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sábado, 9 de setembro de 2023

Paixão dos Fortes (1946): Wyatt Earp na Visão Lírica e Romântica do Mestre John Ford.

Divulgação

É sabido que o Marshal, o Homem da Lei Wyatt Earp (1848-1929) é um dos grandes mitos do Velho Oeste americano, cuja figura e história já foram retratadas inúmeras vezes nas telas de cinema, recebendo até mesmo grande exaltação por parte de muitos diretores e produtores. Earp tornou-se popular da noite para o dia no ano de 1931, quando o escritor Stuart Lake (1889-1964) publicou o livroWyatt Earp, Frontier Marshall” (Wyatt Earp, o Delegado da Fronteira), narrando as “façanhas” do então desconhecido delegado, que somente dois anos antes havia falecido. Diferente de outros mitos do Oeste americano, cuja fama já havia alcançado ainda em vida, com Wyatt Earp foi o contrário. Ele só ficou famoso mesmo dois anos depois de sua morte, em 1929.

JOHN FORD (1895-1973): Um dos maiores cineastas de todos os tempos!
PAIXÃO DOS FORTES (1946) - As filmagens.
O livro por ser quase inteiramente escrito na primeira pessoa, fez crer a todos que se tratava de uma verdadeira autobiografia. Stuart Lake assegurava aos seus leitores ter transcrito para o papel as palavras que ouvira do próprio Wyatt, sobre si mesmo e os acontecimentos. Mas anos depois, enquanto o livro atingira seu sucesso editorial, Lake declarou que tudo que havia escrito era de sua autoria e de sua inteira responsabilidade. Desmentia sua afirmação anterior, revelando que Wyatt não lhe havia fornecido dado algum e que o livro divulgava apenas boatos, sem fatos comprobatórios. 

Henry Fonda, Linda Darnell e Victor Mature:
PAIXÃO DOS FORTES (1946).
Henry Fonda é Wyatt Earp, o Implacável
"mocinho" de Tombstone.
Mas produtores de cinema e roteiristas não se importaram com isso, e viu que mesmo sendo “boatos”, as “façanhas” de Wyatt Earp poderiam render uma boa bilheteria. Mas para isso, Hollywood precisou erguer um monumento ao finado Leão de Tombstone, como um heroico e implacável lawman e “homem sem máculas”, um “mocinho” ao estilo dos filmes de faroeste que o verdadeiro Earp nunca fora na vida real. Foi assim que o cinema investiu na legenda romântica dos verdadeiros mitos do Velho Oeste, e um dos maiores cineastas de todos os tempos colaborou muito para a personificação de muitos destes, onde a lenda sempre é mais impressa do que os verdadeiros eventos.

Fonda é Wyatt Earp - Victor Mature como Doc Holliday, e Linda Darnell como sua amante Chihuahua 

Paixao dos Fortes (My Darling Clementine), de 1946, é uma das versões cinematográficas mais clássicas da “história” do famoso Marshall, derivado justamente do livro de Stuart Lake, cujo enredo já havia sido lançado no cinema em 1939 com Randolph Scott no papel de Earp e Cesar Romero como Doc Holliday, no filme A Lei da Fronteira (Frontier Marshall, 1939), cujo roteiro também serviu de base para Paixão dos Fortes. Sete anos depois, o cineasta John Ford (1895-1973) resolveu recontar a saga de Wyatt e seus irmãos, e de suas ligações com o jogador John “Doc” Holliday (1851-1887), sem se preocupar com fatos históricos, mas impondo o lirismo romântico tipicamente fordiano na evocação da legenda.

Victor Mature é Doc Holliday, um médico fracassado que virou alcoólatra e tuberculoso, mas um dos homens fortes de  Tombstone. 
Wyatt Earp (Fonda) rende "Old Man" Clanton, vivido por Walter Brennan.
Paixão dos Fortes é uma das obras primas que lançou a mitologia do western em Hollywood, particularmente em torno do famoso confronto de OK Corral, um dos mais célebres tiroteios do Velho Oeste, ocorrido a 26 de outubro de 1881, entre Doc Holliday, Wyatt Earp e seus irmãos, contra os homens de Ike “Old Man” Clanton. Mas o que mais podemos contar a não ser a pretensão do diretor John Ford em contar as lendas e mitos? Sem dúvida, ele era um bom contador de “causos” das lendas do Oeste Americano, tornando-se até mesmo um “Homero” na cultura cinematográfica, e isto porque tal qual o contador de histórias da Grécia Antiga, Ford criou um imaginário de heróis, mitos, bravura e moral. Logo, a pretensão do diretor de Paixão dos Fortes não era de contar o que realmente aconteceu e sim em retratar a integridade e a coragem de alguns homens que formaram Oeste norte-americano, que por sua vez, acabou formando os Estados Unidos.

