Ben-Hur de 1959, Heater nunca mais voltou ao cinema, se dedicando sempre ao teatro e as óperas, aonde no ramo teatral chegou também a dirigir grandes espetáculos tanto nos Estados Unidos como pelo resto da Europa. Mas realizou um trabalho na TV belga em 1970, Tristão e Isolda, onde fez o papel de Tristão.

Claude Heater em TRISTÃO E ISOLDA, filme para a televisão
belga em 1970.
Em 2003, Claude Heater e o astro Charlton Heston reencontraram-se em Los Angeles para uma exibição especial do clássico de Wyler.
Em 2003, Claude Heater e Charlton Heston reencontraram-se em um evento nas dependências da Academia de Artes e Ciências de Los Angeles, para uma exibição especial de Ben-Hur de William Wyler, como os dois últimos astros sobreviventes até então deste grandioso épico.  Claude Heater faleceu em 28 de maio de 2020, aos 93 anos.

Charlton Heston colhendo os louros em Cannes para a
exibição de BEN-HUR.

III – A GLÓRIA EM CANNES

A posição de Ben-Hur na História da Sétima Arte corresponde no setor material aquela que Cidadão Kane (de Orson Welles, 1941) representa no plano estritamente artístico. Se a obra de Welles reuniu todos os recursos de expressão até então utilizados por diversas escolas no campo visual e sonoro, se tornando o coroamento de sua época e o resumo final de uma fase de investigações estilísticas do cinema, Ben-Hur de William Wyler por sua vez marcou o ponto alto até então na exploração das possibilidades técnicas e materiais da Sétima Arte.

Charlton Heston, Stephen Boyd, e William Wyler.

O cineasta Wyler em ação.
Esta produção colossal reduz as dimensões liliputianas tudo que se fez até hoje em matéria de superespectáculos, mesmo com obras modernas como O Gladiador, de Ridey Scott em 2000. Afinal, foram dez anos de preparos, um ano para elaborar o roteiro e mais um ano consumido de filmagens. Cem mil figurantes (e tudo sem efeito de computador ou efeitos visuais modernos). Um equipamento elétrico capaz de iluminar uma cidade grande. 375.000 metros de rolo de película. 50 galeras de tamanho real construídas especialmente para as sequencias da batalha naval num lago artificial dos estúdios de Cinecittá, em Roma. Seis câmeras gigantes de 65, ao custo de cada uma US$ 100.000 dólares. Quarteirões inteiros da velha Jerusalém reconstruídos.  

Todo o Cast e equipe posando para uma foto na Arena das corridas.
Cenários com mais 3 hectares para a famosa corrida de quadrigas. Todo esse enorme esforço teve bom resultado. Ben-Hur de William Wyler obteve sucesso comercial nos Estados Unidos, na Inglaterra, e no Japão, indicando que a Metro não teve dificuldades em recuperar mais do que os bons US$ 15.000.000 de dólares de sua produção (uma quantia titânica para a época, ainda mais para um estúdio a beira da falência).

William Wyler se "arriscando" a conduzir uma das quadrigas
Falando aos jornalistas no XIII Festival de Cannes em maio de 1960 quando o filme abriu o evento, William Wyler, falando num francês praticamente sem sotaque, chamou a atenção para o fato de ser o filme, assim como o romance original de Lewis Wallace, uma história de aventuras, antes de tudo, não se devendo excluir do gênero o estilo mais do que ela comporta. E ainda frisou aos jornalistas franceses que seu filme tinha uma profunda mensagem política, pregação de paz e concórdia mundial, sendo uma mensagem de 2000 anos e hoje essencial diante do domínio bélico armazenado pelas nações.
O cineasta Wyler ainda declarou em Cannes:
Jerusalém conquistava para lutar contra os romanos, a liberdade. Hoje, luta  para manter a liberdade ameaçada pelo árabes”. 

