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segunda-feira, 27 de março de 2023

O Último Hurrah (1958): de John Ford, Os Bastidores da Política Contada de Forma Lírica e Intimista

Tudo já foi dito sobre John Ford (1895-1973), um dos diretores mais versáteis da história da Sétima Arte. Um cineasta legítimo que colecionou grande admiração do público e influenciou outros diretores. Suas realizações apresentaram extraordinária dinâmica cinematográfica, possuindo sensibilidade contagiante e comovedora autenticidade humana. Ford conseguiu unir “gregos e troianos”, isto é, conseguiu atrair públicos diversificados, pois vários personagens de suas obras não devem ser entendidos a luz de inteligência ou razão, mas simplesmente entendidos através do coração. E é sobre um de seus grandes trabalhos que vem a direcionar para a emoção que reproduz de maneira intimista os bastidores da política (e hoje, diga-se de passagem, uma das obras poucas citadas de Ford): O ÚLTIMO HURRAH (The Last Hurrah), filme realizado em 1958.

O Cineasta John Ford
John Ford produz e dirige O ÚLTIMO HURRAH (1958)

O Último Hurrah pertence a categoria de realizações mais afeiçoadas e pessoais do diretor Ford e com os quais o cineasta presta homenagem a pessoas ou grupos humanos que consegue algum tipo de destaque. Estas obras são ditadas pelo coração, por isso mesmo possuindo deficiências comuns nas obras mais puras do cineasta (O Sol Brilha Na Imensidade, O Delator, Depois do Vendaval, entre diversas), talvez por culpa de uma dose maior de sentimentalismo. Em O Último Hurrah ele homenageia seus patrícios irlandeses que conseguiram subir do nada até influir e comandar a vida pública da Nova Inglaterra, onde passa-se toda narrativa. 

O jornalista e escritor Edwin O' Connor, que escreveu o romance O ÚLTIMO HURRAH, publicado em 1956.
O astro Spencer Tracy e o diretor John Ford

Não obstante a intolerância dos descendestes diretos dos primeiros colonizadores, Ford faz um alerta ao preconceito e a hipocrisia dos poderosos que usurpam esperanças e progresso dos menos afortunados. Para a realização do filme, o diretor leu o romance original (publicado em 1956) do jornalista Edwin O'Connor (1918-1968) e se entusiasmou com o livro, chegando a propor para a Columbia Pictures produzir e dirigir mesmo sem receber salário. Ford se identificou logo de cara com a figura do político democrata Frank Skeffington (que O’Connor se inspirou num político real, James Michael Curley, que foi prefeito de Boston, EUA, conhecido tanto por suas benfeitorias quanto pelo modo implacável de lidar com adversários políticos).  Diferentemente do livro, Ford utilizou Frank Skeffington de modo mais sentimental, sugerindo que ele, mesmo com sua benevolência e humanidade para com as minorias, era capaz de praticar métodos menos recomendáveis para atingir seus objetivos, traçado por um roteiro magnífico de Frank S. Nugent (1908–1965), colaborador de Ford em Depois do Vendaval e Rastros de Ódio.

Spencer Tracy é Frank Skeffington, prefeito de um território da Nova Inglaterra que tenta mais uma reeleição...

... acompanhado por velhos amigos e fiéis partidários.

Frank Skeffington é interpretado de maneira soberana por Spencer Tracy (1900-1967), em atuação segura e eficiente. Sendo protagonista de astuciosa e refinada crônica nos bastidores eleitorais de um vilarejo da Nova Inglaterra. Skeffington, de truculento sangue irlandês e há doze anos no cargo de prefeito, controla a máquina eleitoral através de suborno e “caridade”. Durante sua quarta e última campanha eleitoral para prefeito, representantes dos meios financeiros, da Igreja Católica e da Imprensa, aliam forças para enfrentar seus métodos que já renderam-lhe várias reeleições. 

DIVULGAÇÃO

Os fiéis partidários de Skeffington: John Gorman (Pat O' Brien), Sam Weinberg (Ricardo Cortez), "Ditto" Boland (Edward Brophy) e "Cuke" Gillen (James Gleason)

Cercado por fiéis partidários que estão com ele por mais de 30 anos, Skeffington tenta se reeleger em um mundo que anda em transições. Contudo, ele tem um dom surpreendente. O único político que é verdadeiramente capaz de manipular os poderosos para defender os oprimidos. Ele é o líder indiscutível da cidade, controlando a cidade com punho de ferro, mas ele sabe que seu show está beirando ao fim. O dia de compromissos com almoços e comícios políticos está dando lugar à televisão, a mais nova tecnologia na área das comunicações, fazendo a máquina política de Frank parecer obsoleta e ultrapassada.
 

