Mostrando postagens com marcador RICHARD BOONE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador RICHARD BOONE. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de maio de 2023

Jack Grandão (1971): John Wayne em Western de Contagiante Aventura Aos Moldes do Mestre Ford.



Considerado o mais animado e genuíno Western dentre os quais estrelou, John Wayne (1907-1979), após sua conquista com o Oscar de melhor ator no ano anterior por Bravura Indômita, optou por fazer uma espécie de homenagem ao bom e velho estilo de seu compadre e amigo, o Mestre John Ford (1895-1973), ao estrelar JAKE GRANDÃO (Big Jake), em 1971. Muito mais superior do que Jamais Foram Vencidos (1969), Chisum (1970) e Rio Lobo (1971), a aventura da vez ancorada pelo Duke é traçada em linha reta e cheia de ação, contagiada por bom humor e às vezes por lirismo rústico, bem aos moldes dos grandes trabalhos do diretor Ford. E o melhor de tudo isso, é que Jake Grandão tem, de fato, o clima festivo que tão bem caracterizou o trabalho deste cineasta, como se fosse uma "reunião de família", tirando férias em passagem pelo México (onde o filme foi inteiramente rodado). 

John Wayne como Jacob "Big Jake" McCandles
Big Jake volta por uns instantes ao lar, para rever sua esposa Martha (Maureen O' Hara), que requer sua ajuda.
E também não é para menos: O produtor-executivo Michael Wayne (1934-2003) – filho mais velho de John que comandava a Batjac, a velha empresa de seu pai -Patrick Wayne, e até mesmo John Ethan Wayne, filho caçula de Duke, então com oito anos, estiveram envolvidos na produção de Jack Grandão. E é importante dizer que velhos companheiros de John Wayne na Ford’s Stock Company, como sua amiga Maureen O’ Hara (1920-2015), com quem o ator fez os clássicos Rio Bravo (1950), Depois do Vendaval (1952), Asas de Águia (1955), e Quando um Homem é Homem (1963) – e também Harry Carey Jr (1921-2012), Hank Worden (1901-1992), John Agar (1921-2002), o fotógrafo William Clothier (1903-1996) e o diretor de segunda unidade Cliff Lyons (1901-1974) – todos antigos colaboradores do Mestre em muitos de seus grandes e inesquecíveis clássicos, fizeram parte desta empreitada. Logo, podemos dizer que Big Jake, assim como outros westerns estrelados por Wayne, como Caminhos Ásperos (1953), Fúria no Alaska (1960), e Os Comancheros (1961), é um dos mais “fordianos” faroestes que o cineasta John Ford não dirigiu.

Maureen O' Hara é Martha McCandles, disposta a pagar o resgate pelo neto raptado, mas para isso, ela pede ajuda à um "desagradável homem"...
...o marido, Jacob McClandles, conhecido como Big Jake (John Wayne).
Aos 65 anos de idade, o bom e velho Duke retoma a pista legendária dos justiceiros do Oeste que tão bem o consagrou. Wayne, no papel do aventureiro Jacob “Big Jake”  McCandles, em realidade um rico barão do gado, afastado de sua casa no Texas, da mulher Martha (Maureen O’ Hara), e dos filhos James (Patrick Wayne), Jeff (Bobby Vinton), e Michael (Christopher Mitchum, filho do lendário ator Robert Mitchum, com quem Wayne contracenou em El-Dorado, em 1967. O papel havia sido oferecido à Jeff Bridges, que se recusou a trabalhar com Wayne), é chamado pela esposa, que a contragosto, por achar o marido uma pessoa “desagradável demais”, vai precisar de sua ajuda. O neto que Jake ainda não conhece, chamado de “Pequeno Jake”, foi raptado pelo bando de John Fain (Richard Boone, 1917-1981), um renegado que agora provoca pânico nos arredores do Rio Grande com sua quadrilha de facínoras. Boone, formidável vilão no cinema e herói como o Paladino do Oeste na TV, foi um amigo querido de John Wayne na vida real, com quem havia trabalhado em O Alamo (1960), e ainda contracenaria em 1976 no derradeiro O Último Pistoleiro, de Don Siegel, o último filme de Wayne. 

Jacob e seu filho James McCandles, vivido por Patrick Wayne, filho de John Wayne.
Jacob e seu filho Michael McCandles, interpretado por Christopher Mitchum.