Henry Fonda como Wyatt Earp
Walter Brennan em um desempenho impecável como o vilão "Old Man" Clanton.
Henry Fonda (1905-1982) vive Wyatt Earp, que acaba aceitando o posto de Xerife de Tombstone, Arizona, a fim de se vingar do assassinato de seu irmão caçula, James (Don Garner, 1923-2012), morto por “Old Man” Clanton (Walter Brennan, 1894-1974) e seus filhos. Para enfrenta-los, Earp conta com a ajuda de seus irmãos Morgan (Ward Bond, 1903-1960) e Virgil (Tim Holt,1918-1973), e ainda do jogador  John “Doc” Holliday (Victor Mature, 1913-1999), médico fracassado que acabou se tornando alcoólatra e tuberculoso, que vive tumultuado romance com a mexicana Chihuahua (Linda Darnell, 1921-1965).

Doc Holliday (Mature) e Chihuahua (Linda Darnell) - Um romance tórrido.
Wyatt e seus irmãos Morgan (Ward Bond) e Virgil (Tim Holt)
Quando Chihuahua e Virgil são eliminados pelo bando dos Clanton, Wyatt parte para a desforra contra “Old Man” e seus filhos, no famoso tiroteio de OK Corral, planejando um futuro pacífico com a doce Clementine Carter (Cathy Downs, 1926-1976), ex-noiva de Holliday, por quem se apaixonou.

Wyatt e Clementine (Cathy Downs), ex-noiva de Doc, que chega a cidade.
Mesmo sendo um homem da lei, Wyatt é um exímio jogador, sendo observado por Chihuahua 
Paixão dos Fortes marcou a volta de John Ford ao Western, pois desde 1939 quando lançou uma de suas obras máximas, No Tempo das Diligências, o cineasta não rodava um filme do gênero. Além disso, o filme é seu único Western a focalizar personagens históricos (sem contar um dos episódios que ele dirigiu para A Conquista do Oeste, em 1962), e passados mais de 70 anos de seu lançamento, continua sendo para os críticos uma das mais admiráveis criações do Mestre John Ford.

Chihuahua, a namorada de Doc Holliday, antipatiza com Earp
Doc e Wyatt: amizade selada, confrontos à vista.
Henry Fonda, em magistral atuação, é um Wyatt Earp bem antológico, que não se preocupa em mostrar sua bravura, um ser sensível mesmo que com toda coragem para demonstrar. Solitário, mas um amigo fiel e leal até o fim. Victor Mature, sempre considerado pelos críticos um canastrão ao longo de sua carreira, tem aqui o seu melhor papel (junto com outro western, O Tirano da Fronteira, de Anthony Mann, em 1956), graças aos esforços de Ford que conseguiu arrancar-lhe uma sólida interpretação como um decadente Doc Holliday, um médico que veio do mundo refinado do Leste, mas que foi atrás de aventuras no Oeste violento, onde acabou  tornando-se amigo de Wyatt, e ao lado dele combater os homens de Clanton.  Uma das coisas a fugir dos eventos verdadeiros é ver Holliday como um médico, quando na verdade ele era um dentista formado, morrendo no confronto de Tombstone, quando o verdadeiro Doc Holliday morreu num sanatório seis anos depois do famoso tiroteio, a 8 de novembro de 1887, de tuberculose. 

Chihuahua e Doc Holliday
Na "Paixão" de Ford, Doc Holliday perde a vida no confronto do OK Corral.
Adeus, querida Clementine!
Com roteiro de Samuel G. Engel (1904–1984), que também é o produtor, e Winston Miller (1910–1994), Paixão dos Fortes tem fotografia em preto & branco de Joseph MacDonald (1906-1968), e musica de Cyril J. Mockridge (1896–1979), com arranjos de Alfred Newman (1901-1970). No Brasil, o filme foi lançado em abril de 1947.