Jack Hawkins, Haya Harareet, e Charlton Heston, em intervalo de filmagem.
Judah e Esther (Haya Harareet)
Wyler ainda deplorou o fato de o filme ter sido proibido pela República Árabe Unida, por dois motivos: havia uma atriz israelense no elenco, Haya Harareet (1931-2021), que viveu Esther (a amada de Ben-Hur) e a caracterização do ator inglês Hugh Griffith (1912-1980), que deu vida ao Xeique Ilderin. Sua atuação considerada pitoresca e divertida por Wyler rendeu ao ator o Oscar de melhor ator coadjuvante, mas os árabes não gostaram nem um pouco da interpretação feita pelo ator inglês. Griffith não estava presente na cerimônia de premiação, sendo representado pelo cineasta para o recebimento do Oscar. 

Ben-Hur e o Xeique Ilderin (Hugh Griffith)

Por conta desses boicotes promovidos pelos árabes a sua obra cinematográfica, o cineasta ainda falou:

São boicotadas na República Árabe Unida as obras em que participaram Edward G. Robinson e Elizabeth Taylor, porque esses artistas contribuíram para a criação e o desenvolvimento do Estado de Israel. Ora, assim sendo, também deveriam ser interditados pelos árabes todos os filmes de Hollywood, pois neles há sempre um ator, um diretor, um produtor ou técnico, que de uma maneira ou outra, ajudaram o Estado de Israel”. 

Charlton Heston carregando o filho Fraser, que cumprimenta
William Wyler, numa pausa das filmagens. 
Apesar dos protestos e críticas bem construtivas do inteligente cineasta contra a ridícula censura, a noite em Cannes foi memorável, e Ben-Hur de 1959 foi aplaudido de pé por mais de 200.000 espectadores e convidados em um dos mais badalados festivais de cinema do mundo.

Charlton Heston e sua publicidade para BEN-HUR, em 1960.

IV- CHARLTON HESTON
Charlton Heston

A força de Ben-Hur, através de Charlton Heston.
Charlton Heston é uma fortaleza – Declarou William Wyler – ele não poderia ter dado conta de seu papel se não fosse um homem de excepcional força física e resistência, além de ser um ator talentoso. O seu desempenho foi de alto nível. Assim o cineasta William Wyler definiu Charlton Heston.  

Ben-Hur subjugado pelos romanos.
Ben-Hur como remador das galés.
Heston, por sua vez, definiu a si mesmo quando entrevistado em janeiro de 1960:“Conservo-me em boa forma com exercícios. Exercícios enfadonhos e detestáveis. Minha alimentação se resume a bifes e saladas, e tomo constantemente banhos a vapor. Tudo isso me aborrece, mas tenho que estar em forma para ajustar aos meus papéis. Dirigir aquela quadriga em “Ben-Hur” não foi brincadeira, e não tive substitutos na maioria das cenas".

Ben-Hur Vitorioso.
E Heston ainda falou mais sobre seu trabalho em Ben-Hur:

 “Passei nove meses em ensaios e filmagens, em loucas corridas naquela quadriga e fugindo daquela galera em fogo com vigas em brasa desabando sobre mim. Quando ao fim de semana anunciava meu desejo de dar um passeio a cavalo, o diretor (Wyler) e o produtor (Sam Zimbalist) se alarmavam: “Você esta louco, Chuck! Você pode se machucar!””

Adotado por Quintus Árrius, assume Ben-Hur uma identidade romana: QUINTUS ÁRRIUS, O MOÇO.
Ben-Hur finalmente conquista a liberdade através do
cônsul Quintus Árrius (Jack Hawkins)
Quando Heston foi questionado sobre isso e de declarar estar um pouco farto dos filmes épicos, tendo a oportunidade em atuar em um novo filme do gênero, El-Cid, de Anthony Mann, prestes a ser rodado na Espanha:

“Sim, é verdade que falei que estava um pouco cansado de trabalhar no estilo épico. Eu queria um papel que pudesse me fazer por as mãos no bolso. Não há bolsos em túnicas, togas, mantas, ou batinas como devem saber. Na verdade atuei em um não faz muito tempo: “O NAVIO CONDENADO”, com Gary Cooper, mas infelizmente ninguém foi assisti-lo. E os produtores disseram: “ Estão vendo? Ponham Heston com roupas modernas que ele fracassa””.

