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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

As Sandálias do Pescador (1968): Anthony Quinn, Um Papa Russo em defesa da Paz Mundial, em uma obra profética e datada.





As Sandálias do Pescador (The Shoes of a Fisherman), superprodução da Metro- Goldwyn- Mayer realizada em 1968, oriunda do famoso Best Seller (publicado em 1963) de Morris West (1916-1999), é de certa forma um filme profético. O fato curioso é que o escritor West não fazia vaga ideia de que sua historia se tornaria realidade, pois praticamente previu 15 anos antes a eleição de um Papa vindo de um país comunista em 1978, com a eleição do polonês Karol Wojtyła, o Papa João Paulo II (1920-2005), o primeiro Papa não italiano depois de muitos anos. Depois do Papa polonês, ainda vieram um alemão (Bento XVI) e o atual é um argentino, Papa Francisco.

Kiril Lakota (Anthony Quinn) e seu encontro com o Premier Kamenev (Laurence Olivier). Uma proposta para a paz mundial.
Lakota recebe a incumbência de ser cardeal, com relutância.
Lakota no meio do concílio dos cardeais, e entre eles, o Cardeal Rinaldi, vivido por Vittorio De Sica
Rodado nos famosos estúdios italianos de Cinecitta, em Roma (onde a mesma Metro também filmou os espetaculares épicos Quo Vadis, em 1950, e Ben-Hur, em 1959), em As Sandálias do Pescador, o Papa em questão na obra de West, protagonizado soberbamente por Anthony Quinn (1915-2001) não é polonês e sim ucraniano, Kiril Lakota, outrora um prisioneiro político da antiga União Soviética, sendo enviado a Roma pelo premier soviético Piotr Ilyich Kamenev (Laurence Olivier, 1907-1989), cujo objetivo é influenciar o Vaticano a seu favor, em caso de um conflito com a China. Kiril é nomeado cardeal, e mais tarde, eleito Papa, sucedendo o seu predecessor, o Papa Elder (John Gielgud, 1904-2000). Assim, Kiril Lakota torna-se o primeiro Papa não italiano da História da Igreja. Desde o começo, Kiril demonstra ter consciência do seu papel de pastor e da grande responsabilidade que tem sobre os ombros, já que o Vaticano também é um Estado, mas ao mesmo tempo, tendo conhecido o sofrimento, ele luta para minimizar os sofrimentos de seus fiéis.

O Concílio dos Cardeais, para o conclave do novo Papa.
A surpresa de Kiril Lakota, quando eleito para ser o novo Papa.
O Cardeal Leone (Leo McKern) pergunta ao Cardeal Lakota como será seu nome pontifício. Papa Kiril.
Ocupando-se com a paz mundial, o novo papa consegue evitar um conflito nuclear entre russos e chineses e decide distribuir as riquezas do Vaticano como índole de seus ideais (outra “profecia”. Em 1978, o Papa italiano João Paulo I havia declarado que também distribuiria as riquezas da Igreja entre os países pobres e que investigaria o Banco do Vaticano, após suspeitas de desvios de dinheiro. Seu papado durou apenas 33 dias, sendo encontrado morto em seu quarto a 16 de outubro de 1978. Oficialmente, sua morte constou como ataque cardíaco enquanto dormia, mas há indícios e suspeitas de assassinato por envenenamento. A teoria de conspiração sobre este caso já foi abordada disfarçadamente no filme O Poderoso Chefão, Parte 3, com Raf Vallone no papel de um Papa que faz reminiscência a João Paulo I).

Habemos Papam!!!
O triangulo amoroso do repórter George Faber (David Janssen) entre sua esposa médica (Barbara Jefford) e uma garota italiana, Chiara (Rosemarie Dexter), uma das tramas subjacentes da fita.
George Faber entrevista Kiril Lakota
Mas As Sandálias do Pescador não deixa de ter suas tramas subjacentes. Numa delas, um triangulo amoroso formado por um repórter de TV, George Faber (David Janssen, 1930-1980), sua esposa médica Ruth (Barbara Jefford, 1930-2020), e uma garota italiana, Chiara (Rosemarie Dexter, 1944-2010), uma trama paralela que prejudica em alguns pontos o andamento do tema proposto e que fecha sem solução para o trio. É Faber que faz a cobertura jornalística que fica de guarda na Praça de São Pedro para a eleição do novo Papa, sendo Kiril o eleito. George Faber, através da brilhante narração  de David Janssen, prende o espectador ao dar detalhes de cada item do conclave, incluindo as menções das chaminés e as cores das fumaças que definem a eleição ou não de um Papa. Já Ruth tem ao longo do filme um breve contado com o Papa Kiril  quando este consegue fugir por um momento da Basílica de São Pedro para escapar do protocolo papal e  percorrer as ruas do Vaticano, onde encontra a médica e acabam tratando juntos de um judeu idoso e enfermo.

