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domingo, 12 de novembro de 2023

O Assassinato de Um Presidente (1973): O Plano para Matar JFK Segundo Dalton Trumbo e Mark Lane




O roteirista Dalton Trumbo (1905-1976), uma das vítimas do Caça as Bruxas do Macartismo, escreveu O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE (Executive Action), obra política produzida em 1973, que buscou ser uma especulação plausível sobre os fatos secretos e um tanto misteriosos que desencadearam o tiroteio da Praça Dealey de Dallas, ao meio dia e meia do dia 22 de novembro de 1963, o cenário do assassinato do Presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy (1917-1963).


Segundo a versão de Trumbo, um grupo de ricos industriais e autoridades de extrema direita, compostas por Burt Lancaster (1913-1994), Robert Ryan (1909-1973), e Will Geer (1902-1978), planejaram e executaram o atentado, com a meticulosidade e a frieza de uma operação científica. Aliás, como diz literalmente o título original, orquestraram uma Ação Executiva. Vale destacar que os brilhantes Lancaster, Ryan e Geer eram, na vida real, artistas filiados ao Partido Democrata Americano, totalmente oposto aos personagens que interpretam.

Burt Lancaster é James Farrington, líder de uma conspiração para matar JFK

Will Geer como Harold Ferguson

Robert Ryan é Foster, o segundo em comando na operação. 

O tropismo pela violência é denunciado por Trumbo como um processo maligno no seio da história americana, embora venha a tratar, é claro, de mera hipótese ficcional com base em dados e dúvidas da realidade concreta. E a película busca revelar os desencantos da América contemporânea do mesmo modo que Trumbo traçou em Sua última façanha, estrelado por Kirk Douglas e produzida em 1963, um magnifico western moderno que ele escreveu para David Miller (1909-1992) e Edward Lewis, respectivamente diretor e produtor desta fita e que viriam a desempenhar as mesmas funções em  O Assassinato de um Presidente.

Seria Lee Harvey Oswald o verdadeiro assassino de JFK? 
 
O presidente John Kennedy, ao lado da esposa Jacqueline, em um de seus últimos registros

Não deixa de ser impressionante a liberdade de expressão que permitiu a confecção de uma obra como esta, investindo ostensivamente contra as verdades estabelecidas pelo Comitê Warren e oficializadas pelo governo de Washington. Um dos argumentistas do filme, Mark Lane, lançou em 1966 o livro  Rush to Judgment, famoso Best Seller da época que defendeu a tese que que Kennedy foi alvejado por três tiros desfechados por franco-atiradores e não como reza o relatório de Warren, que Lee Harvey Oswald (1939-1963) teria sido demiúrgico e inocente bode expiatório para uma conspiração armada por um complexo industrial militar no reacionário meio sulista, e insatisfeito com o risco de uma dinastia Kennedy na Casa Branca, e com medidas inquietantes do presidente americano.

John Fitzgerald Kennedy

Foster (Robert Ryan) e Farrington (Burt Lancaster) planejando a "Ação Executiva".

Tais medidas apontavam o tratado de interdição de testes atômicos, projeto de remoção de tropas do Vietnã, e a integração racial. O livro de Mark foi transformado em documentário homônimo, realizado em 1967 por Emile de Antonio (1919-1989), e com texto e narração do próprio Lane. Logo, O Assassinato de um Presidente é um similar ficcional do livro Rush to Judgment, de Mark Lane (1927-2016).

O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE (1973) foi o último trabalho de Robert Ryan para o cinema. Ele morreria pouco depois de concluídas as filmagens, a 11 de julho de 1973.

Lancaster (Farrington) e Ryan (Foster): Amigos na vida real e ambos do Partido Democrata Norte-Americano.

Também imaginando um complô contra o presidente Kennedy, mas sem derramamento de sangue, Sete dias de Maio foi produzido pelo mesmo Edward Lewis (1919-2019) e com o mesmo ator Lancaster (junto a Kirk Douglas), mas curiosamente, a morte de John Kennedy obrigou Lewis, na ocasião, a protelar por alguns meses o lançamento do filme. Dez anos depois, O Assassinato de um Presidente, de 1973 trouxe as telas o último desempenho do notável ator Robert Ryan, que mesmo doente, já havia feito cinco filmes num curto espaço em seus últimos três anos de vida. Ator de envergadura e talento, Ryan brilhou no cinema até seu último suspiro, falecendo a 11 de julho de 1973, em Nova York.

Lancaster e Ed Lauter

O excelente Ed Lauter é o chefe que comanda a execução
 
Para estes homens, não pode haver falhas!