Mesmo com todo apoio de partidários, Skeffington conta com ajuda de Adam Caulfied (Jeffrey Hunter), jornalista que trabalha para o jornal de...

...Amos Force (John Carradine), inimigo declarado de Skeffington, que apoia o candidato republicano Kevin McClurskey (Charles B. Fitzsimons)

A televisão, sendo um veículo de comunicação emergente, começa desempenhar um papel fundamental na política. Para assessorá-lo nessa transição, surge Adam Caulfield (Jeffrey Hunter, 1926-1969), seu sobrinho e jornalista esportivo de um grande tabloide comandado por Amos Force (John Carradine, 1906-1988), inimigo figadal de Skeffington e republicano fanático.  Ao visitar o tio, Adam fica sabendo dos sérios motivos que levam Amos a odiar Skeffignton, quando o pai do dono do jornal, um burguês autoritário, humilhou publicamente a mãe de Frank (que era sua empregada doméstica) pelo fato dela pegar sobras de comida, acusando-a de ladra. Caulfield abandona o jornal de Amos e resolve ajudar o tio em sua campanha. 

Adam é casado com Maeve (Dianne Foster), também apoiadora de Skeffington.


Skeffington enfrentando seus opositores.

Os inimigos políticos de Frank Skeffington não param por ai. Seu sobrinho Adam é casado com Maeve (Dianne Foster, 1928-2019), filha de Roger Sugrue (Willis Bouchey, 1907-1977) que também detesta Skeffignton e começa a ter diversos atritos com o genro, contudo sem abalar a relação de seu casamento, já que Mave também simpatiza com os ideais de Frank. Entretanto, Skeffington é o tipo de político que realmente preocupa-se com seus eleitores, mesmo que seus métodos sejam um tanto ilícitos. Muitas vezes ajuda-os pessoalmente (como na cena de um enterro, em que uma de suas eleitoras não tinha dinheiro para enterrar seu marido, e Frank pressiona o dono da funerária, ligado ao Partido Republicano, a fazer o enterro de graça). Mas há alguns problemas com a regra de Skeffington. Primeiro de tudo, ele muitas vezes muda vários negócios, obrigando mesmo aqueles que trabalham para ele a ter salários reduzidos para ajudar os eleitores. Skeffington e seus aliados, muitas vezes, transformam os funerais em reuniões políticas. Skeffington não é nenhum santo, mas em nome de seus ideais vale quase tudo, até mesmo mexer com os alicerces da Igreja Católica. Mesmo sendo um católico devotado, entra em atrito com a ideologia da Igreja, muito embora o Arcebispo da cidade, Cardeal Burke Martin (Donald Crisp, 1882-1974) simpatize com Frank. Na vida familiar, Skeffignton tem problemas de relacionamento com o filho único, Júnior (Arthur Walsh, 1923-1995), um jovem imaturo e irresponsável que só pensa em mulheres e badalações, ignorando por completo as idealizações do pai.

Para angariar simpatias e votos, Skeffignton apela para atos de "caridade", como ao ajudar uma viúva (Anna Lee) que não tem dinheiro para enterrar seu marido...

... mas Frank apela para a "boa vontade cristã" do agente funerário para que faça o enterro de graça. 


Frank Skeffignton candidato para mais uma reeleição na prefeitura da Nova Inglaterra, em um de seus comícios. 

Frank surpreende a todos ao anunciar que pretende concorrer para outro mandato para prefeito. O corpo principal do filme dá uma visão detalhada e criteriosa da política urbana, e o controle de Skeffington e de seu sobrinho Adam através de rodadas de aparições nas campanhas e eventos. Kevin McCluskey (Charles B. Fitzsimons, 1924-2001), um jovem candidato com um rosto bonito e os “bons costumes norte-americanos”, com excelente ficha e registro da II Guerra Mundial, mas sem experiência política e nenhuma habilidade real para governo, acaba derrotando Skeffington nas eleições. Um dos amigos de Adam, John Gorman (Pat O’ Brien, 1899-1983) explica que a eleição foi "um último hurrah" para a ultrapassada máquina política de Frank Skeffington. As mudanças na face da política norte-americana foram tão exorbitantes que Skeffington já não pode sobreviver. Imediatamente após sua derrota, Skeffington sofre um ataque cardíaco. Quando morre, deixa para trás uma cidade de luto por uma figura crucial na sua história, mas uma cidade que não tem mais espaço para ele ou o seu tipo.

