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sábado, 24 de junho de 2023

Príncipe Valente (1954): De Henry Hathaway, Uma Clássica Adaptação Cinematográfica Oriunda dos Quadrinhos.



O cinema frequentemente tem levado adaptações dos quadrinhos para o cinema. Não é de hoje este casamento (algumas vezes desencontrada) entre a Sétima Arte e os gibis. Aliás, isso já era levado, de certa forma, para o cinema antigo, através dos seriados das matinês, onde se viu personagens como Flash Gordon, Fantasma, Super-Homem, Mandrake, entre outros.

Histórias em Quadrinhos dO PRÍNCIPE VALENTE
Hal Foster, o criador de PRÍNCIPE VALENTE.
Mas o que dizer de um personagem criado em 1937 por um desenhista muito conceituado com a finalidade de leva-lo para as tiras de jornais aos domingos? O desenhista em questão é o magistral Hal Foster (1892-1982), o mesmo que desenhou também para as tiras dominicais as histórias de Tarzan, e o personagem é PRÍNCIPE VALENTE. Foster elaborou uma novela tendo um jovem príncipe como protagonista, com enredo contínuo e destaque para o realismo dos panoramas, com narrativa mais sofisticada que o habitual no universo dos quadrinhos, sendo muitas vezes também bem humorada. Até hoje, as tiras de PRÍNCIPE VALENTE são publicadas semanalmente em mais de 300 jornais americanos, de acordo com sua distribuidora, a King Features Syndicate. Foster, ao não usar os "balões" para os textos, retomou o estilo dos primeiros quadrinhos ao mantê-los na parte de baixo de cada quadro. Os acontecimentos mostrados são historicamente precisos, mas de períodos históricos bem distintos que vão desde o antigo Império Romano à Alta Idade Média, com algumas poucas ambientações em tempos mais recentes.

DIVULGAÇÃO
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Os traços de Príncipe Valente, por Hal Foster. Acima, reprodução de uma das tiras dominicais, e os demais personagens que cercam em suas aventuras nos quadrinhos.
Príncipe Valente nos tempos do Rei Arthur (Prince Valiant in the Days of King Arthur) foi sucesso nos grandes jornais pela parte do mundo, chegando a imprimir 4000 tiras em quadrinhos, publicadas aos domingos. Até o Duque de Windsor considerava Príncipe Valente como uma grande contribuição para a literatura inglesa. E também pudera: o trabalho de Hal Foster no mundo das Histórias em Quadrinhos é considerado como uma das melhores no ramo, seja pela narrativa, pela arte, ou pelo enorme rigor e fidelidade à verdade dos ambientes (humanos, culturais e naturais) mostrados. 

POSTER ORIGINAL

PRÍNCIPE VALENTE (1954): Um dos primeiros filmes rodados em CinemaScope. Foto durante sua premiere no Chinese Theatre, em 1954.
Entretanto, somente dezessete anos depois, em 1954, que o personagem criado por Hal Foster assumiria vida no cinema. Nesta época, o revolucionário CinemaScope procurava filmar grandes produções para justificar este novo formato, e viram que PRÍNCIPE VALENTE (Prince Valiant) seria o espetáculo perfeito para se aproveitar o bom uso da tela e suas qualidades panorâmicas, como já havia sido feito em O Manto Sagrado em 1953, o primeiro filme lançado por esta inovação cinematográfica.

Darryl F. Zanuck, Chefe da 20th Century Fox e um dos idealizadores do filme.
Jeffrey Hunter, o primeiro ator apontado para o papel de Príncipe Valente
O magnata chefão da 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck (1902-1979) investiu neste novo épico extraído dos quadrinhos de Hal Foster junto ao produtor Robert L. Jacks (1927-1987), e acreditou que pudesse conseguir o mesmo êxito de The Robe no ano anterior. O papel do herói de Foster já estava destinado para o mais promissor galã do estúdio, Jeffrey Hunter (1926-1969), mas este tinha um “rival” na mesma empresa, o jovem Robert Wagner, que tinha na época 23 anos. Hunter acabou perdendo o papel e Wagner assumiu o personagem Príncipe Valente.