Exibido nas salas cariocas em abril de 1947.


Poster Original


ANO DE PRODUÇÃO: 1946

TÍTULO ORIGINAL: MY DARLING CLEMENTINE

DIREÇÃO: JOHN FORD

PRODUÇÃO: SAMUEL G. ENGEL - PARA 20th CENTURY FOX

ROTEIRO: SAMUEL G.ENGEL, WINSTON MILLER – Baseado em livro de STUART LAKE

FOTOGRAFIA: JOSEPH MACDONALD (PRETO & BRANCO)

MUSICA: CYRIL J. MOCKRIDGE- ARRANJOS DE ALFRED NEWMAN

METRAGEM: 97 MINUTOS


HENRY FONDA – WYATT EARP
LINDA DARNELL – CHIHUAHUA
VICTOR MATURE – DOC HOLLIDAY
CATHY DOWNS – CLEMENTINE CARTER
WALTER BREENAN – OLD MAN CLANTON
TIM HOLT – VIRGIL EARP
WARD BOND – MORGAN EARP
ALAN MOWBRAY – GRENVILLE THORNDYKE
JOHN IRELAND – BILLY CLANTON
ROY ROBERTS – PREFEITO
JANE DARWELL – KATE NELSON
GRANT WITHERS – IKE CLANTON


sábado, 1 de abril de 2023

O Manto Sagrado (1953): O Filme Cuja Técnica Revolucionou Para Sempre a Estética do Cinema

Há mais de 70 anos, o primeiro filme rodado no processo Cinemascope surgiu para botar a televisão no escanteio. Tudo porque este então novo veículo de comunicação ameaçava o cinema, e as salas de exibição tornavam-se cada vez mais vazias. O conforto de ver televisão em casa provocava medo na indústria de filmes, e donos de estúdios, produtores, cineastas e diversos artistas, mobilizavam-se para não perderem concorrência com a telinha.

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Parecia que a Sétima Arte estava com seus dias contados e fadada a um fim irremediável. No entanto, os recursos que grandes produtores e engenheiros encontraram para evitar a "extinção do cinema" e perder a concorrência com a TV foi expandir o formato de seus filmes. Devemos lembrar que, após o surgimento Cinemascope, vieram a surgir os processos Vistavision e Panavision (Câmera de 65mm, em Ben-Hur, 1959), e ainda o Techinirama 70mm, ambos formatos visavam transformar grandes produções em mega-espetáculos, e nada como filmes com temáticas históricas ou grandes épicos para fazer a alegria do público. Sem estas técnicas, é importante frisar que jamais existiria o formato Widescreen, que percorreria a grande maioria dos DVDS lançados no Mercado.

Henri Chrétien, inventor do "Sistema Hypergonar", que daria origem 30 anos depois ao surgimento do CinemaScope.

O curioso é que o Cinemascope já era um processo antigo antes mesmo de seu lançamento oficial em 1953. Engenhosamente, Darryl F. Zanuck (1902-1979), o chefão da 20th Century Fox, encontrou a solução para sobrepujar a concorrência com a televisão, quando lembrou do invento do francês Henri Chrétien (1879-1956), patenteado em 1927, com o nome de Sistema Hypergonar, que consistia basicamente numa câmara de lente anamórfica, capaz de criar imagens destinadas a uma tela duas vezes maior que a tradicional. Aperfeiçoando e "estereofonizado", o processo criado por Chrétien ressurgiu com o nome de Cinemascope, e rendendo uma fortuna aos cofres da Fox. E a nova técnica viria não somente para ficar, mas a influenciar outros formatos de tela. 

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Com esta vitória da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana, que conseguiu com isto promover a volta do público para as grandes salas, O Manto Sagrado/The Robe ficou na história como o primeiro filme a ser lançado no formato Cinemascope, levando plateias no mundo inteiro aos cinemas, e um dos espetáculos mais exibidos nos feriados de Páscoa em muitos cinemas do Brasil (em alguns lugares, ficou em cartaz por quase 10 anos)- e também era filme garantido de toda Sexta-Feira Santa nas antigas exibições pela Sessão da Tarde da televisão . No entanto, é justamente no televisor que o filme perde drasticamente impacto visual, pois a telinha deforma o Cinemascope, perdendo os enquadramentos originais. 