Com O Assassinato de um Presidente, Mark Lane estava ressurgindo com outra ficção política, tirando essa ou aquela suposição mais que discutível (como a mobilização de um sósia para incriminar Oswald, ligando seu nome peculiarmente a atividades subversivas) e a ausência de documentos disponíveis (faz falta o filme de 8 mm do alfaiate Abraham Zaprudor, decisivo para demonstrar que os disparos partiram também da frente da limusine presidencial). A versão aqui apresentada procura preencher as falhas do Relatório Warren, considerando não um, mas três franco-atiradores. E sem dúvida, concretiza na tela o pensamento da maioria dos espectadores que nunca aceitaram a versão oficial do crime em Dallas.

James MacColl interpreta um sósia de Lee Harvey Oswald

Robert Ryan e Burt Lancaster

Em particular, causam impacto dois letreiros inseridos a título de informação complementar. O primeiro, na introdução da fita: Antes de sua morte, o Presidente Lyndon Johnson deu entrevista filmada de três horas à TV, em 2 de maio de 1970. Quando transmitida em rede nacional nos EUA, incluía mensagens de que certas partes tinham sido suprimidas à pedido do Presidente Johnson. Foi revelado que na parte censurada da entrevista, Johnson tinha demonstrado apreensão a respeito da afirmação de que Lee Harvey Oswald teria agido sozinho, e de que de fato, ele suspeitava de que teria havido uma conspiração no assassinato de John F Kennedy.

Will Geer

E o filme se encerra com outro letreiro: Nos três anos que se sucederam aos assassinatos de JFK e Lee Harvey Oswald, 18 testemunhas materiais morreram. Seis foram mortas a tiros, três em acidentes de carro, duas suicidaram-se, uma foi degolada, uma foi morta a golpe de Karatê no pescoço, três de ataque cardíaco, e duas de causas naturais. Um relatório feito pelo “London Sunday Times” concluiu que, no dia 22 de novembro de 1963, as chances dessas testemunhas estarem mortas até fevereiro de 1967, eram de 160 mil trilhões, para uma.

Passados exatos 50 anos de sua realização, O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE ainda influencia o espectador a uma opinião quanto à trama conspirativa sobre a morte de JFK, aliás, diversos filmes e livros ainda exploram muito bem sobre o tema.





O ASSASSINATO DE 

UM PRESIDENTE

(Executive Action)


Ano de Produção: 1973

País: EUA

Gênero: Drama Político

Direção: David Miller

Produção: Edward Lewis e Steve Jaffe para a Warner Bross

Roteiro: Dalton Trumbo. com base em história de Mark Lane

Fotografia: Robert Steadman (cores)

Trilha Sonora: Randy Edelman

Metragem: 91 minutos

ELENCO

Burt Lancaster- James Farrington

Robert Ryan    - Robert Foster

Will Geer    - Harold Ferguson

Ed Lauter    - Chefe de Operação

John Anderson –Halliday

Walter Brooke- Smythe

Paul Carr    -Atirador1

Colby Chester- Atirador 2

John Brascias – Atirador 3

Richard Bull – Atirador 4

Lee Delano - Atirador 5

Graydon Gould – Comentarista da TV

Rick Hurst – Vendedor de Carros Usados

Robert Karnes – Homem com o Rifle Ranger

Sandy Ward – Policial

James MacColl – Sósia de Lee Harvey Oswald

William Watson – Técnico dos Atiradores


sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Os Profissionais (1966): A Resposta do Faroeste Norte-Americano Para os Westerns Europeus

Divulgação

Em 1966, os faroestes italianos estavam em franca ascensão, após o estrondoso sucesso da trilogia de Sergio Leone (Por Um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito) e de obras como Django, de 1966, dirigido por Sergio Corbucci, e O Dólar Furado, de 1965. O novo estilo de se fazer westerns por parte de cineastas europeus já haviam conquistado as plateias. O velho estilo americano não parecia mais cativar o público, que exigia mais ação do que qualquer outra coisa. Prova disso, é que não demorou que ambos os lados, americanos e europeus, duelassem entre si para quem era o detentor das verdadeiras superproduções do gênero Western, gênero este que há de convir, é genuinamente americano por excelência. Mas que os europeus moldaram e ainda ajudaram a dar sobrevida ao gênero.


DIVULGAÇÃO

O diretor Richard Brooks, de branco, com sua equipe nas locações de OS PROFISSIONAIS, no México
O Cineasta Brooks, sem camisa, conversando com Lee Marvin, sob os olhares de Burt Lancaster e Woody Strode, num intervalo das filmagens.
Em geral, os faroestes italianos situavam suas tramas no México, lugar bem sugestivo, onde o foco era os mercenários tão bem retratados por Clint Eastwood nas obras de Sergio Leone. Nos westerns Spaghetti não existe o herói tão externado nos westerns americanos de praxe. Logo, para que Hollywood não perdesse o duelo com os estrangeiros, precisou fazer uma releitura e levar os elementos bem estigmatizados nos faroestes italianos para os faroestes norte-americanos. E isso exatamente veio a acontecer em Os Profissionais (The Professionals) em 1966, dirigido por Richard Brooks (1912-1992), outrora um roteirista conceituado que se tornou cineasta, e dos bons.