Ben-Hur, o Herói símbolo de luta pela liberdade.
Ainda na mesma entrevista, Heston declara:-“Sei que não sou uma grande atração de bilheteria, mas não sou falsamente modesto. Acho que me saí bem em “BEN-HUR”, e acredito nas minhas próprias opiniões. Me lembro bem do que aconteceu durante as filmagens de “DA TERRA NASCEM OS HOMENS”, sob direção de William Wyler. Discordei dele no desempenho de uma cena e discutimos. Entretanto, tirei uma lição com isso, visto que Wyler me fez lembrar de seu currículo e de toda sua obra cinematográfica, sendo que três deles foram premiados com o Oscar. Logo, só pude me calar e dizer a Wyler que faria o que ele quisesse”.

Pôncio Pilatos (Frank Thring) e Judah Ben-Hur (Charlton Heston)
Por sua atuação na obra de Wyler, Heston ganhou o Oscar de melhor ator de 1959. Na premiação, dedicou a estatueta a Sam Zimbalist, produtor do épico, que morreu de um súbito ataque do coração perto do fim das filmagens. O astro  imortalizou-se no papel de Ben-Hur e se consagraria ainda mais em outros personagens épicos e históricos. Havia interpretado Moisés em Os Dez Mandamentos (1956), o Presidente Andrew Jackson em O Destino me Persegue (1953) e em Lafitte, o Corsário (1958), e ainda seria El-Cid (1961), Michelangelo em Agonia e Êxtase (1965), São João Batista em A Maior História de Todos os Tempos (1965), Cardeal Richelieu em Os Três Mosqueteiros (1974), e São Thomas Morus na refilmagem para a TV de O Homem que não Vendeu sua Alma, em 1988. Um ator como poucos que exercia carisma em seus desempenhos, e convencia como ninguém como o herói épico ou ícone histórico por excelência.

O jornalista Artur da Távola (1936-2008)

V- ARTUR DA TÁVOLA SOBRE BEN-HUR DE 1959

Depois de 20 anos em temporadas nos cinemas brasileiros (muitos destes já extintos), e principalmente em exibições nas épocas de Semana Santa ou Natal, Ben-Hur estreou na TV brasileira em início de setembro de 1984, pela Rede Globo de Televisão, sendo o épico de William Wyler de quase 4 horas de projeção exibido em duas partes no horário nobre. 

BEN-HUR (1959): Sucesso nos cinemas de todo o Brasil até as décadas de 1970 e início de 80
O sucesso do filme de William Wyler foi tão estrondoso após
o seu lançamento que o público carioca exigiu mais alguns dias de exibição
Na coluna do saudoso jornalista, crítico, escritor, político, e notável humanista, o saudoso Artur da Távola (1936-2008), em um de seus artigos dominicais no Jornal O Globo, pela “Revista da TV” a 9 de setembro de 1984, dedicou umas breves linhas para falar de Ben-Hur com Charlton Heston em sua primeira exibição pela TV brasileira.  Abaixo, será reproduzida a pequena matéria que o grande crítico escreveu sobre a obra prima de William Wyler:

Charlton Heston é BEN-HUR (1959)

Ben-Hur Não Envelheceu
De Artur da Távola
(originalmente de sua coluna da “Revista da TV”, Jornal O Globo, a 9/9/1984, domingo).

Uma das oportunidades trazidas pela televisão é a de funcionar como cinemateca. Permite ver velhos filmes com outros (novos) olhos. O caso de "Ben-Hur" é bastante expressivo. Revi-o esta semana. Cresceu em meu conceito. O mesmo ocorrera este ano com filmes como "Dr.Jivago" e "Guerra e Paz". Revê-los levou-me a considera-los melhores que a época do lançamento.