Jacob e seus dois filhos na caçada aos raptores do menino

Um dos monólogos do personagem de Boone, direcionado ao capataz Bert Ryan (vivido por John Agar), é uma das mais sugestivas em um filme, ao sacar o revólver e mata o capataz, pronto para assaltar a casa dos McCandles:
“O Pior que quando se tem muito dinheiro, tem sempre alguém querendo tirar da gente”.  Curiosamente, John Agar e Richard Boone já haviam se defrontado em um faroeste – Crimes Vingados, de Charles F. Haas em 1956 .

Richard Boone é John Fain, renegado e líder de quadrilha, que raptou o neto de Big Jake.
Fain e sua quadrilha, que espalha pânico pelas fronteiras do Texas e México. 
John Wayne & Richard Boone: inimigos em Big Jake, amigos na vida real.
A aventura já começa com um verdadeiro massacre, com Fain e seus homens matando a maioria dos rancheiros e ainda exigindo um milhão de dólares pelo resgate do menino. De prontidão, Jake cede aos apelos da esposa Martha, que não a via há anos. De primeira impressão, a narrativa sugestiona com que Jake Grandão seja até uma sequencia de Quando um Homem é um Homem, último faroeste que havia reunido Wayne e Maureen oito anos antes. 

Os McCandles em missão de resgate.
O "Pequeno Jake", neto de Jacob, vivido por Ethan Wayne, filho caçula do Duke.

John Doucette é Buck Dugan, chefe dos Texas Rangers, que também tenta salvar o menino, contudo sem sucesso.
A caçada a Fain e seus asseclas para resgatar o menino se processa sem a força trágica de Rastros de Ódio, clássico de John Ford estrelado por Wayne em 1956 – mas com vigor e rispidez que normalmente não seria esperado do diretor George Sherman. A trama se passa em 1909, portanto se torna distanciado da mitologia do Velho Oeste, onde Big Jake estabelece curioso paralelismo entre a vida selvagem dos últimos pistoleiros e o mundo exterior em completo desenvolvimento, com automóveis competindo até mesmo com os cavalos. Mesmo com estas diferenças, o cavalo de John Wayne é ainda muito mais eficiente do que os calhambeques e as motocicletas que começam a invadir a fronteira. Uma parábola da fábula “a tartaruga e a lebre” se faz pertinente nesta aventura, pois o bom e velho Duke, com sua montaria, chega mesmo na frente de tudo e todos para decidir todas as paradas, mesmo a base de socos, do palavrão, e do “tudo ou nada!”. Monólogos, nem pensar! É o que ordena o figurino do faroeste verdadeiro e do melhor da Sétima Arte no quesito das aventuras. Juntamente com dois de seus filhos, James e Michael, Jacob “Big Jake” parte para alcançar a quadrilha de Fain, e ainda tem o auxílio do amigo apache Sam Sharpnose (Bruce Cabot, 1904-1972, em seu último desempenho para o cinema). Jake passa a frente dos Texas Rangers, liderados por Buck Dugan (John Doucette, 1921-1994), que também buscam a quadrilha, levando uma mala cheia de dinheiro para o resgate. A partir daí, uma maratona movimentada de ação se processa em todo percurso da fita, até o menino ser resgatado pelo avô e os tios, liquidando Fain e toda a quadrilha. 

Bruce Cabot, em sua última atuação para o cinema, no papel de Sam Shapnose, ex-batedor e amigo de Jacob.
Muita ação em JAKE GRANDÃO.

Enfim, o encontro entre avô e neto, em momento de perigo.
O "Pequeno Jake" é salvo pelo avô, o "Grande Jake".
Para os amantes dos faroestes, Jake Grandão tem certamente um significado muito especial, principalmente para os amantes do cineasta John Ford. Na época da realização de Big Jake, o lendário diretor já estava aposentado (seu último filme, 7 Mulheres, foi realizado em 1966), doente e quase cego, entretanto, sua aposentadoria afastou o homem de seus trabalhos, mas não afastou e nem impediu a transferência de seu espírito inconfundível a sobrevivência de seu universo cinematográfico. Ele continuou dando vida aos filmes de Wayne e aos dirigidos pelo seu afilhado, o diretor Andrew V. McLaglen (1920-2014), discípulo do Mestre. Para aqueles que se privam da intimidade do universo fordiano, Big Jake já começa antes mesmo do filme começar, pois em realidade, é apenas mais uma peça monumental, cuja saga começou em 1939 e tem o título de Stagecoach, por nós aqui intitulado de No Tempo das Diligências.