Robert Wagner ficou com o papel do herói criado por Hal Foster, muito embora o desenhista considerasse o perfil do jovem ator imaturo para o personagem.
O roteirista Dudley Nichols, que adaptou para o cinema PRÍNCIPE VALENTE (1954), fugindo dos propósitos de Hal Foster.
Hal Foster chegou a declarar, tempos depois, sobre o que achou do filme e da atuação de Wagner: O rosto dele era imaturo. Ele corria pra todo lado com a boca aberta. Mas apesar de tudo, gostei, foi uma boa experiência. “De certo modo”, não tive nada a ver com o filme. Primeiro me enviaram um roteiro e me pediram que eu melhorasse, fazendo sugestões, mas eles devem ter perdido minha carta. Depois me pagaram um salário fabuloso para eu ir até lá (na Inglaterra, onde grande parte do filme foi rodado), mas eu sabia que não tinha nada a dizer, que só me desapontaria, pois nada que eu falasse ou fizesse mudaria o padrão de Hollywood.

O cineasta Henry Hathaway, diretor de PRÍNCIPE VALENTE (1954).
Franz Waxman, músico que compôs a trilha para o filme.
Entretanto, sabe-se que cinema e quadrinhos são artes bem distintas, e na maioria das vezes, adaptações cinematográficas saídas de gibis tem tudo para dar mais errado do que certo. Contudo, se considerarmos que Príncipe Valente pudesse ter um argumento que deixasse a desejar, em contrapartida do primoroso elenco que o cerca, entre mortos e feridos, a fita não se sai mal, graças à bela fotografia do competente Lucien Ballard (1904–1988) e da direção clássica de um cineasta renomado como Henry Hathaway (1898-1985). Hathaway tem um currículo que comprova sua versatilidade como um dos grandes artesãos de Hollywood. Em Príncipe Valente, ele testifica isso cabalmente, com uma realização que mesmo tendo suas adversidades técnicas e desencontro de duas mídias distintas (como são os quadrinhos e o cinema), soube guiar com estilo primoroso esta superprodução.

ROBERT WAGNER

O Príncipe Valente (Robert Wagner) e seu interesse amoroso na aventura, a Princesa Aleta (Janet Leigh).
As filmagens externas foram rodadas na Inglaterra entre a Primavera e o Verão de 1953, enquanto as internas foram realizadas em estúdios na Califórnia, no Outono de 1954. Contudo, mesmo o CinemaScope pode ter suas limitações se o espetáculo não seguir suas particularidades essenciais. O filme limita-se a paisagens e cenários bem decorativos, mas segundo a crítica americana da época, resultou num espetáculo vazio, distanciando-se muito do conceito movies, que era pelo menos tão particular no cinema americano na época, onde se perde o que há de história e anedótico. Dudley Nichols (1895–1960), costumeiramente um excelente roteirista (No Tempo das Diligências), perde-se no argumento, querendo elevar Valente como um príncipe cristão em defesa da fé, o que foge dos conceitos originais propostos por Hal Foster, que em suas histórias originais utiliza muito da mitologia nórdica e de elementos pagãos. Neste quesito, o que era para ser uma aventura adaptada aos moldes dos quadrinhos passa a ser uma aventura épica com divulgação religiosa.  Mas há de se entender dos motivos que levaram Nichols a escrever uma história simples, já que as tiras dominicais de Foster são bem mais densas. Entretanto, uma qualidade a se acrescentar é a trilha sonora de Franz Waxman (1906-1967), que já abre o espetáculo com a arte de Hal Foster estampada em sua apresentação. 