Por causa do gênero sempre semelhante e das concessões ao grandioso que Hollywood precisava fazer devido à sua vinculação ao gosto médio do mercado mundial, a gente se acostumou a ver os filmes épicos ou bíblicos todos da mesma maneira. E não são. "Ben-Hur" possui sequencias lindíssimas e intensas, não tivesse a dirigi-lo o Mestre William Wyler.

Vendo esses filmes hoje sem a preocupação artística ou puramente artística da época de sua exibição, mas apreciando-os pelo exercício mitológico neles contido, devo confessar a alegria por realizar uma leitura completamente nova, surpreendente até para mim.

Artur da Távola

Capa do DVD americano do desenho BEN-HUR com dublagem de Charlton Heston.


VI- CHARLTON HESTON VOLTA A INTERPRETAR O PERSONAGEM EM DESENHO ANIMADO.

Cartaz divulgando o desenho, tendo Charlton Heston emprestando sua voz ao personagem.
Em 2003, Charlton Heston, que completava então 80 anos, voltou a viver o personagem que o consagrou nas telas de cinema, Judah Ben-Hur, num desenho animado baseado no clássico romance literário de Lewis Wallace: Ben-Hur- Um Conto de Cristo.  O filho do ator, Fraser Heston, foi um dos produtores executivos da animação (que teve o roteiro da escritora Abi Estrin Cunningham) que trazia de volta o pai ao personagem apenas em dublagem. A direção ficou a cargo de William R. Kowalchuk Jr.

O próprio Heston faz a apresentação do desenho animado.
O desenho teve a apresentação do próprio Charlton Heston, que fez questão de explicar a essência da obra original de Wallace, que como militar e estrategista de guerra, poderia ter redigido uma obra sobre guerreiros e batalhas. Contudo, o escritor decidiu escrever uma história de fé, amor, perdão, e redenção. Ele ainda disse que as adaptações podiam variar de acordo com cada roteirista, podendo até mesmo ao fim Ben-Hur e Messala se perdoar e reconciliarem mutuamente.

O desenho BEN-HUR, realizado em 2003.
O anime foi produzido por uma empresa cristã canadense, a Agamemnon Films. Heston era um dos poucos sobreviventes do filme que consagrou-o em 1959, e para substituir os atores já falecidos da versão de William Wyler em suas respectivas partes para a animação, como Stephen Boyd, Jack Hawkins, Cathy O’ Donnell, Hugh Griffith, ou Finlay Currie - entraram Duncan Fraser (como Messala), Richard Newman (como Quintus Árrius), Willow Johnson (como Tirzah), Dale Wilson (como Xeique Ilderin), e Long John Baldry (como Balthazar) que emprestaram suas vozes para esses personagens. O desenho difere muito do filme de 1959 (e tem metragem de 80 minutos), tendo uma linguagem mais apurada para o público infantil, mas a essência da obra de Wallace prevalece, com Charlton Heston emprestando sua voz ao personagem principal em uma de suas últimas e marcantes atividades artísticas.

Poster da minissérie para a TV de 2010.
VII- A MINISSÉRIE TELEVISIVA DE 2010

Joseph Morgan é Ben-Hur na versão televisiva canadense
de 2010, tendo ainda Kristin Kreug como Tirzah e Alex Kingston como a mãe do herói, Ruth.
Em 2010, a emissora televisiva canadense CBC produziu (em preparo de dois anos) a primeira adaptação para TV do romance de Lewis Wallace Ben-Hur. A adaptação ficou a cargo de Alan Sharp, com direção de Steve Shill e produção de David Wyler, filho do cineasta William Wyler, para a Muse Entertainment, empresa canadense, em associação à Drimtim Entertainment, da Espanha, Zak Productions, de Marrocos, e Akkord Film, da Alemanha.