O Diretor George Sherman
A Família McCandles
Patrick Wayne e Maureen O' Hara, brincando com o filho de Patrick em um intervalo das filmagens.
John Wayne convocou um bom especialista em westerns, o veterano e experiente George Sherman (1908-1991) para cuidar de todos os detalhes técnicos da direção. Artesão impessoal, mas correto e conhecedor da linguagem do gênero, Sherman deu conta da missão, adornando a narrativa com firmeza no que se trata com a violência, deixando Wayne livre para cuidar do que diz respeito a John Ford. Jake Grandão foi o último filme dirigido por Sherman para o cinema (chegou a dirigir alguns trabalhos para TV até 1978), que na época das filmagens não encontrava-se bem de saúde. Filmar no México foi difícil para o cineasta e ele teve que se afastar em alguns momentos de suas funções, e John Wayne assumiu a direção. Quando o filme foi concluído, Wayne, que era amigo de longa data de Sherman, não quis ser creditado como diretor, passando total crédito para Sherman. JAKE GRANDÃO foi a 26ª maior bilheteria nos Estados Unidos em 1971, colocando John Wayne ao topo dos astros campeões de renda no mesmo ano. O filme foi lançado nos cinemas do Rio de Janeiro em maio de 1972. A trilha sonora é de Elmer Bernstein (1922-2004). 

Em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro em 1971

John Wayne & Maureen O' Hara, pela última vez parceiros nas telas.
Por breves momentos, o Duke aposentou o cavalo e aderiu à uma motocicleta, em uma folga das filmagens de JAKE GRANDÃO.


Divulgação do filme nos cinemas cariocas, em maio de 1972.

FICHA 
TECNICA

POSTER ORIGINAL

JAKE GRANDÃO

(Big Jake)

País – Estados Unidos

Ano: 1971 

Gênero: Western 

Direção: George Sherman, e John Wayne (não creditado)

Produção: Michael Wayne, para Batjac Produções e Cinema Center Films (John Wayne como Produtor Executivo) 

Roteiro: Harry Julian Fink e Rita M. Fink 

Fotografia: William Clothier, em cores

Música: Elmer Bernstein 

Metragem: 110 minutos


DIVULGAÇÃO

ELENCO

John Wayne – Jacob “Big Jake” McCandles 

Richard Boone – John Fain 

Maureen O’ Hara – Martha McCandles

Patrick Wayne – James McCandles 

Christopher Mitchum – Michael McCandles

Bobby Vinton – Jeff McCandles 

Bruce Cabot – Sam Sharpnose 

Ethan Wayne – Pequeno Jake

Glenn Corbert – O’Brien

John Doucette – Buck Dugan 

Harry Carey Jr – Pop Dawson

Jim Davis – Líder de Linchamento 

John Agar – Bert Ryan 

Gregg Palmer – John Goodfellow 

Dean Smith – Kid Duffy

Hank Worden – Hank 

Roy Jenson – Homem de Fain


Matéria publicada originalmente no extinto espaço "Filmes Antigos Club" em 2017. 
Todos os direitos reservados de seu autor.








sábado, 1 de abril de 2023

O Manto Sagrado (1953): O Filme Cuja Técnica Revolucionou Para Sempre a Estética do Cinema

Há mais de 70 anos, o primeiro filme rodado no processo Cinemascope surgiu para botar a televisão no escanteio. Tudo porque este então novo veículo de comunicação ameaçava o cinema, e as salas de exibição tornavam-se cada vez mais vazias. O conforto de ver televisão em casa provocava medo na indústria de filmes, e donos de estúdios, produtores, cineastas e diversos artistas, mobilizavam-se para não perderem concorrência com a telinha.

Divulgação

Parecia que a Sétima Arte estava com seus dias contados e fadada a um fim irremediável. No entanto, os recursos que grandes produtores e engenheiros encontraram para evitar a "extinção do cinema" e perder a concorrência com a TV foi expandir o formato de seus filmes. Devemos lembrar que, após o surgimento Cinemascope, vieram a surgir os processos Vistavision e Panavision (Câmera de 65mm, em Ben-Hur, 1959), e ainda o Techinirama 70mm, ambos formatos visavam transformar grandes produções em mega-espetáculos, e nada como filmes com temáticas históricas ou grandes épicos para fazer a alegria do público. Sem estas técnicas, é importante frisar que jamais existiria o formato Widescreen, que percorreria a grande maioria dos DVDS lançados no Mercado.