A Camelot de PRÍNCIPE VALENTE (1954).
Valente, perante a corte do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda.
Sir Kay (Tom Conway) e Rei Arthur (Brian Aherne)
Da esquerda para a direita: Ilene (Debra Paget), Princesa Aleta (Janet Leigh) e seu pai, o Rei Luke (Barry Jones), Rei Arthur (Brian Aherne) e sua Rainha Guinevere (Jarma Lewis).

O elenco em grande parte tem seu primor. Bob Wagner, galã com talentos limitados, que muito embora começasse no cinema, é bem melhor aproveitado na TV, tornando-se futuramente astro das séries O Rei dos Ladrões (1968-1970) e Casal 20 (1979-1984). O próprio ator reconheceu em seu livro de memórias que a escolha para ele viver Príncipe Valente foi inadequada. O resto do cast parece se entreter melhor do que o próprio âncora da fita, afinal, temos que admitir que a história foi bem escolhida, onde se tem um conto de fadas a moda americana da década de 1950, com o heroísmo, o mocinho, o vilão, a virtude castigada, muitas lutas, e finalmente, o bem triunfando sobre o mal.  Temos Janet Leigh (1927-2004) como a Princesa Aleta, interesse amoroso de Valente. Um notável vilão como James Mason (1909-1984), que rouba a fita de cena a cena. Um gigante como Sterling Hayden (1916-1986) perfeito no papel de Sir Gawain. E ainda, Donald Crisp (1882-1974) como o Rei Aguar, pai do herói, e Victor McLaglen (1886-1959) como um poderoso Viking. E não se pode esquecer de Debra Paget, que mesmo em sua estonteante beleza, pouco faz no filme a não ser se apaixonar pelo personagem de Hayden. A produção  é ainda valorizada pela narração britânica do ator Michael Rennie (1909-1971), de O Dia em que a Terra Parou  (1952).
James Mason (como o vilão Sir Brack) rouba o filme de cena a cena com sua magistral atuação. 
Sterling Hayden, ótimo como Sir Gawain.
Debra Paget, que quase não aparece na fita, como Ilene. 

A Trama

O Rei Aguar (Donald Crisp) e sua família viking se tornaram cristãos, e por isso são vítimas de traição e fogem para o exílio, ficando sob a proteção do Rei Arthur (Brian Aherne, 1902-1986) e dos Cavaleiros da Távola Redonda. Quando atinge a maioridade, o filho de Aguar, Príncipe Valente (Robert Wagner), é enviado pelo seu pai à corte do Rei Arthur, para se tornar cavaleiro. Ao chegar à praia, ele é atacado por um misterioso Cavaleiro Negro. Consegue fugir e chegar até Camelot, onde se apresenta ao Rei Arthur. Pedindo para ser cavaleiro, o rei lhe põe aos cuidados do Cavaleiro Sir Gawain (Sterling Hayden), para treina-lo como escudeiro.


Valente se encontra com Sir Gawain (Sterling Hayden), que o treina para escudeiro.
O misterioso Cavaleiro Negro.
Valente e Sir Brack (James Mason).
Valente se apaixona pela Princesa Aleta (Janet Leigh), mas terá que enfrentar as artimanhas de outro Cavaleiro da Távola Redonda, Sir Brack (James Mason), que mais tarde, Valente descobre que é o misterioso Cavaleiro Negro. Este manda os pais e a amada de Valente para uma prisão viking, onde o herói consegue resgata-los com a ajuda de um aliado da família, o também viking Boltar (Victor McLaglen). Valente então volta a Camelot para acertar as contas com Sir Brack, em um duelo decisivo, perante o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