OS VETERANOS Spencer Tracy e Pat O' Brien, amigos também na vida real.


Adam (Jeffrey Hunter) e Sam Weinberg (Ricardo Cortez) acompanham a apuração da eleição...

...culminando com a derrota de Skeffingnton, que não perde o bom humor e anuncia sua próxima candidatura.

O ÚLTIMO HURRAH está cheio de grandes momentos cinematográficos e de esplendidos tipos fordianos. A sequência do magnifico funeral do marido da eleitora; o passeio do candidato derrotado pelo parque deserto enquanto a passeata do candidato vitorioso serve como pano de fundo; e o gesto silente com que Skeffington se dirige a fotografia da finada esposa da sua incompreensão diante dos acontecimentos. Entre os tipos humanos apresentados por Ford, vale destacar a velha tagarela presente no funeral (Jane Darwell, 1879-1967); O auxiliar ingênuo Ditto (Edward Brophy, 1895-1960), e Hannessey (Wallace Ford, 1898-1966), o eterno candidato. 

O passeio solitário de Skeffington após a derrota, tendo como fundo a passeata do candidato vitorioso, e...

...o gesto silente de Skeffington ao se dirigir ao retrato da esposa falecida - dois grandes momentos cinematográficos e esplendidos no verdadeiro estilo fordiano.

O ÚLTIMO HURRAH é narrado por John Ford de forma lírica, intimista, bem humorada, sentimental e generosa, apresentando Spencer Tracy em uma de suas mais memoráveis performances do cinema, onde todos destacam-se com suas participações, desde  Jeffrey Hunter (em bom desempenho!), aos veteranos Basil Rathbone (1892-1967), Donald Crisp, Edward BrophyPat O'Brien, Willis Bouchey e Wallace Ford, irmão do cineasta.

Divulgação do filme pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1959 ou 60.

FICHA 

TÉCNICA



O ÚLTIMO 
HURRAH

(The Last Hurrah)

Nacionalidade – Estados Unidos

Ano de Produção – 1958

Gênero - Drama

Direção – John Ford

Produção – John Ford para Columbia Pictures (e distribuição)

Roteiro - Frank S. Nugent, baseado no livro de Edwin O' Connor.

Fotografia - Charles Lawton Jr. – em Preto & Branco

Música – George Dunning, Paul Sawtell e Cyril J. Mockridge (não creditados)

Metragem – 122 minutos

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ELENCO

Spencer Tracy – Frank Skeffington

Jeffrey Hunter – Adam Caulfield

Dianne Foster – Maeve Caulfield

Pat O’ Brien – John Gorman

Donald Crisp – Cardeal Martin Burke

James Gleason – “Cuke” Gilles

Edward Brophy – “Ditto” Boland

John Carradine – Amos Force

Willis Bouchey -  Roger Sugrue

Basil Ruysdael – Bispo Gardner

Ricardo Cortez - Sam Weinberg

Wallace Ford - Charles J. Hennesse

Frank McHugh – Festus Garvey

Carleton Young – Winslow

Anna Lee - Gert Minihan

Ken Curtis – Monsenhor Killan

Jane Darwell - Delia Boylan, a velha do funeral

O.Z. Whitehead - Norman Cass, Jr.

Charles B. Fitzsimons - Kevin McCluskey

Arthur Walsh – Frank Skeffington Jr.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

As Aventuras de Robin Hood (1938): Um Clássico do Cinema de Aventuras de Michael Curtiz.


Em toda a história dos filmes de aventura, uma obra se destaca como a maior de todas. Falo de As Aventuras de Robin Hood – The Adventures of Robin Hood.  Este clássico absoluto do cinema tem fãs de todas as idades, pois foi passado de geração para geração, graças às contínuas exibições na Sessão da Tarde na TV Globo lá pelos anos 1970 e 1980. Contudo, a história de sua produção é bastante curiosa e vale a pena ser conhecida, pois é um clássico de aventura que deu abertura para outros filmes do gênero.

Jack L. Warner

Em 19 de julho de 1935, Dwight Frankilin, que era o consultor visual especial de Capitão Blood, envia a Jack L. Warner (1892- 1978) um memorando vazado nestes termos:

“O Senhor não acha que James Cagney poderia fazer um ótimo Robin Hood? Será um filme inteiramente diferente daquele de Douglas Fairbanks. Tenho muitas idéias sobre isso se o senhor estiver interessado”.