OS QUATRO "PROFISSIONAIS"
Jake  (Woody Strode), Ehrengard (Robert Ryan) e Fardan (Lee Marvin)

Os Profissionais é um western de proporção bem aventuresca, reabrindo de alto a baixo a fronteira mexicana, estrada esta percorrida em muitos dos faroestes italianos e que até mesmo o lendário cineasta Eric Von Stroheim já havia feito o mesmo itinerário em sua obra Ouro e Maldição, de 1928. Quando pensamos no velho México como rota de bandoleiros, o que desenhamos nas nossas mentes? Muita tequila, muitas muchachas, e claro, bandidos e toda crueldade de violência. E isso sem contar ainda que uma revolução estava em processo em 1917, onde dela se emergiu alguns mitos, como Pancho Villa ou Emiliano Zapata, mitos estes que o próprio cinema se encarregou de levar suas vidas para as telas, sempre às vezes com um pouco de lenda e romance. O interessante que Brooks ao levar seu western recorre a estes elementos de ação tão divulgados por Leone e Corbucci, sem é claro de deixar de prestar uma homenagem ao clássico O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston, onde Brooks aproximou seu western a uma energética tensão comparado a obra de Huston. Aliás, Os Profissionais relembra numa só vez outros filmes do gênero, contudo cada um com seu enquadramento ou temática, como por exemplo, a densidade pictoricamente dramática de Ouro e Maldição, as colonizações políticas de Viva Zapata, e até mesmo, do sarcasmo mercenário de Vera Cruz, de Robert Aldrich, onde há quem diga que os cineastas italianos se inspiraram neste filme para compor eles mesmos seus trabalhos ao estilo.

Fardan e Dolworth, dois "Soldados da Fortuna"
Ehrengard e Dolworth, examinando os riscos
O Aventureiro Jake e Maria
Seja como for, Os Profissionais restaurou a carreira de Richard Brooks, que estava em momentâneo declínio após o fracasso de seu filme anterior, Lord Jim, que o deixou bem abalado. Brooks era um de tantos diretores da década de 1960 para quem a aventura, além de um objetivo dominante, pode ser um verdadeiro exercício ao estilo. A aventura indômita e sem subterfúgios, dela emergindo uma emoção, uma nuance psicológica, mas sempre a frente do perigo, que também não se desprende de uma intenção ética se esse perigo coloca personagens em crise ou acelera o processo de uma decisão individual. No caso, o que se decide é o valor da revolução mexicana de 1917 e “os profissionais” do título irão discuti-lo nos momentos de trégua de suas aventuras, quando é preciso pensar antes de prosseguir com a caminhada.

Maria (Claudia Cardinale) e Raza (Jack Palance)
O barão Grant, vivido por Ralph Bellamy
Claudia Cardinale é Maria
WESTERN com ritmo de bang bang a italiana, traz vários personagens embarcados numa aventura em comum, e chegam até mesmo a serem solidários, chegando ao ponto de decidir entre o amor de Maria (Claudia Cardinale) e a arrogância de Grant (Ralph Bellamy,1904-1991). Sim, nossos “heróis” são mercenários, mas ainda tem escrúpulos, embora sejam contratados por Grant, um fazendeiro e político muito rico, que os contrata para resgatar a jovem mexicana Maria, sua esposa, que fora raptada por Raza (Jack Palance, 1919-2006), um bandoleiro mexicano. A recompensa atraí “os profissionais”.

Lee Marvin é Fardan

Robert Ryan é Ehrengard

Burt Lancaster é Dolworth
Woody Strode é Jake
Grant contrata quatro “profissionais” de guerrilha para resgatar sua mulher. São eles: Fardan (Lee Marvin, 1924-1987) e Dolworth (Burt Lancaster, 1913-1994), outrora adeptos de Raza; Ehrengard (Robert Ryan, 1909-1973), um especialista em cavalos; e um caçador de recompensas negro, Jake (Woody Strode, 1914-1994), que é perito em arco e flecha. De repente, tudo parece se modificar, e os “profissionais” contratados por Grant partem juntos com os homens de Raza, a luta continua contra um adversário comum. A situação parece se inverter, mas na verdade esta apenas se renovando à medida que a aventura desliza, ereta, em trânsito, para outras façanhas. Entre um acordo fraudulento e a simpatia política pelos revolucionários, os quatro “profissionais” não vacilam e escolhem a sua segunda chance. Aliás, é a oportunidade da “segunda chance” o tema abordado nesta fita de Brooks, que ele abordara em Lord Jim, mas que em Os Profissionais ele restaura não com tanto manifesto como o fez na sua adaptação cinematográfica do livro de Joseph Conrad, mas sim, categoricamente enquadrado. Como Lord Jim, Os Profissionais promovem com a reviravolta final, a sua retratação ética. 