Henri Chrétien, inventor do "Sistema Hypergonar", que daria origem 30 anos depois ao surgimento do CinemaScope.

O curioso é que o Cinemascope já era um processo antigo antes mesmo de seu lançamento oficial em 1953. Engenhosamente, Darryl F. Zanuck (1902-1979), o chefão da 20th Century Fox, encontrou a solução para sobrepujar a concorrência com a televisão, quando lembrou do invento do francês Henri Chrétien (1879-1956), patenteado em 1927, com o nome de Sistema Hypergonar, que consistia basicamente numa câmara de lente anamórfica, capaz de criar imagens destinadas a uma tela duas vezes maior que a tradicional. Aperfeiçoando e "estereofonizado", o processo criado por Chrétien ressurgiu com o nome de Cinemascope, e rendendo uma fortuna aos cofres da Fox. E a nova técnica viria não somente para ficar, mas a influenciar outros formatos de tela. 

Divulgação

Com esta vitória da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana, que conseguiu com isto promover a volta do público para as grandes salas, O Manto Sagrado/The Robe ficou na história como o primeiro filme a ser lançado no formato Cinemascope, levando plateias no mundo inteiro aos cinemas, e um dos espetáculos mais exibidos nos feriados de Páscoa em muitos cinemas do Brasil (em alguns lugares, ficou em cartaz por quase 10 anos)- e também era filme garantido de toda Sexta-Feira Santa nas antigas exibições pela Sessão da Tarde da televisão . No entanto, é justamente no televisor que o filme perde drasticamente impacto visual, pois a telinha deforma o Cinemascope, perdendo os enquadramentos originais. 

Richard Burton como o tribuno romano Marcellus Gallio.
O épico de cunho religioso e bíblico versa nos últimos anos do reinado de Tibério (Ernest Thesiger, 1879-1961), quando Roma era a "Senhora do Mundo". Marcellus Gallio (Richard Burton, 1925-1984) é um jovem tribuno do império que está sempre envolvido com jogos ou mulheres. Além disto, tem rixa pessoal com Calígula (Jay Robinson, 1930-2013), o herdeiro do trono. A situação complica-se quando Marcellus oferece, em um leilão de escravos, a absurda quantia de três mil moedas de ouro por Demétrius de Corinto (Victor Mature, 1913-1999), um grego outrora trazido para a capital como prisioneiro de guerra e que também era disputado por Calígula no leilão.

Victor Mature como o escravo Demétrius de Corinto.
Jay Robinson como o insano imperador Calígula
Ao se ver derrotado por Marcellus, Calígula encara isto como uma afronta pessoal e então manda o tribuno ir servir imediatamente em Jerusalém, na Palestina, considerado o pior lugar do mundo. Entretanto, devido a motivos políticos, depois de curto período na "Terra Santa", Marcellus é chamado de volta por Tibério. 

Richard Boone como Pôncio Pilatos
Mas, antes de partir para Roma, Marcellus recebe de Pôncio Pilatos (Richard Boone, 1917-1981), procurador romano em Jerusalém,  a missão de supervisionar a execução de uma sentença: a crucificação de Jesus Cristo. Finda a tarefa, ele e outros soldados disputam em um jogo de dados a posse pelo manto vermelho usado por Jesus. Marcellus vence a aposta, mas o manto fica com Demétrius, pois quando Gallio tenta usar o manto, algo o aflige de forma indescritível. O escravo grego, que já tinha se tornado um cristão, tira-lhe o manto, dizendo que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre. Em seu retorno, o tribuno fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse.

Jean Simmons como Diana, a amada de Marcellus.

Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons, 1929-2010), a amada de Marcellus, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que o tribuno portava-se de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu em Jerusalém. Tibério acha que o oficial pode ter perdido a razão, mas quando Gallio atribui que a aflição que sente só aconteceu após cobrir-se com o manto de Jesus, então o adivinho da côrte conclui que o manto estava enfeitiçado e precisa ser destruído. Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno retorna à Palestina para destruir o manto e descobrir quem são os cristãos responsáveis por algum tipo de conspiração, mas esta viagem irá mudar profundamente sua vida.