Richard Burton como o tribuno romano Marcellus Gallio.
O épico de cunho religioso e bíblico versa nos últimos anos do reinado de Tibério (Ernest Thesiger, 1879-1961), quando Roma era a "Senhora do Mundo". Marcellus Gallio (Richard Burton, 1925-1984) é um jovem tribuno do império que está sempre envolvido com jogos ou mulheres. Além disto, tem rixa pessoal com Calígula (Jay Robinson, 1930-2013), o herdeiro do trono. A situação complica-se quando Marcellus oferece, em um leilão de escravos, a absurda quantia de três mil moedas de ouro por Demétrius de Corinto (Victor Mature, 1913-1999), um grego outrora trazido para a capital como prisioneiro de guerra e que também era disputado por Calígula no leilão.

Victor Mature como o escravo Demétrius de Corinto.
Jay Robinson como o insano imperador Calígula
Ao se ver derrotado por Marcellus, Calígula encara isto como uma afronta pessoal e então manda o tribuno ir servir imediatamente em Jerusalém, na Palestina, considerado o pior lugar do mundo. Entretanto, devido a motivos políticos, depois de curto período na "Terra Santa", Marcellus é chamado de volta por Tibério. 

Richard Boone como Pôncio Pilatos
Mas, antes de partir para Roma, Marcellus recebe de Pôncio Pilatos (Richard Boone, 1917-1981), procurador romano em Jerusalém,  a missão de supervisionar a execução de uma sentença: a crucificação de Jesus Cristo. Finda a tarefa, ele e outros soldados disputam em um jogo de dados a posse pelo manto vermelho usado por Jesus. Marcellus vence a aposta, mas o manto fica com Demétrius, pois quando Gallio tenta usar o manto, algo o aflige de forma indescritível. O escravo grego, que já tinha se tornado um cristão, tira-lhe o manto, dizendo que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre. Em seu retorno, o tribuno fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse.

Jean Simmons como Diana, a amada de Marcellus.

Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons, 1929-2010), a amada de Marcellus, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que o tribuno portava-se de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu em Jerusalém. Tibério acha que o oficial pode ter perdido a razão, mas quando Gallio atribui que a aflição que sente só aconteceu após cobrir-se com o manto de Jesus, então o adivinho da côrte conclui que o manto estava enfeitiçado e precisa ser destruído. Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno retorna à Palestina para destruir o manto e descobrir quem são os cristãos responsáveis por algum tipo de conspiração, mas esta viagem irá mudar profundamente sua vida.

Burton e Michael Rennie como São Pedro.
Pedro (Michael Rennie), o "Grande Pescador" e líder da Igreja, recebe Marcellus, ao lado de Justus (Dean Jagger)

Uma vez de volta a Palestina, em sua procura pelo manto, Marcellus vai à pequena vila de Caná, onde conhece Justus (Dean Jagger, 1903-1991) e Miriam (Betta St John, 1929-2023), dois exemplos de vida cristã.  Embora não acredite em algumas coisas que lhe falam, como a ressurreição de Cristo, o tribuno começa a ter dúvidas sobre suas crenças.  Justus lhe diz que conhece sua identidade e lhe informa que todos já o perdoaram, assim como Jesus o perdoou.  Logo depois, ao tentar convencer Marcellus do amor de Jesus pela humanidade, Miriam lhe diz que um dos seus discípulos, Simão Pedro (Michael Rennie, 1909-1971), conhecido como “O Grande Pescador”, acaba de chegar em companhia de seu companheiro grego, o próprio Demétrius.

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Ao pedir o manto para ser queimado, Marcellus ouve de Demétrius que o problema dele não está no manto e sim em sua consciência, em seu coração, por ter crucificado o Messias.  Receoso, em princípio, mas encorajado por Demétrius, o tribuno termina abraçando o manto de Cristo e  livra-se de todas as suas angústias.