Com Fardan não se brinca.
A estratégia de Dolworth
DIVULGAÇÃO

O crítico inglês David Adams comparou Os Profissionais a Sete Homens e Um Destino, a conversão ao Western da coreográfica violência de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Entre os pontos de identidade entre os dois filmes, o ator mexicano Jorge Martinez de Hoyos (1920-1997) em papel equivalente, o prólogo apresentando em sua especialidade os heróis convocados para a missão; a música de Maurice Jarre (1924-2009), recompondo a suíte mexicana de Elmer Bernstein; e na trama, a recaptura de uma mulher em pleno deserto. Em vez dos “sete magníficos”, quatro “profissionais” que são mercenários, aventureiros, “soldados da fortuna”.

Claudia Cardinale & Lee Marvin

O revolucionário Raza, vivido por Jack Palance, sendo cuidado por Maria
DIVULGAÇÃO

Os “Profissionais” agem juntos, mas cada um tem uma personalidade. Dentre eles, o caráter de Dolworth (Lancaster) antagoniza com a personalidade de Fardan (Marvin), e muito embora amigos, trava-se um conflito entre os dois que irá conferir ao filme seu suplemento ideológico.

Jack Palance é Raza.
Lee Marvin & Robert Ryan

Mas é a categoria do elenco, que nem sempre Hollywood pode reunir uma constelação de estrelas como se reuniu para a composição desta fita, que dá equilíbrio a trama, e não deixou de ser de propósito a escalação de Claudia Cardinale para o papel de Maria. Se Brooks quis mesmo realizar um trabalho no gênero Western aos moldes dos cineastas europeus, a convocação da atriz italiana não foi coincidência. O roteiro redigido por Brooks, que nem sempre foi disciplinado a sua vocação literária, por sua vez adaptou a novela de Frank O’ Rourke (1916-1989) intitulada A Mule for the Marquesa, e pôde colocar na boca da protagonista feminina e do revolucionário Raza, vivido por Jack Palance, verdades românticas e frases feitas, cuja função, na imagem ríspida da aventura, chega a ser inadequada e postiça. 

Woody Strode e Lee Marvin conversam durante uma folga das filmagens.
A Bela italiana Claudia Cardinale num Western americano
Robert Ryan como Ehrengard em ação
Talvez essa deficiência na estruturação dos personagens com a linha política não entrava, porém, a marcha indômita dos “Profissionais” não diminui a tensão, a tenacidade, e o ritmo tão bem enquadrados num bom espetáculo de ação. A partir desta obra é que os cineastas americanos passaram a inovar o bom e tradicional cinema de faroeste, afinal, não queriam perder o terreno para os italianos. Seja como for, passados quase 60 anos de seu lançamento, Os Profissionais foi a resposta americana para os então producentes faroestes italianos que vigorava na moda, sendo até hoje capaz de prender o espectador, mesmo o mais jovem, pois expressa o perfeito domínio do cineasta Richard Brooks e o dos astros Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Woody Strode, Jack Palance, e claro, Claudia Cardinale, sobre as leis do espetáculo e o avanço do tempo.

Jack Palance em OS PROFISSIONAIS (1966)

Marie Gomez é Chiquita, uma revolucionária a serviço de Raza

Divulgação de OS PROFISSIONAIS nas salas do Rio de Janeiro, pelos jornais. O CINE ODEON, ainda de pé na Cinelândia, foi uma das salas a abrigar o espetáculo.

FICHA TÉCNICA

OS

PROFISSIONAIS

(The Professionals)

Título Original – The Professionals

Ano – 1966

Direção – Richard Brooks

Produção - Richard Brooks para Columbia (distribuição)

Roteiro – Richard Brooks e Frank O’ Rourke, baseado no livro A Mule for The Marquesa, de Frank O' Rourke.

Gênero - Western

País- Estados Unidos

Fotografia - Conrad Hall (em cores)

Música - Maurice Jarre

Metragem - 117 minutos

ELENCO

Lee Marvin  - Henry "Rico" Fardan

Burt Lancaster - Bill Dolworth

Robert Ryan - Hans Ehrengard

Woody Strode - Jake Sharp

Jack Palance – Jesus Raza

Ralph Bellamy  -  J.W. Grant

Claudia Cardinale -  Maria

Maria Gomez -  Chiquita

Joe De Santis - Ortega

Jorge Martinez de Hoyos -  Eduardo Padilla

Carlos Romero – Revolucionário

Vaughn Taylor - Revolucionário

Don Carlos – Bandido

Roberto Contreras – Bandido

Nelson Sardelli – Revolucionário de Raza


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