Valente e sua amada Aleta.
Aleta e Valente, capturado pelos vikings
O viking Boltar (Victor McLaglen) é amigo de Valente, que o ajudará a libertar seus pais e Aleta da prisão.
Enfim, o duelo decisivo entre Valente e Sir Brack.
Certamente, Príncipe Valente, produzido há mais de 60 anos, é digno do espetáculo, sendo um cinema para adultos por seu aspecto de nostalgia recompondo a História em Quadrinhos (mesmo com algumas imperfeições, porém mantendo as características), mas que tem capacidade de agradar também ao público juvenil, que talvez nunca tenha lido as tiras dominicais do personagem. Seja como for, é um filme importante por ser um dos primeiros a serem produzidos pelo CinemaScope, e por também tratar-se de uma das primeiras adaptações extraídas dos Quadrinhos para o cinema contemporâneo, algo raro nas produções da década de 1950. PRÍNCIPE VALENTE estreou nas salas do Cinema Palácio, Centro do Rio de Janeiro, nas férias escolares de Julho de 1954. 

DIVULGAÇÃO
ROBERT WAGNER É O PRINCIPE VALENTE

O jovem príncipe, agora sagrado Cavaleiro da Távola Redonda como Sir Valente.
Seja como for, é um filme importante por ser um dos primeiros a serem produzidos pelo CinemaScope, formato de tela que acabou revolucionando toda a estética da Sétima Arte.

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO PELOS JORNAIS

PRÍNCIPE VALENTE foi exibido nos cinemas de todo o Brasil em 1954. No Rio de Janeiro, conforme as divulgações da época, estreou no Cine-Palácio, Centro da cidade, em julho do mesmo ano.

FICHA 
TÉCNICA
País – Estados Unidos
Ano – 1954
Gênero - Aventura\ Épico
Direção – Henry Hathaway
Produção – Robert L. Jacks, para a 20th Century Fox
Roteiro – Dudley Nichols, baseado nas Histórias em Quadrinhos de Hal Foster.
Música – Franz Waxman
Fotografia – Lucien Ballard, em Cores
Metragem - 100 minutos.

POSTER ORIGINAL
Elenco
Robert Wagner – Príncipe Valente
James Mason – Sir Brack
Janet Leigh – Princesa Aleta
Sterling Hayden – Sir Gawain
Debra Paget – Ilene
Victor McLaglen – Boltar
Donald Crisp – Rei Aguar
Brian Aherne – Rei Arthur
Barry Jones – Rei Luke
Mary Philips – Rainha de Thule
Tom Conway – Sir Kay
Hal Baylor – Guarda da Prisão
Primo Carnera – Rei Sligon
John Dierkes – Sir Tristam
Don Megowan – Sir Lancelot
Michael Rennie – Narrador


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Flash Gordon: Os Três Seriados de Cinema com Buster Crabbe.


Personagem criado em 1934 pelo desenhista Alex Raymond (1909-1956), FLASH GORDON cativou a imaginação de crianças e adultos ao terem suas aventuras publicadas em quadrinhos nas tiras dominicais dos grandes jornais americanos, e aqui no Brasil não foi diferente. Entretanto, o sucesso do herói chegou ao auge quando finalmente ele saiu das tirinhas para as telas de cinema em 1936, com o seriado de cinema Flash Gordon no Planeta Mongo (Flash Gordon), dirigido por Frederick Stephani (1903–1962). O êxito deste primeiro filme do herói (talvez um dos primeiros da Ficção-Científica) foi tão retumbante que a Universal, produtora do seriado, investiu em mais duas fitas em série com o personagem: Flash Gordon no Planeta Marte (Flash Gordon's Trip to Mars, 1938) – dirigido por Ford Beebe (1888–1978) e Robert F. Hill (1886–1966) - e Flash Gordon Conquista o Universo (Flash Gordon Conquers The Universe, 1940), dirigido por Ford Beebe e Ray Taylor (1888-1952), este último considerado o melhor de toda a série. 