Jack L aprova a sugestão, e James Cagney (1899-1986) é anunciado como astro do filme. No entanto, em novembro, em um litígio com o estúdio, Cagney vai embora e não volta a Burbank por dois anos. Logo, a 8 de setembro de 1936, telegrama de Hal B. Wallis para Jack L: Falei com roteiristas sobre “Robin Hood”. Depois de “Capitão Blood”, ninguém melhor que Errol Flynn para o papel. Acho bom divulgar essa notícia imediatamente e deixar Cagney ficar sabendo o que esta perdendo com sua atitude.

Hal B. Wallis (1899-1986) não gostou do primeiro script feito por Rowland Leigh (1902-1963) e recusa. A tarefa então é confiada a Norman Reilly Raine (1894-1971) e Seton I. Miller (1902-1974). Wallis lhes dá rígida orientação sobre o que quer para o filme e assim evitar os problemas e a perda de tempo tidos com o roteiro de Leigh.

William Keighley

A 7 de setembro de 1936, Anita Louise é escalada para fazer a donzela Marian. William Keighley (1889-1984)  é escolhido como diretor e é selecionado todo elenco de apoio: Basil Rathbone, Claude Rains, Patric Knowles, Eugenne Pallete, Alan Hale, e Una O’ Connor à frente. 

Anita Louise, a primeira escolha para Lady Marian

A 16 de setembro do mesmo ano, a extremamente bem sucedida parceria de Olivia de Havilland (1916-2020) com Errol Flynn (1909-1959), em Capitão Blood e A Carga da Brigada Ligeira leva o estúdio a decidir-se por Olivia para o papel antes oferecido a Anita Louise (1915-1970).

Anita Louise com Cornel Wilde em O FILHO DE ROBIN HOOD.

Quanto a Anita, a delicada atriz loura que acabava de perder o papel de Lady Marian para De Havilland, acabaria por interpretar a donzela dez anos depois, em 1946, no mediano O Filho de Robin Hood (The Bandit of Sherwood Forest), dirigido por George Sherman e Henry Levin para a Columbia, e estrelada por Cornel Wilde no papel de Robin.

Para as filmagens de locação, escolheram os atrativos terrenos e matas de Bidwell Park, na cidade de Chico, a 560 quilômetros ao norte de Los Angeles, para as cenas passadas na floresta de Sherwood. E os Busch Gardens, onde seria filmado o torneio de arco e flecha. Já outros exteriores, foram feitas em Lake Sherwood, a noroeste de San Fernando Valley, e em algumas áreas apropriadas, dentro do próprio estúdio.

O duelo de Robin (Errol Flynn) e João Pequeno (Alan Hale)

A 7 de outubro, em telegrama enviado para Keighley, em Chico, o exigente Wallis elogia os copiões resultantes dos trabalhos dos três primeiros dias de filmagem, ao mesmo tempo em que reclamava ter ele levado outros três dias apenas para filmar o encontro entre Robin Hood e Little John, que sequer foi completado. Considerou as cenas líricas demais e lhe pediu para evitar tomadas sofisticadas, ângulos visualmente bonitos que não resultam em nada e que atente para mais emoções e a ação impulsora  de que o filme necessita. 

Michael Curtiz
Logo, Wallis viu que Keighley precisava de uma mãozinha mais experiente e dominante, e que o filme estava mesmo precisando de Michael Curtiz (1886-1962), um dos maiores cineastas da História da Sétima Arte. Curtiz já havia provado sua habilidade em filmes de época com Errol Flynn, e havia concluído a direção de Onde o Ouro se Esconde (Gold Is Where), também filmado em Chico, com George Brent, Claude Rains, Olivia De Havilland, e Tim Holt.

Errol Flynn, o mais popular Robin Hood  do Cinema, até hoje!!!

A 29 de novembro, Keighley filma sua última cena, aquela em que se passa no quarto de Lady Marian, com De Havilland e Una O’ Connor, levando quase 9 horas para faze-lo, chegando a concluí-la na manhã seguinte. Nesse mesmo dia, Keighley foi substituído por Michael Curtiz, que assume imediatamente as funções, fazendo inicialmente a extraordinária sequencia do banquete, para qual Robin Hood se convida.