Seria Joseph Morgan uma cópia juvenil de Charlton Heston?
Para o papel-título convocaram o inglês Joseph Morgan, de 28 anos, que até lembra Charlton Heston em sua forma mais juvenil. Até o figurino de Morgan lembra o utilizado por Heston na versão clássica de 1959. Contudo, sua atuação como o herói de Lewis Wallace é sem o brilho e a solidez que  consagrou Heston  e que tantas láureas obteve da Academia de Artes e Ciências 50 anos antes. 

Stephen Campbell Moore é Messala.
Kristin Kreug, Simon Andreu, e Alex Kingston - BEN-HUR (2010)
A versão televisiva de 2010 foi lançada em DVD no Brasil.
Filmada em Marrocos, a produção também traz no elenco os atores Stephen Campbell Moore, que interpreta Messala;  Emily VanCamp no papel de Esther; Ray Winstone como Quintus Árrius; Kristin Kreuk, a Lana Wood da série de TV Smalville, como Tirzah; Ben Cross (1947-2020) de Carruagens de Fogo, como o imperador Tibério; Alex Kingston como Ruth, aqui o nome dado a mãe de Ben-Hur; Simon Andreu  como Simonides; e o paquistanês Art Malik como o Xeique Ilderin. 

BEN HUR de 2016


 VIII- BEN-HUR 2016
Uma Crítica do Editor.

DIVULGAÇÃO

Com um orçamento de 100 milhões de dólares, este é o remake mais recente (seus produtores alegam que é um reboot, ou seja, uma releitura do personagem) e polêmico do livro de Lewis Wallace, que até aqui, já tem quatro versões cinematográficas, uma para a TV como minissérie, e outras poucas adaptações em desenho animado, sendo a mais popular o desenho produzido em 2003 e que tem Charlton Heston dublando originalmente o personagem.

Jack Huston, Toby Kebbell, e o diretor Timur Bekmambetov.
BEN-HUR (2016)
Desta vez, a religiosidade esta mais ativa, afinal a obra presente foi produzida por especialistas em filmes religiosos, liderados pela atriz Roman Downey, que produz filmes para católicos ou crentes consumidores, e O Filho de Deus foi uma destas fitas já produzidas. O cineasta desta nova versão é o russo Timur Bekmambetov, emigrado para os Estados Unidos e que por lá fez O Procurado com Angelina Jolie, Guardiões da Noite, e Abraham Lincoln Caçador de Vampiros. Em verdade, é um mestre nos efeitos digitais, testificado na Corrida de Quadrigas (e não bigas, corrige-se!), contudo tudo margeia a falsidade e artifícios, e não como no filme de 1959 que foi tudo íntegro, pra valer, e a custoso trabalho de operários, dublês e mesmo dos atores principais (Charlton Heston e Stephen Boyd precisaram de três meses de treino com o especialista em cenas de ação e ex-dublê Yakima Canutt para atuarem bem na cena e saberem conduzirem suas quadrigas).


Jack Huston é o novo BEN-HUR (2016)
A corrida de Quadrigas foi filmada no mesmo estúdio da versão de 1959, em Cinecittá, próxima à Roma. Contudo, a corrida de 1959 supera a de 2016, por justamente ser mais longa e de ter o maior número de figurantes, sem precisar dos recursos digitais para ampliar plateias de um estádio (como feito em Gladiador, de Ridley Scott, em 2000). 

DIVULGAÇÃO

Nesta versão de 2016, a adaptação feita por Keith R. Clarke e John Ridley colocam Ben-Hur e Messala como irmãos adotivos. No filme de 1959, eram amigos de infância, “como se fossem irmãos”, e o roteiro frisava que o comportamento de Messala sofreu transformação quando este se deixou guiar pela corrupção romana. Pelo fato dos dois já terem sido amigos, e Messala levar a cabo todo ódio que sentia pelo ex-amigo que jurou vingança, torna a obra clássica de William Wyler muito mais dramática. 