Alex Raymond, o desenhista que criou
FLASH GORDON.
FLASH GORDON se tornou de imediato
grande sucesso nos quadrinhos.
Flash com seu parceiro de aventuras, o Dr.
Alexis Zarkov.
Todos os três filmes em série foram estrelados por Larry “Buster” Crabbe, ou se preferir, Buster Crabbe (1908-1983). Crabbe foi o maior astro dos seriados de cinema nos anos de 1930 e 1940, e sua popularidade se deveu ao desempenho fantástico nos esportes, principalmente quando ganhou Medalha de Ouro na natação, ao conseguir a marca nos 400 metros estilo livre, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1932, em Los Angeles. Foi o segundo astro de Hollywood proveniente da glória dos esportes a fazer carreira no cinema. O primeiro foi Johnny Weissmuller (1904-1984), que se tornou o mais mitológico de todos os Tarzans da Sétima Arte. 


Larry "Buster" Crabbe: das quadras da piscina para o estrelato nos seriados em Hollywood.
Buster Crabbe e Johnny Weissmuller: rivais na
piscina e também pelo papel de Tarzan.
O curioso é que Crabbe fez testes na Metro Goldwyn Mayer para o papel de Tarzan, mas não foi aprovado, e desta forma, os produtores preferiram Weissmuller, que faria sucessivos filmes estrelando como o personagem. Então,  surgiu um produtor independente chamado Sol Lesser (1890-1980) que resolveu produzir um filme de Tarzan desvinculado dos filmes da Metro e protagonizados por Weissmuller.  Assim veio Tarzan, o Destemido (Tarzan the Fearless), realizado em 1933, sob direção de Robert F. Hill, que trouxe Crabbe para o papel do Homem-Macaco por sugestão do próprio Sol Lesser. A ideia de Lesser era colocar Buster em rivalidade com Weissmuller pelo título de melhor Tarzan, já que ambos os atores, outrora atletas e nadadores, já haviam sido rivais nas piscinas olímpicas.

Buster Crabbe e Weissmuller disputando um "Braço de Ferro" para fins de publicidade.
Buster Crabbe, o eterno Flash Gordon.
Mas o público gostou muito mais de Johnny Weissmuller, que prontamente o outorgou como o único e verdadeiro Tarzan das telas. Se Buster não agradou como o herói criado por Edgar Rice Burroughs, certamente agradaria como o herói de Alex Raymond. Sendo um dos Reis dos Seriados da Universal, Crabbe também foi requisitado para ser Buck Rogers (outro herói da Ficção Científica), Kaspa, o Homem Leão (uma cópia descarada de Tarzan), e Red Barry, personagens que tiveram, assim como Flash Gordon, suas origens nos quadrinhos. Mas foi decididamente FLASH GORDON que deu mais notoriedade ao ator. 

O Flash Gordon dos quadrinhos de acordo com seu criador, Alex Raymond, e o Flash dos seriados da Universal, estrelado por Buster Crabbe.
Mas para interpretar esse herói, Crabbe precisou tingir seus cabelos de louro para ficar mais parecido com os traços do personagem de acordo com os gibis. Isso criou de certa forma um constrangimento para o ator, que precisava manter seu chapéu em público para evitar algum tipo de gracejo. 


Os Seriados do Cinema

FLASH GORDON NO PLANETA MONGO
(FLASH GORDON, 1936)


O povo da Terra esta sofrendo uma epidemia mortal conhecida por todos como a “Praga da Morte Vermelha”. O jovem universitário de Yale Flash Gordon (Buster Crabbe), juntamente com o Dr.Alexis Zarkov (Frank Shannon, 1874-1959), e sua namorada Dale Arden (Jean Rogers, 1916-1991), partem rumo à estratosfera no velocíssimo foguete do Doutor para pouco depois descobrirem o autor desta epidemia: O Imperador Ming (Charles Middleton, 1874-1949, numa soberba interpretação), um cruel ditador do Planeta Mongo. Seu plano para conquistar o Universo consiste em derramar um pó mortífero sobre a atmosfera da Terra.