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Finalmente, em janeiro de 1936, as filmagens se completam, e Hal B Wallis, no dia 21, sugere a Jack L. Warner que os anúncios do filme sejam feitos em destaque ao título As Aventuras de Robin Hood, com Errol Flynn e Olivia De Havilland. A Ideia era vender o título do filme, a grandeza do assunto e a nobreza do personagem, vindo a seguir o nome dos atores principais. Ao custo final de produção, eleva-se a dois milhões e trinta e três mil dólares, tornando-se o filme mais caro da Warner Bross até então, mas valeu a pena.

Errol Flynn: O clássico Robin Hood da Sétima Arte.

A WB faturou perto de quatro milhões de dólares só no mercado norte americano e no Canadá, e naturalmente, outros bons milhões de bilheteria nos cinemas do mundo inteiro. Caso fosse realizado nos nossos dias, segundo o saudoso jornalista João Lepiane, seu custo não seria inferior a 60 ou 70 milhões de dólares.

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD

ERROL FLYNN Já havia sido revelado espetacularmente em Capitão Blood, em 1935, e confirmado como ator exemplar em A Carga da Brigada Ligeira, no ano seguinte. Indubitavelmente, Errol foi a escolha ideal da WB para reviver na tela o lendário herói da floresta de Sherwood.

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Ao tempo da produção, Errol contava com 28 anos de idade e em sua melhor forma atlética, apesar de ter enfrentado, já na época, problemas de saúde. Errol, inclusive, havia sido recusado para servir o exército por conta de sua saúde. Sofria de malária, de tuberculose e do coração (chegou a ter enfarte durante uma filmagem e o duelo de Robin Hood teve que ser feito aos poucos para ele poder aguentar). Mas o estúdio também não queria que o público soubesse a verdade sobre o seu astro.

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AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD

Mas tudo isso foi superado graças à insistência vitalidade, o bom humor, e o charme irresistível, feito dele uma figura sem par em toda a Hollywood. Flynn foi escolhido tão bem que não tem como não pensar em outro ator que leve o personagem a perfeição, com ele se identificando definitivamente. Em suma, quando se fala de Robin Hood no mundo do cinema, se lembra de Errol Flynn. Parece que nasceu para fazer este papel, como se ele fosse o herói em outra encarnação, nas palavras do saudoso crítico de cinema João Lepiane. 

Olivia de Havilland e Errol Flynn: Uma das grandes químicas românticas das grandes telas.

Errol Flynn recebe a visita da esposa, a bela atriz Lili Damita, durante as filmagens

Treinado por um dublê

Nenhum outro ator foi tão belamente heroico, e em sua sublime hora, ele tem tudo: a elegância, o porte, a boa aparência, o ótimo físico, mas o mais importante, um brilho no olhar que o torna ainda mais atraente, sobretudo, para o público feminino. Assim era Errol Flynn a personificar seu papel mais carismático e famoso!


Erich Wolfgang Korngold

A TRILHA SONORA é também uma das maiores glórias do filme, com marcante menção musical de Erich Wolfgang Korngold (1897-1957), uma das mais perfeitas combinações de som e imagem jamais conseguidas em um filme, pois cerca de dois terços da projeção são apoiadas pela musica de Korngold, que é praticamente um libreto de ópera menor. Os resultados valeram ao compositor austríaco o Oscar pela Melhor Música original de 1938, e pensar que estava a recusar a compor por não se tratar de um estilo seu. Caso recusasse, Erich voltaria a Viena, onde certamente teria sérios problemas para fugir à perseguição dos nazistas, que o declararam persona non grata . Até o fim de sua vida, em 1957, Korngold sempre declarava que fora Robin Hood que lhe salvara a vida.

Olivia e Errol...

...um casal perfeito nas telas!

O ELENCO MAGISTRAL – Nunca se havia reunido numa obra cinematográfica um cast numeroso que chegasse a homogeneidade, portanto, As Aventuras de Robin Hood se incluí no privilegiado grupo de filmes chegado a perfeição interpretativa. Errol Flynn já foi destacado. Olivia De Havilland, com a suavidade de sua beleza e ao ser talentoso charme, dão um fascínio especial as cenas de que participa, pois sua Lady Marian parece sair de um livro de histórias de um conto de fadas.

Basil Rathbone como o inesquecível vilão.