Burton e Michael Rennie como São Pedro.
Pedro (Michael Rennie), o "Grande Pescador" e líder da Igreja, recebe Marcellus, ao lado de Justus (Dean Jagger)

Uma vez de volta a Palestina, em sua procura pelo manto, Marcellus vai à pequena vila de Caná, onde conhece Justus (Dean Jagger, 1903-1991) e Miriam (Betta St John, 1929-2023), dois exemplos de vida cristã.  Embora não acredite em algumas coisas que lhe falam, como a ressurreição de Cristo, o tribuno começa a ter dúvidas sobre suas crenças.  Justus lhe diz que conhece sua identidade e lhe informa que todos já o perdoaram, assim como Jesus o perdoou.  Logo depois, ao tentar convencer Marcellus do amor de Jesus pela humanidade, Miriam lhe diz que um dos seus discípulos, Simão Pedro (Michael Rennie, 1909-1971), conhecido como “O Grande Pescador”, acaba de chegar em companhia de seu companheiro grego, o próprio Demétrius.

Divulgação

Ao pedir o manto para ser queimado, Marcellus ouve de Demétrius que o problema dele não está no manto e sim em sua consciência, em seu coração, por ter crucificado o Messias.  Receoso, em princípio, mas encorajado por Demétrius, o tribuno termina abraçando o manto de Cristo e  livra-se de todas as suas angústias.

Diana e Marcellus
Em seguida, Marcellus é levado à presença de Pedro e termina convertendo-se ao cristianismo, passando a seguir o apóstolo.  Tempos de depois, Pedro e seus seguidores chegam à Roma e passam a viver nas catacumbas.  Com a morte de Tiberius, Caligula é o novo imperador e inicia uma perseguição implacável contra os cristãos.  Quando Demétrius é preso e torturado nos calabouços do palácio de Calígula, o tribuno decide libertá-lo, o que consegue com a ajuda de um grupo de homens.  Entretanto, durante a fuga, eles são perseguidos e, em benefício da liberdade do grupo, Marcellus atrai seus perseguidores, e se entrega. 

Demétrius (Victor Mature) se apossa do Manto Sagrado e se torna seu guardião...
...a ponto de quase sacrificar sua vida, mas é curado milagrosamente por Pedro (Michael Rennie).
Depois que Marcellus é capturado, Diana visita-o em sua cela e lhe implora para que renegue Jesus, a fim de salvar a si próprio, mas ele fala pra ela sobre o povo de Caná, que nunca renegou Jesus, apesar do perigo de ser seu seguidor.

Marcellus e Diana na côrte de Calígula (Jay Robinson).
Marcellus jura lealdade ao Império Romano, mas não abjuga Cristo
Marcellus é então levado a julgamento por traição, oportunidade em que confessa ser um cristão. Calígula ridiculariza as afirmações do tribuno de que o seu rei é o Rei do Céu, que acredita em amor, compaixão e caridade acima de tudo. Irritado por que Diana ainda prefere Marcellus a ele, Calígula faz com que a assembleia exija a morte do tribuno.

Marcellus e Diana levados para o pátio dos arqueiros, onde sofrerão 0 martírio (cena eliminada no filme).
Marcellus e Diana, a caminho da Eternidade.
Diana, movida pela crença apaixonada de Marcellus e repugnada pela tirania de Calígula, escolhe morrer com o homem que realmente ama.  O Manto Sagrado foi indicado para cinco categorias do prêmio Oscar em 1953, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Richard Burton. Mas acabou conquistando o Oscar por Melhor Cenografia em cores, e ainda, um Oscar especial pela novidade técnica que viria revolucionar para sempre toda estética do cinema. 

LLOYD C. DOUGLAS, autor do romance que originou o filme
A fita, dirigida por Henry Koster (1905-1988), foi baseada em romance publicado em 1942 por Lloyd C. Douglas (1877-1951). No Brasil, o romance foi publicado com o título de O Manto de Cristo A trilha sonora foi encarregada pelo Mestre Alfred Newman (1901-1971), de A Canção de Bernadete. Os direitos do romance chegou a ser comprado pela RKO estúdio, que no início dos anos de 1950, vendeu para 20th Century Fox, como veículo para Tyrone Power que interpretaria Marcellus, mas ele recusou o papel.

Victor Mature e Mae Marsh.
O Filme foi um estrondoso sucesso e foi ocasião ímpar em toda História da Cinematografia, pois todas as salas de cinema tiveram que ser reformadas para recepcionar o lançamento deste êxito das telas.  A Fox, que detinha os direitos do livro de Douglas, não sabia o que fazer com as demais 200 páginas do romance, e aproveitando o embalo do sucesso de The Robe, o estúdio resolveu fazer uma sequência da obra, em 1954. 