Flash Gordon (Buster Crabbe) e sua amada Dale Arden (Jean Rogers)
A Princesa Aura (Priscilla Lawson), filha do abominável Imperador Ming, é uma das amigas de Flash Gordon.
Assim, o herói parte para Mongo, onde com a ajuda de seus aliados, a Princesa Aura (Priscilla Lawson, 1914-1958), filha do ditador Ming (que não apoia as atrocidades do pai), e do Príncipe Barin (Richard Alexander, 1902-1989), Flash Gordon consegue destruir parte das máquinas diabólicas criadas pelo gênio de Ming, entretanto a luta de Flash não para por aí, se fazendo necessária uma viagem urgente às terras geladas de Frígia, onde é conhecido o único antídoto para a “Praga da Morte Vermelha”.  O Imperador Ming, embora parcialmente derrotado, não se entrega e faz com que suas espaçonaves controladas ataquem Flash Gordon e seus amigos, mas graças a presença de espírito do herói, as fortificações do terrível ditador são aniquiladas e o cruel Ming vê seus planos diabólicos irem por terra. 

O cruel e impiedoso Imperador Ming, vivido de forma soberba pelo maravilhoso Charles Middleton.
Flash Gordon (Crabbe) domina Ming (Middleton).

Flash Gordon lutando para salvar sua vida contra os Homens-Feras de Mongo.
Flash Gordon no Planeta Mongo foi destinado a reconquistar um público adulto para os seriados e foi exibido nos cinemas de alta rotatividade nas grandes cidades dos Estados Unidos. Muitos jornais, inclusive alguns que não se dedicavam aos quadrinhos do personagem, apresentavam histórias de três quartos de página em suas colunas de entretenimento, com desenhos de Alex Raymond e fotos do seriado. Além disso, o seriado foi produzido com total fidelidade aos quadrinhos, preservando a magia do Planeta Mongo e o erotismo bem caracterizado de Raymond, com lindas mulheres de roupas bem insinuantes. Só para esta primeira aventura do herói foram gastos um milhão de dólares, uma fortuna para um seriado de cinema, ainda que de proporções bem épicas.

O Príncipe Barin (Richard Alexander) e a Princesa Aura (Priscilla Lawson) são os aliados fiéis de Flash Gordon contra Ming.
Dale Arden (Jean Rogers) intercedendo a Ming pela vida de Flash Gordon.

Flash Gordon no Planeta Mongo (1936). Direção: Frederick Stephani. Elenco: Buster Crabbe (Flash Gordon), Jean Rogers (Dale Arden), Charles Middleton (Imperador Ming), Priscilla Lawson (Princesa Aura), Frank Shannon (Dr. Alexis Zarkov), Richard Alexander (Principe Barin), Jack 'Tiny' Lipson (Rei Vultan), Richard Tucker (Professor Gordon), James Pierce (Principe Thun). Metragem: 245 minutos (13 capítulos). Fotografia: Em Preto & Branco. Produção da Universal.

O Rei Vultan (Jack "Tiny" Lipson): de inimigo de Flash a aliado e amigo.

FLASH GORDON NO PLANETA MARTE
(FLASH GORDON’S TRIP TO MARS, 1938)


Segundo dos três seriados feitos com o personagem. Foram mantidos os atores principais do seriado anterior nos mesmos papeis: Buster Crabbe como Flash Gordon, Jean Rogers como Dale Arden, Frank Shannon como Dr. Alexis Zarkov,  e Charles  Middleton, magnífico como o cruel Ming.