O Papa Kiril e seu amigo, o padre progressista David Telemond,vivido por Oskar Werner.
Telemond é um padre polêmico, sob investigação do Vaticano. O personagem foi inspirado por Morris West no Padre Teilhard de Chardin.
O Papa Kiril e o enciumado Cardeal Leone, pelo fato de Sua Santidade preferir mais a amizade de Telemond.
Outra linha de argumento trata sobre um padre progressista, David Telemond, vivido por Oskar Werner (1922-1984), que Morris West inspirou-se em Teilhard de Chardin (1881-1955), padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia. O Padre Telemond, cujas avançadas posições teológicas são investigadas pelo Tribunal Pontifício (a Congregação da Doutrina da Fé), tem seus livros proibidos de serem publicados pela Santa Sé. Kiril protege Telemond , ao mesmo tempo em que lida com um cardeal ciumento, Leone (Leo McKern, 1920-2002), que se frustra quando percebe a afinidade do Papa pelo padre progressista e condenado, já que Telemond sofre de uma doença incurável e pode morrer a qualquer momento.

Kiril tenta acudir o Padre Telemond, que sofre um mal súbito.
O Roteirista John Patrick
Morris West, o autor do romance As Sandálias do Pescador, um dos Best-Sellers mais vendidos de todos os tempos.
O adaptador do romance para o cinema, John Patrick (1905-1995), o mesmo roteirista de Casa de Chá ao Luar de Agosto, atualizou o enredo original de Morris West, principalmente quando se trata ao conteúdo das tensões internacionais, diferentes entre 1962 a 1968, ou seja, entre o tempo em que o livro foi escrito e o tempo em que o filme produzido. O filme foi realizado em 1968 durante o papado de Paulo VI (1897-1978), e o livro de West foi publicado durante o papado de João XXIII (1881-1963), sendo que este abriu o Concílio Vaticano II em 1962, que deu novas diretrizes para a Igreja, mas concluída durante a gestão de seu sucessor, Paulo VI. Em face deste momento de transição para a História da Igreja Católica, Patrick precisou mexer na obra original de West.


O Papa Kiril em uma reunião com seus cardeais.
Papa Kiril, vivido por Anthony Quinn, em uma magistral interpretação.
O australiano Morris West, falecido em 1999, foi um escritor prolífero que escreveu mais de 25 livros, além de peças de teatro e programas de rádio, e ele mesmo se encarregou de retocar suas investidas nos bastidores da Cúria Romana em obras subsequentes, como o famoso Advogado do Diabo (publicado em 1959), além de Os Fantoches de Deus (publicado em 1981), e seu último romance, A Última Confissão (publicado após sua morte, em 2000). Na verdade, West revela seus interesses no catolicismo romano, falando inclusive de muitos papas, e revela também um interesse na política internacional. Afinal, o próprio escritor foi um ex-seminarista, passando 12 anos de sua vida em um mosteiro, mas não chegou a se ordenar padre. Como jornalista, foi correspondente do jornal London Daily Mail durante alguns meses, testemunhando o suficiente para aguçar suas preocupações com o poder político e a Igreja, e o papel de ambos na segurança de um mundo mais organizado e pacifista, ameaçado pelo Apocalipse nuclear.

O Papa Kiril, com uma grande carga sobre os ombros.
Resolver pacificamente o conflito entre a União Soviética e a China.
O Cardeal Rinaldi (Vittorio De Sica) e o Papa Kiril (Anthony Quinn)
Entretanto, a superprodução, bem requintada e caprichada, fica datada quando Kiril se envolve em negociação política com a União Soviética e a China para propor a paz, algo que fazia de fato muito sentido na década de 1960, mas hoje parece soar ridícula e ultrapassada. Apesar de todo o primor e requinte da produção, As Sandálias do Pescador não fez tanto sucesso quanto o romance homônimo de West, mas ainda assim vale como curiosidade e pela atuação de grandes atores no elenco, liderado pelo notável Anthony Quinn.