Judah Ben-Hur é traído pelo irmão romano.
Morgan Freeman é o Xeique Ilderin.
Na adaptação cinematográfica de 2016, não existem personagens centrais que são de grande importância para trama, como o cônsul Quintus Árrius, vivido por Jack Hawkins na versão de 1959. Ele era o esteio do personagem principal, pois este acabou salvando-lhe a vida durante o ataque pirata nas galés. Aqui, esse personagem foi eliminado, e o esteio se transferiu para o Xeique Ilderin, que na versão de 2016, é vivido pelo maravilhoso Morgan Freeman

Ilderin ajuda Ben-Hur a executar sua vingança.
BEN-HUR (2016)
Ben-Hur escapa de um naufrágio após sua galera onde estava aprisionado ser destruída, e vai parar as margens de uma praia, onde é salvo por Ilderin. Este o ampara e começa a treina-lo para um dos esportes mais violentos da antiguidade, as corridas de quadrigas, e só assim, ele conseguirá sua revanche contra o irmão Messala e decidirá os pontos. No filme original de 1959, assim como no romance original de Wallace, Ben-Hur torna-se um atleta na modalidade em Roma, e quando conhece llderin ele já é um auriga experiente. 

Ben-Hur pronto para a Corrida de Quadrigas.
Rodrigo Santoro e Jack Huston na divulgação do filme em São Paulo.
E quanto aos atores? Morgan Freeman dispensa comentários por seu brilhantismo em qualquer papel, onde valoriza o filme. Mas voltemos nossas atenções ao britânico Jack Huston, que interpreta Judah Ben-Hur. Oriundo do clã dos Huston – neto do lendário cineasta John Huston (1906-1987) e sobrinho da atriz Angelica Huston – Jack pode ser carismático, mas não convence. O ar voluntarioso de Charlton Heston  fazia o espectador convencer-se de que ele sabia conciliar seu porte físico à dramaticidade do personagem. Por isso fica difícil  imaginar outro ator que não seja Heston para Ben-Hur, que pudesse ser altivo, mas ao mesmo tempo, soubesse ser humano e sofrível como no romance dpo general Wallace. Jack Huston não se encaixa em nenhum momento como o herói, embora seja um bom ator. 


Toby Kebbell é um violento Messala.
Haluk Belginer é Simonides. Nazarin Boniadi é Esther.
Toby Kebbell vive Messala, que aqui ganha até um sobrenome, Messala Severus, muito mais violento que Stephen Boyd da versão de 1959. Já a atriz Nazanin Boniadi que faz a Esther (aqui esposa de Ben-Hur) não tem a beleza da israelense Haya Harareet, que foi a Esther de Wyler, mas executa bem a sua parte. Ayelet Zurer, atriz também israelense, vive a mãe do herói, que nesta versão recebe o nome de Naomi (na versão de 1959, a personagem vivida por Martha Scott recebe o nome de Miriam, e na versão televisiva de 2010, o nome de Ruth). 

O brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo.
Rodrigo Santoro, um dos pontos positivos do filme.
Deus tem um Plano Pra você
E nosso Rodrigo Santoro? Juntamente com Morgan Freeman, Santoro é um dos poucos que sustenta esta versão de 2016, mesmo atuando em quatro cenas como Jesus Cristo, incluindo a morte na cruz. Ao contrário de Claude Heater,  pôde mostrar finalmente o “rosto de Jesus”, mas as cenas não são tão memoráveis como na versão definitiva de Wyler, embora na adaptação de 2016 tenha mensagem do Redentor para com o herói, quando Jesus lhe dá água no caminho do deserto e lhe diz: “Deus tem um plano pra você”. Isso já era perceptível mesmo na versão de William Wyler, sem qualquer dialogo entre Ben-Hur e o Cristo.