O Dr. Zarkov (Frank Shannon), Dale Arden (Jean Rogers), e Flash Gordon (Buster Crabbe) em mais uma eletrizante aventura, desta vez em Marte.
Flash e Dale desta vez não contavam com a presença de Happy Hapgood (Donald Keer), um repórter bisbilhoteiro que acabou caindo na nave da tripulação.
Novamente o perverso Ming (Charles Middleton) querendo destruir a Terra.
Um elemento químico chamado Nitron está desaparecendo da atmosfera terrestre, o que vem causando ciclones tropicais e outros desastres meteorológicos. Dr. Zarkov (Frank Shannon) e Flash (Crabbe) descobrem que um raio de Marte é a fonte do esgotamento de Nitron. Um repórter de jornal, Happy Hapgood (Donald Kerr, 1891-1977), está dentro do foguete da tripulação quando Flash, Zarkov e Dale Arden (Jean Rogers) partem para Marte rumo à investigação. .


Em Marte, a tripulação de Flash se depara com humanoides Homens de Argila.
Flash em conferência com Azura (Beatrice Roberts), Rainha de Marte, aliada de Ming.
Flash, o Principe Barin, Zarkov, e Hapgood, lutam contra seres primitivos enviados por Azura.
Lá, eles descobrem que Azura (Beatrice Roberts, 1905-1970), Rainha de Marte, está associada à Ming, O Impiedoso (Charles Middleton), para conquistar a terra. Todos os marcianos que se opõem a sua parceria com Ming foram transformados em humanoides de argila, forçados a viver sob a superfície de Marte. Os quatro terráqueos refugiam-se em uma dessas cavernas e juntam-se ao Rei Clay (C. Montague Shaw, 1882-1968) para destruir a lâmpada Nitron que está drenando a atmosfera da Terra. Concordam, também, em ajudar a restaurar o povo de argila para sua forma humana para, juntos, derrotarem Azura e Ming.


Flash lutando implacavelmente contra os policiais de Ming.
Na presença de Azura, Flash Gordon derrota Ming.
Flash Gordon no Planeta Marte foi baseado em um Big Little Book de 1936, adaptação dos quadrinhos Flash Gordon and the Witch Queen of Mongo. A ambientação foi mudada para Marte em função do sucesso de The War of the Worlds (a Guerra dos Mundos), obra de H. G. Wells apresentado por Orson Welles em seu programa de rádio, lançado sete meses após o seriado ser levado aos cinemas. Isso fez a Universal lançar às pressas uma versão editada, com 68 minutos, sob o título Mars Attacks the World, para capitalizar a publicidade. O filme foi um sucesso de bilheteria. Flash Gordon's Trip to Mars foi mais cara do que a produção do primeiro seriado.

Flash Gordon, o Conquistador e Herói do Universo.

Flash Gordon no Planeta Marte (1938). Direção: Ford Beebe, Robert F. Hill. Elenco: Buster Crabbe (Flash Gordon), Jean Rogers (Dale Arden), Charles Middleton (Imperador Ming), Frank Shannon (Dr. Alexis Zarkov), Beatrice Roberts (Rainha Azura), Donald Kerr (Happy Hapgood), Richard Alexander (Principe Barin), C. Montague Shaw (Rei Clay), Wheeler Oakman (Tarnak). Metragem: 299 minutos (15 capítulos). Fotografia: Em Preto & Branco. Produção da Universal. 



FLASH GORDON CONQUISTA O UNIVERSO
(FLASH GORDON’S CONQUERS THE UNIVERSE, 1940)


Foi o terceiro e último dos três seriados feitos com o personagem.  Aqui foram mantidos apenas três dos atores principais dos seriados anteriores:  Buster Crabbe como Flash Gordon, Frank Shannon como o Dr. Alexis Zarkov, e Charles Middleton como Ming, o Impiedoso. Jean Rogers saiu da Universal para assinar contrato com a 20ª Century Fox, e em seu lugar entrou Carol Hughes (1910-1995) para viver Dale Arden. Outras duas mudanças a se reparar: Roland Drew (1900-1988) substituiu Richard Alexander no papel do Príncipe Barin, e Shirley Deane (1913–1983) a interpretar a Princesa Aura, personagem vivida por Priscilla Lawson no primeiro seriado de 1936. 