"As Sandálias do Pescador", um dos primeiros filmes lançados na então recente sala do Metro Boavista (que deu lugar ao Cine Metro Passeio) no centro do Rio de Janeiro, em 1968.


Dirigido por Michael Anderson (1920-2018) de A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956), ainda despontam no elenco, Vittorio de Sica (1901-1974), Arnoldo Foà (1916-2014), e Frank Finlay (1926-2016). As Sandálias do Pescador ainda teve duas indicações ao Oscar, para a direção de arte e para a trilha sonora, de autoria de Alex North (1910-1991), um dos grandes Mestres das trilhas de cinema, que compôs para Spartacus(1960), e Agonia e Êxtase (1965).



Divulgação

AS SANDÁLIAS

DO PESCADOR

(The Shoes of Fisherman)

Ano de Produção: 1968

País– Estados Unidos e Itália

Gênero - Drama

Direção -  Michael Anderson
Produção: George Englund, em produção e distribuição da Metro-Goldwyn-Mayer

Roteiro: John Patrick e James Kennaway,

Baseado no romance homônimo de Morris West.

Fotografia: Erwin Hillier (Em cores)

Música: Alex North

Metragem: 162 minutos

ELENCO

Anthony Quinn (Kiril Lakota)

Laurence Olivier (Piotr Ilyich Kamenev)

Oskar Werner (Padre David Telemond)

David Janssen (George Faber)

Vittorio De Sica (Cardeal Rinaldi)

Leo McKern (Cardeal Leone)

John Gielgud (Papa Elder)

Barbara Jefford (Drª Ruth Faber)

Rosemary Dexter (Chiara)

Arnoldo Foà (Gelásio)

Frank Finlay (Igor Bounin) 

Clive Revill (Tovarich Vucovich)

domingo, 13 de agosto de 2023

Pânico na Multidão (1976) – Heston & Cassavetes na Mira da Morte em um Thriller com Dois Formatos.

Divulgação

O cenário, o estádio Coliseum Memorial de Los Angeles, palco das olimpíadas de 1932. Abrigado na torre do placar eletrônico, um franco-atirador ameaça disparar seu fuzil de mira telescópica sobre um alvo de gigantescas e trágicas proporções: 91 mil espectadores, onde são inclusos políticos e demais autoridades dos Estados Unidos, que estão assistindo uma acalorada partida de futebol americano numa tarde ensolarada de Domingo. Imperceptível para a câmera, o matador tanto pode se tratar de um psicopata, como na obra de Peter Bogdanovich em Na Mira da Morte, de 1968, ou mesmo um estudante como o que retratado pelo jovem Kurt Russell no telefilme A Torre da Morte, em 1975, baseada em fatos reais. Ou ainda, será que o franco-atirador pode ser um terrorista a ponto de tentar assassinar o Presidente dos Estados Unidos como fez o personagem de Frank Sinatra em Meu Ofício é Matar, de 1954? Tal enigma nunca era desvendado em sua versão lançada originalmente nos cinemas. A obra aqui retratada sofreria algumas mudanças como veremos a seguir.

divulgação

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Pânico na Multidão (Two-Minute Warning), cuja meta almejada por este Thriller que se tornou um dos campeões de bilheteria de Hollywood em 1976 é eriçar o potencial de angustia e tensão que penetra em cada um dos personagens, espectadores da partida ou não. Os que assistem ao aguardado jogo formam um turbilhão de hecatombes que fez moda no cinema nos anos de 1970. Dirigido por Larry Pearce, o mesmo cineasta que em 1967 filmou O Incidente, onde contava a história de 14 passageiros de um metrô nova-iorquino que eram espezinhados por dois delinquentes furiosos. Em Pânico na Multidão, Pearce volta a invocar sua vocação para intimidar o populacho.