Ben-Hur tenta ajudar Jesus no caminho do Calvário.
A Paixão de Cristo na versão de BEN-HUR 2016
A Crucificação

Em suma, a versão de 2016, em nenhuma circunstância, pode ser comparada com as versões cinematográficas anteriores (1907, 1926, e 1959 principalmente). Seus produtores e o diretor alertam que trata-se de outro universo para a história escrita por Lewis Wallace no século retrasado. Vale lembrar que mesmo tratando-se de um remake, isto sem dúvida não isenta a superioridade do filme dirigido por William Wyler, que obteve as láureas máximas da Sétima Arte, consagradamente uma obra prima do cinemaAlém disso, refilmagens tem 95% de chances de não darem certo, e tendo em vista esta estimativa, cabe o incentivo de conhecer a obra original. Para  um público mais jovem, apetece a curiosidade de conhecer a versão de Wyler (disponível em DVD e Blu-Ray no Brasil pela Warner, vendido pelo "Mercado Livre") depois de assistir a versão do diretor russo Timur Bekmambetov, pois são justamente os remakes que motivam o interesse de conhecer o original de um verdadeiro clássico.

BEN HUR NO CINEMA: Os intérpretes de 1926, 1959 e 2016.

A trilha sonora de Marco Beltrami não transmite a mesma emoção composta por Miklos Rozsa em 1959 (e que lhe conferiu o Oscar por Melhor Composição). A adaptação de 2016 pode ser um bom filme, com grandes efeitos modernos, mas não passará disso porque a versão cinematográfica estrelada por Heston ainda é uma obra insuperável e inesgotável, persistindo as ações do tempo e do vento


FICHA TÉCNICA

DIVULGAÇÃO

BEN-HUR
(Ben -Hur)


PAÍS – Estados Unidos

ANO – 1959

GÊNERO – Épico/Aventura/Religioso

DIREÇÃO – William Wyler

PRODUÇÃO – Sam Zimbalist, para a Metro Goldwyn Mayer

ROTEIRO – Karl Tunberg, com base no romance (1880) do General Lewis Wallace.

MÚSICA – Miklos Rozsa

FOTOGRAFIA – Robert Surtess, em Cores


METRAGEM – 211 minutos


ELENCO

CHARLTON HESTON – Príncipe Judah Ben-Hur

JACK HAWKINS – Cônsul Quintus Árrius

HAYA HARAREET – Esther

STEPHEN BOYD – Tribuno Messala

HUGH GRIFFITH – Xeique Ilderin

MARTHA SCOTT – Miriam, mãe de Ben-Hur

CATHY O’ DONNELL – Tirzah, irmã de Ben-Hur

SAM JAFFE – Simonides

FINLAY CURRIE – Balthazar de Alexandria

FRANK THRING – Pôncio Pilatos

TERENCE LONGDON – Drusius

GEORGE RELPH – Imperador Tibério

ANDRE MORELL – Sextus

MARINA BERTI – Flávia

MINO DORO – Valérius Grato

JOSE GRECI – Maria, mãe de Jesus

LAURENCE PAYNE – José, pai de Jesus

ALDO SILVANI – Homem em Nazaré

LANDO BUZZANCA – Escravo judeu no deserto

ADY BERBER - Malluch

ENZO FIERMONTE – Oficial da galera

PIETRO TORDI – Servente de Pilatos

RALPH TRUMAN – Ajudante de Pilatos

MAY McAVOY – Mulher na torcida na arena

RICHARD HALE – Gaspar, o Mago

REGINALD LAL SINGH – Melchior, o Mago

CLAUDE HEATER – Jesus Cristo

GIULIANO GEMMA – Soldado Romano com Messala

JOHN LE MESURIER – Médico que cuida de Messala

DUNCAN LAMONT - Marius

ESPECIAL: DOIS TRAILERS ORIGINAIS  DO
FILME DE 1959
Estrelando CHARLTON HESTON.
Dirigido por WILLIAM WYLER.




Produção e Pesquisa
PAULO 
TELLES

Matéria Originalmente publicada no extinto blog Filmes Antigos Club em Setembro de 2016, agora atualizada e revisada. 





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