Rathbone e Melville Cooper, como o ridículo Xerife de Nottinghan
O confronto final entre Robin e Sir Guy.
Basil Rathbone (1892-1967) como o arrogante e perverso Sir Guy de Gisbourne, com a conhecida eloquente e sarcástica dicção, dá um tremendo show de vilania. Outro vilão de categoria, Claude Rains (1889-1967), como o astuto, hipócrita, traidor e usurpador do trono do irmão Ricardo Coração de Leão (Ian Hunter, 1900-1975),  o Príncipe John, conhecido na História como o João Sem Terra.

Flynn com Patrick Knowles, que vive Will Scarlett, parceiro de aventuras de Robin

Claude Rains (no meio), magnífico como Príncipe John.

Ian Hunter como Ricardo Coração de Leão

Alan Hale (1892-1950, pai de Alan Hale Jr, alguns o confundem por pai e filho serem muito parecidos) repetiu o papel de Little John (João Pequeno) que havia feito na versão de 1922 com Douglas Fairbanks, valeu a pena ser revisto, pois sempre foi bom ver Hale numa obra clássica.

Alan Hale como João Pequeno.

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD

Eugene Pallete (1889-1954) como Frei Tuck; Patric Knowles (1911-1995), sensacional como Will Scarlet; Melville Cooper (1896-1973) como o ridículo Xerife de Nottingham; Una O’ Connor (1880-1959), como Bess, a dama de companhia de Lady Marian; Herbert Mundín (1898 – 1939), ator prematuramente falecido aos 40 anos de idade em um acidente de carro, como o baixinho e divertido Much; e Ian Hunter, já mencionado, faz um Rei Ricardo com dignidade. Todos magníficos e exuberantes em seus papéis.

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD: Um clássico absoluto dos filmes de aventura, que consegue ainda encantar passados mais de 80 anos de seu lançamento.

Reprise pelas grandes salas cariocas por volta dos anos de 1960.

Estreia do filme no Rio de Janeiro em 1939 (Cine Palácio, na Cinelândia. Hoje é o Teatro Riachuelo). Divulgação pelos jornais cariocas.

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD  esteve entre outros nove filmes indicados para a premiação da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, na categoria Melhor Filme, mas o grande vencedor da noite foi Do Mundo nada se Leva, de Frank Capra. Mas foi premiado com os Oscars de Melhor Trilha Sonora, já mencionada, por Erich Wolfgang Korngold e por Melhor Direção de Arte para Carl Jules Weyl (1890-1948). Aclamado e popular até os nossos dias, foi o primeiro  filme colorido de grande custo, uma vitória para a Warner que usou o Technicolor de três faixas, com orçamento de US$ 2,47 milhões de dólares, o filme mais caro deste estúdio na época. 

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ERROL FLYNN é pura adrenalina!

AÇÃO E AVENTURA em AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD!

Passados mais de 80 anos de sua estreia, AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD continua eletrizando muitos cinéfilos, sejam veteranos ou jovens, afinal desde o seu lançamento foi um filme que não envelheceu e veio conquistando plateias por mais de cinco gerações, graças as suas reprises nos antigos cinemas poeirinhas nos anos de 1960/70, ou mesmo pela televisão. Um dos dez maiores filmes de todos os tempos na conclusão deste redator e um dos grandes filmes Capa & Espada da História de Hollywood.


País – Estados Unidos

Ano de Produção – 1938

Gênero – Capa & Espada. Aventura

Direção: Michael Curtiz e William Keighley

Produção: Hal B. Wallis, Jack L. Warner (não creditado) e Henry Blanke (não creditado) em produção e distribuição da Warner Brothers.

Roteiro: Norman Reille Raine, Seton I. Miller e Rowland Leigh, baseado na lenda de Robin Hood.

Música – Erich Wolfgang Korngold

Fotografia – Sol Polito e Tony Gaudio (em cores)

Metragem – 102 minutos

Errol Flynn – Robin Hood

Olivia De Havilland – Lady Marian

Basil Rathbone – Sir Guy de Gisbourne

Claude Rains – Principe John

Patrick Knowles – Will Scarlett

Eugene Pallete – Frei Tuck

Alan Hale – O Pequeno John

Melville Cooper – Xerife de Nottinghan

Ian Hunter – Ricardo Coração de Leão

Uma O’ Connor – Bess

Herbert Mundin – Much

Montagu Love – Bispo das Canoas Negras

Leonard Willei – Sir Essex

Robert Noble – Sir Ralf

Collin Kenny – Sir Baldwin

Lester Matthews – Sir Ivor




Um Convidado Bem Trapalhão (1968): Blake Edwards faz Peter Sellers promover uma festa de arromba!

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