Charlton Heston é o Capitão Peter Holly, da Polícia de Los Angeles.
Holly entre o Sargento Chris Button (John Cassavetes) da SWAT, e o Inspetor Sam McKeever (Martin Balsam)
Mas a direção de Pearce e a temática terrorista não são as únicas surpresas. Algo então inédito, PÂNICO NA MULTIDÃO tornou-se o primeiro caso nas relações entre duas mídias conflituosas, o Cinema e a TV. Pela primeira vez, um filme mudou ao passar de um para outro veículo. Exibido nos cinemas cariocas em abril de 1977, tal como foi lançado em grande circuito nos EUA, tinha no elenco Charlton Heston, Martin Balsam, John Cassavetes, Beau Bridges, David Janssen, Gena Rowlands, Jack Klugman, e Walter Pidgeon

Charlton Heston, o "derradeiro guardião da espécie humana", dessa vez não pode agir sozinho.
Capitão Holly conta com a ajuda do Sargento Button da SWAT para dominar o franco-atirador.
Mas em 1980, ao adquirir da CIC (Cinema International Corporation) os direitos de transmissão, a cadeia de TV NBC tomou uma iniciativa inédita: aparentemente insatisfeita com o rendimento da fita nas bilheterias (ainda que fosse um dos grandes êxitos de 1976, mais de cinco milhões de dólares arrecadados), a rede televisiva suprimiu boa parte da obra original, e gastou ela própria 500 mil dólares para filmar novas cenas, inserindo novos personagens e novos atores, para dar poder paralela a trama. Mas a emissora julgou que o conteúdo era muito violento e pesado para a televisão: os executivos da NBC não só ficaram chocados com a morte de vários personagens simpáticos, mas também pelo fato das ações do atirador nunca serem justificados. Por isso, eles negociaram com o estúdio responsável pela produção, a Universal, uma reedição completa, eliminando muitas cenas e incluindo outras que justificariam a ação do sniper.

Durante a partida, na arquibancada, o vigarista (Jack Klugman) confidencia seus problemas a um padre, vivido por Mitchell Ryan.
Steve (David Janssen) e Janet (Gena Rowlands), um casal em crise que não percebe o eminente perigo.
Mike Ramsey (Beau Bridges) e sua mulher Pamela (Pamela Belwood), indo para o estádio.
Daí integrou Joanna Pettet, Rossano Brazzi, James Olson, e Paul Shenar, em um subenredo que corre paralelo ao roteiro original, contudo sem muita harmonia, onde sofreu também drásticas alterações, inclusive em sua metragem, que de seus 115 minutos originais para o cinema se converteram em 147 minutos para a televisão. Francesca Turner foi a responsável pela remontagem televisiva, tirando 45 minutos do filme original e acrescentando meia hora de novas cenas, numa versão reprovada pelo diretor Peerce (que usou o pseudônimo "Gene Palmer" nessa reedição).  Alguns anos depois, a mesma Francesca Turner foi responsável pelos remendos e pela remontagem da versão para a TV de Duna, de David Lynch, bem mais longa que o original e também reprovada pelo seu diretor.

O Sniper, fazendo mira do alto do placar eletrônico.
e consegue seu intento.
O Capitão Holly e o Sargento Button da SWAT, na mira da morte.
Em primeiro plano, Charlton Heston (1923-2008), o “derradeiro guardião da espécie humana”, como o foi em Planeta dos Macacos e A Última Esperança da Terra, novamente reluz como o mais abnegado herói do cinema de catástrofe, título este conferido ao ator desde seu desempenho em Voo 502 em Perigo, No Mundo de 2020, e Terremoto. Heston interpreta um chefe de Polícia, Capitão Peter Holly, da Polícia de Los Angeles. Mas ao contrário dos personagens anteriores,que encaravam o perigo solitariamente, aqui ele não pode agir só. Quando sua guarnição esta sem efetivo de homens o suficiente para encarar a missão, Holly recorre à SWAT, o celebrado esquadrão tão afamado graças a uma memorável série de TV produzida na mesma época que esta produção. Sob o comando do Sargento Chris Button (John Cassavetes, 1929-1989), sua SWAT ostenta sua tão contumaz tática de abordar cidadãos ainda que sejam inocentes.

Steve e Janet sendo importunados por um curioso.
91 mil espectadores, imperceptíveis ao perigo.
O Sargento Button, da SWAT, traçando planos com o Capitão Holly, para capturar o atirador.
Talvez um dos piores problemas com o filme seja sua edição, com uma montagem tão crispada que não permite a cada imagem mais do que cinco segundos de permanência na tela. Mesmo assim, seus editores, Emil Newman e Walter Hannemann, concorreram ao Oscar de 1976 para melhor montagem, por estafante e estonteante trabalho.  Em seus 115 minutos de projeção para o cinema, ficam difíceis para a plateia respirar ou refletir de tão estrondoso espetáculo de atropelos e tiroteios. Como em todo flagelo cinematográfico que se preze, a câmera arvorada como “Deus”, distribui a guisa de uma demiúrgica ordem divina de castigos de variável intensidade conforme os pecados de cada um. No corre –corre, são punidos com a pena capital os vigaristas endividados, como Jack Klugman (1922-2012), os modestos batedores de carteira como Walter Pidegon (1897-1984), ou mesmo os casais avessos ao sagrado e santo matrimônio, aqui vividos por David Janssen (1930-1980) e Gena Rowlands (então esposa do ator John Cassavetes). Contudo, todos estes permanecem alheio ao perigo que os cerca, menos o jovem Mike Ramsey (Beau Bridges), que percebe a presença do atirador e tenta advertir aos policiais.