Diana e Marcellus
Em seguida, Marcellus é levado à presença de Pedro e termina convertendo-se ao cristianismo, passando a seguir o apóstolo.  Tempos de depois, Pedro e seus seguidores chegam à Roma e passam a viver nas catacumbas.  Com a morte de Tiberius, Caligula é o novo imperador e inicia uma perseguição implacável contra os cristãos.  Quando Demétrius é preso e torturado nos calabouços do palácio de Calígula, o tribuno decide libertá-lo, o que consegue com a ajuda de um grupo de homens.  Entretanto, durante a fuga, eles são perseguidos e, em benefício da liberdade do grupo, Marcellus atrai seus perseguidores, e se entrega. 

Demétrius (Victor Mature) se apossa do Manto Sagrado e se torna seu guardião...
...a ponto de quase sacrificar sua vida, mas é curado milagrosamente por Pedro (Michael Rennie).
Depois que Marcellus é capturado, Diana visita-o em sua cela e lhe implora para que renegue Jesus, a fim de salvar a si próprio, mas ele fala pra ela sobre o povo de Caná, que nunca renegou Jesus, apesar do perigo de ser seu seguidor.

Marcellus e Diana na côrte de Calígula (Jay Robinson).
Marcellus jura lealdade ao Império Romano, mas não abjuga Cristo
Marcellus é então levado a julgamento por traição, oportunidade em que confessa ser um cristão. Calígula ridiculariza as afirmações do tribuno de que o seu rei é o Rei do Céu, que acredita em amor, compaixão e caridade acima de tudo. Irritado por que Diana ainda prefere Marcellus a ele, Calígula faz com que a assembleia exija a morte do tribuno.

Marcellus e Diana levados para o pátio dos arqueiros, onde sofrerão 0 martírio (cena eliminada no filme).
Marcellus e Diana, a caminho da Eternidade.
Diana, movida pela crença apaixonada de Marcellus e repugnada pela tirania de Calígula, escolhe morrer com o homem que realmente ama.  O Manto Sagrado foi indicado para cinco categorias do prêmio Oscar em 1953, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Richard Burton. Mas acabou conquistando o Oscar por Melhor Cenografia em cores, e ainda, um Oscar especial pela novidade técnica que viria revolucionar para sempre toda estética do cinema. 

LLOYD C. DOUGLAS, autor do romance que originou o filme
A fita, dirigida por Henry Koster (1905-1988), foi baseada em romance publicado em 1942 por Lloyd C. Douglas (1877-1951). No Brasil, o romance foi publicado com o título de O Manto de Cristo A trilha sonora foi encarregada pelo Mestre Alfred Newman (1901-1971), de A Canção de Bernadete. Os direitos do romance chegou a ser comprado pela RKO estúdio, que no início dos anos de 1950, vendeu para 20th Century Fox, como veículo para Tyrone Power que interpretaria Marcellus, mas ele recusou o papel.

Victor Mature e Mae Marsh.
O Filme foi um estrondoso sucesso e foi ocasião ímpar em toda História da Cinematografia, pois todas as salas de cinema tiveram que ser reformadas para recepcionar o lançamento deste êxito das telas.  A Fox, que detinha os direitos do livro de Douglas, não sabia o que fazer com as demais 200 páginas do romance, e aproveitando o embalo do sucesso de The Robe, o estúdio resolveu fazer uma sequência da obra, em 1954. 

DEMÉTRIUS 
O GLADIADOR

Victor Mature repete o papel de Demetrius em DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES. Aqui com Ernest Borgnine.
Sob a direção de Delmer Daves (1904-1977) especialista em dramas e westerns (Galante e sanguinário), e repetindo Mature (Demétrius), Michael Rennie (São Pedro) e Jay Robinson (Calígula) nos seus respectivos papéis em O Manto Sagrado. Produzida por Frank Ross (1904-1990), que havia também produzido o filme anterior, realizou juntamente com o diretor Daves uma fita superior, porque substituiu a religiosidade melodramática de The Robe por exuberante ação física e estimulantes aspectos aventurescos (as sequencias de treinamento na arena e a luta de gladiadores no Coliseu são excelentes, com ótimos movimentos de câmera). 

Susan Hayward como Messalina. Na foto, com Mickey Simpson.
Michael Rennie volta a interpretar São Pedro em DEMETRIUS E OS GLADIADORES (1954).
Escrito por Philip Dunne (1908-1992) com base nos personagens de Lloyd C Douglas, o filme transcorre após a morte de Marcellus (Richard Burton) e Diana (Jean Simmons), ocorrida no desfecho de O Manto Sagrado. O cristão Demétrius, o guardião do manto de Cristo, é perseguido pelo imperador Calígula, sendo preso e feito gladiador na arena, comandada por Strabo (Ernest Borgnine, 1917-2012).