Flash Gordon (Crabbe) e Dale Arden, agora interpretada por Carol Hughes.
Flash e seus aliados: Principe Barin (Roland Drew), Dr. Zarkov (Frank Shannon) e Dale Arden (Carol Hughes).
A Princesa Aura (agora vivida por Shirley Deane) com o pai, Ming - O Cruel.
Uma epidemia mortal devasta a terra, conhecida como a “Morte Púrpura”, deixando muitas vítimas. Ming, o Impiedoso (Charles Middleton), é suspeito de estar por trás da praga e se descobre que suas naves espaciais têm deixado cair a “Poeira da Morte” na atmosfera da terra. Flash Gordon (Buster Crabbe), juntamente com Dr. Alexis Zarkov (Frank Shannon) e Dale Arden (Carol Hughes), é enviado para o Planeta Mongo, para encontrar uma possível cura para a epidemia.



Flash e Dale em busca de um antídoto para salvar a Terra.

O Imperador Ming (Charles Middleton) não desiste em tentar destruir o Universo.
Eles encontram o antídoto, denominado polarite, no Reino de Frigia. Flash e Zarkov distribuem o antídoto através do mesmo caminho onde foi distribuída a Poeira da Morte. Ming envia um exército de robôs-bombas, e consegue capturar Zarkov por um curto período de tempo antes de Flash conseguir libertá-lo. O trio continua a batalha contra Ming e seus aliados. Capitão Torch (Don Rowan, 1905-1966) é o vilão principal deste último seriado de cinema de Flash Gordon, sendo ele o responsável por parar os terráqueos. Ming é preso em uma torre, e um foguete carregado com polarite atômica é enviado contra ele. Príncipe Barin toma seu lugar de direito como governante de Mongo. As últimas palavras de Ming são: "I am the universe!" (Eu sou o Universo!). Zarkov anuncia, então, que Flash Gordon conquistou definitivamente o universo.


Flash Gordon Conquista o Universo (1940). Direção: Ford Beebe, Robert F. Hill. Elenco: Buster Crabbe (Flash Gordon), Carol Hughes (Dale Arden), Charles Middleton (Imperador Ming), Frank Shannon (Dr. Alexis Zarkov), Roland Drew (Principe Barin), Shirley Deane (Princesa Aura), Lee Powell (Roka, Don Rowan (Capitão Torch). Metragem: 220 minutos (12 capítulos). Fotografia: Em Preto & Branco. Produção da Universal.


SUCESSO NA TV

Na década de 1950, os três seriados de Flash Gordon foram transmitidos pela televisão americana. Para evitar confusão com a série de TV levada ao ar com o personagem veiculada na mesma época (entre 1954 a 1955, com Steve Holland), os seriados receberam novos títulos, respectivamente Space Soldiers, Space Soldiers' Trip to Mars e Space Soldiers Conquer the Universe (Soldado Universal, Soldado Universal vai para Marte, Soldado Universal conquista o Universo). Na metade da década de 1970, foram reexibidos em diversas estações nos Estados Unidos, trazendo Flash Gordon para uma nova geração, exatamente dois anos antes de Star Wars reacender  no público o interesse pela ficção científica. 

ESTE ARTIGO É DEDICADO, IN MEMORIAN, AO MEU QUERIDO AMIGO
JOSÉ MENEZES, DESENHISTA QUE PROMOVEU SUA ARTE ATRAVÉS DO SONHO E DA IMAGINAÇÃO DE MUITAS CRIANÇAS, E DE ADULTOS TAMBÉM! AMIGO SEMPRE ETERNO. 
AMIGO COM "A" MAIÚSCULO. 

Desenho feito pelo lendário Dan Barry (1923-1997), em 26 de janeiro de 1963, que em visita ao Brasil, presenteou meu querido e saudoso amigo José Menezes. 

PAULO TELLES
Matéria originalmente publicada pelo seu redator no extinto blog Filmes Antigos Club, em fevereiro de 2018. 



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