Divulgação da NBC do filme, em seu formato televisivo.
Por ironia, cabe ao próprio assassino aplicar com seus tiros certeiros a justiça emanada dos céus, o que pode ser considerado uma heresia, ainda mais se considerando a SWAT, panteão de implacáveis arcanjos da lei, o filme dedica as graças do paraíso. A audiência, todavia, não se dá conta das mensagens subjacentes ao arsenal de truques de suspense disparado com inegável competência do diretor Pearce.

Charlton Heston e Martin Ballsan

Na versão para a TV, o thriller tem outro formato: uma quadrilha planeja o roubo de uma coleção de quadros em exposição, tendo por cumplice a secretária (Joanna Pettet) do proprietário da galeria (Rossano Brazzi, 1916-1994), amante de um dos assaltantes – e apenas para desviar a atenção da policia , contrata um atirador para postar-se na torre do estádio vizinho, com ordens de não matar. Ao contrário do que aconteceu com a versão lançada nos cinemas, ele dispara seu fuzil em “spots” de iluminação e cadeiras desocupadas.

Heston e O.J Simpson

O colecionador de quadros informa à secretária que passou as obras de arte para seu nome e ela tenta avisar ao seu amante, mas já era tarde, pois o roubo foi executado. Na fuga, os assaltantes acabam se misturando a multidão em pânico. Na versão televisiva, vários personagens da versão cinematográfica surgem e desaparecem sem maiores explicações, mas em contrapartida, são dadas ao atirador uma identidade e um objetivo para sua ação, que anteriormente, permanecia invisível o tempo todo para a câmera, podendo ser um psicopata ou um terrorista político. O que era enigma na versão lançada nos cinemas se dissipou, a tensão original afrouxou, a história ficou arrastada e diferente. Advertidos, aqueles que assistiram ao filme nos cinemas ficaram induzidos a uma brincadeira: apostar no que mudou e não mudou entre a versão original nos cinemas e a versão para a televisão.  Mesmo assim, é um espetáculo inebriante e de efeito hipnótico para os olhos e ouvidos. 



ANO DE PRODUÇÃO – 1976

PAÍS – Estados Unidos

GÊNERO – Suspense- Policial

DIREÇÃO – Larry Pearce

PRODUÇÃO – Edward S. Feldman, em produção e distribuição para a Universal;

ROTEIRO – Edward Hume, com base em romance de George LaFontaine

FOTOGRAFIA – Gerald Hirschfeld, em Cores

MONTAGEM – Walter Hannemann e Eve Emil Newman. PARA A TV: Francesca Turner

MÚSICA – Charles Fox

DURAÇÃO – 115 MINUTOS (Para o Cinema)/147 minutos (Para TV)

ESTÚDIO - UNIVERSAL

 

CHARLTON HESTON – Capitão Peter Holly

JOHN CASSAVETES – Sargento Button

MARTIN BALSAM – Sam McKeever

BEAU BRIDGES – Mike Hamsey

DAVID JANSSEN – Steve

JACK KLUGMAN – O Vigarista

GENA ROWLANDS – Janet

WALTER PIDGEON – Batedor de Carteiras

BROCK PETERS – Paul

MITCHELL RYAN – O Padre

PAMELA BELLWOOD – Peggy Ramsey

E AINDA

JOANNA PETTET – Secretária da Galeria de Artes (Somente na versão para TV)

ROSSANO BRASSI – Dono da Galeria (Somente na versão para TV)

JAMES OLSON – Ladrão (Somente na versão para TV)

PAUL SHENAR – Segundo Ladrão (Somente na versão para TV)




Um Convidado Bem Trapalhão (1968): Blake Edwards faz Peter Sellers promover uma festa de arromba!

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