Demetrius perde a fé cristã e submete-se aos caprichos de Messalina.
Demetrius e sua amada Lucia (Debra Paget).
Quando sua amada Lucia (Debra Paget) entra em estado de choque ao risco de ser violentada por um dos gladiadores, Dardanius (Richard Egan, 1921-1987), Demétrius perde a fé e sucumbe aos encantos de Messalina (Susan Hayward, 1918-1975). Demétrius e os Gladiadores constitui um dos melhores espetáculos já realizado no cinema épico de aventuras. A trilha sonora é do renomado Franz Waxman (1906-1967), com base no repertório de Alfred Newman, o compositor original de The Robe.

O LANÇAMENTO DE “O MANTO SAGRADO” NO RIO DE JANEIRO

O MANTO SAGRADO foi lançado nos Estados Unidos em 24 de setembro de 1953, no Chinese Theatre, em Hollywood, inaugurando definitivamente o Cinemascope. Não demorou muito, a novidade chegou ao Brasil, repetindo o mesmo sucesso de Los Angeles. Não diferente também como ocorrido nas salas de cinema nos EUA, algumas salas aqui tiveram também que ser adaptadas para  a estreia de The Robe no Brasil, inclusive no Rio de Janeiro, a então Cidade Maravilhosa, que recebeu de braços abertos, tal como o Cristo Redentor, o monumento turístico da cidade, a sagrada fita estrelada por Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, e Michael Rennie, nos idos tempos que o Rio ainda era a capital da República. 

O MANTO SAGRADO - OCASIÃO DE GALA TAMBÉM NO RIO DE JANEIRO, CONFORME ANÚNCIO  NOS JORNAIS DA ÉPOCA DE SEU LANÇAMENTO, NAS SALAS CARIOCAS.

Divulgação pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1954.
O CINE-PALÁCIO no Centro do Rio de janeiro, teve suas instalações alteradas para a estreia, e finalmente, a 15 de abril de 1954, estreou O MANTO SAGRADO nas salas de projeção da cidade.
FICHA 
TÉCNICA
O MANTO SAGRADO
(The Robe)

País – Estados Unidos 

Ano – 1953

Gênero – Épico/Religioso 

Direção – Henry Koster

Produção – Frank Ross, para a 20th Century Fox 

Roteiro – Phillip Dunne e Gina Kaus (adaptação), com base no livro de Lloyd C. Douglas. 

Música – Alfred Newman 

Fotografia – Leon Shamroy, em Cores

Metragem – 135 minutos


elenco

RICHARD BURTON – Tribuno Marcellus Galio 

JEAN SIMMONS – Diana 

VICTOR MATURE – Demetrius de Corinto, o escravo 

MICHAEL RENNIE – São Pedro, o “Grande Pescador” 

JAY ROBINSON – Calígula 

TORIN THATCHER – Senador Galio 

DEAN JAGGER – Justus 

RICHARD BOONE – Pôncio Pilatos. 

BETTA St. JOHN – Miriam 

JEFF MORROW – Paullus, o centurião 

ERNEST THESIGER – Imperador Tibério 

DAWN ADDAMS – Junia 

LEON ASKIN – Abidou 

MICHAEL ANSARA – Judas Iscariotes 

FRANK DeCOVA – Escravo 

JOHN DOUCETTE – Soldado da esquadra 

SAM GILMAN – Capitão da esquadra 

MAE MARSH – Mulher idosa de Jerusalém que ajuda Demetrius

JAY NOVELLO – Tiro 

HAYDEN RORKE – Callus, licitante do leilão de escravos. 

HARRY SHEARER – o pequeno Davi 

PERCY HELTON – Caleb, o mercador de vinhos. 

DONALD  C. KLUTE – Jesus Cristo

SALLY CORNER – Cornelia, mãe de Marcellus

PAMELA ROBINSON – Irmã de Marcellus

ROSALIND IVAN – Julia, esposa de Tibério 

E

CAMERON MITCHELL – A Voz de Jesus no Calvário.




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