DEMÉTRIUS 
O GLADIADOR

Victor Mature repete o papel de Demetrius em DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES. Aqui com Ernest Borgnine.
Sob a direção de Delmer Daves (1904-1977) especialista em dramas e westerns (Galante e sanguinário), e repetindo Mature (Demétrius), Michael Rennie (São Pedro) e Jay Robinson (Calígula) nos seus respectivos papéis em O Manto Sagrado. Produzida por Frank Ross (1904-1990), que havia também produzido o filme anterior, realizou juntamente com o diretor Daves uma fita superior, porque substituiu a religiosidade melodramática de The Robe por exuberante ação física e estimulantes aspectos aventurescos (as sequencias de treinamento na arena e a luta de gladiadores no Coliseu são excelentes, com ótimos movimentos de câmera). 

Susan Hayward como Messalina. Na foto, com Mickey Simpson.
Michael Rennie volta a interpretar São Pedro em DEMETRIUS E OS GLADIADORES (1954).
Escrito por Philip Dunne (1908-1992) com base nos personagens de Lloyd C Douglas, o filme transcorre após a morte de Marcellus (Richard Burton) e Diana (Jean Simmons), ocorrida no desfecho de O Manto Sagrado. O cristão Demétrius, o guardião do manto de Cristo, é perseguido pelo imperador Calígula, sendo preso e feito gladiador na arena, comandada por Strabo (Ernest Borgnine, 1917-2012).

Demetrius perde a fé cristã e submete-se aos caprichos de Messalina.
Demetrius e sua amada Lucia (Debra Paget).
Quando sua amada Lucia (Debra Paget) entra em estado de choque ao risco de ser violentada por um dos gladiadores, Dardanius (Richard Egan, 1921-1987), Demétrius perde a fé e sucumbe aos encantos de Messalina (Susan Hayward, 1918-1975). Demétrius e os Gladiadores constitui um dos melhores espetáculos já realizado no cinema épico de aventuras. A trilha sonora é do renomado Franz Waxman (1906-1967), com base no repertório de Alfred Newman, o compositor original de The Robe.

O LANÇAMENTO DE “O MANTO SAGRADO” NO RIO DE JANEIRO

O MANTO SAGRADO foi lançado nos Estados Unidos em 24 de setembro de 1953, no Chinese Theatre, em Hollywood, inaugurando definitivamente o Cinemascope. Não demorou muito, a novidade chegou ao Brasil, repetindo o mesmo sucesso de Los Angeles. Não diferente também como ocorrido nas salas de cinema nos EUA, algumas salas aqui tiveram também que ser adaptadas para  a estreia de The Robe no Brasil, inclusive no Rio de Janeiro, a então Cidade Maravilhosa, que recebeu de braços abertos, tal como o Cristo Redentor, o monumento turístico da cidade, a sagrada fita estrelada por Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, e Michael Rennie, nos idos tempos que o Rio ainda era a capital da República. 

O MANTO SAGRADO - OCASIÃO DE GALA TAMBÉM NO RIO DE JANEIRO, CONFORME ANÚNCIO  NOS JORNAIS DA ÉPOCA DE SEU LANÇAMENTO, NAS SALAS CARIOCAS.

Divulgação pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1954.
O CINE-PALÁCIO no Centro do Rio de janeiro, teve suas instalações alteradas para a estreia, e finalmente, a 15 de abril de 1954, estreou O MANTO SAGRADO nas salas de projeção da cidade.
FICHA 
TÉCNICA
O MANTO SAGRADO
(The Robe)

País – Estados Unidos 

Ano – 1953

Gênero – Épico/Religioso 

Direção – Henry Koster

Produção – Frank Ross, para a 20th Century Fox 

Roteiro – Phillip Dunne e Gina Kaus (adaptação), com base no livro de Lloyd C. Douglas. 

Música – Alfred Newman 

Fotografia – Leon Shamroy, em Cores

Metragem – 135 minutos


elenco

RICHARD BURTON – Tribuno Marcellus Galio 

JEAN SIMMONS – Diana 

VICTOR MATURE – Demetrius de Corinto, o escravo 

MICHAEL RENNIE – São Pedro, o “Grande Pescador” 

JAY ROBINSON – Calígula 

TORIN THATCHER – Senador Galio 

DEAN JAGGER – Justus 

RICHARD BOONE – Pôncio Pilatos. 

BETTA St. JOHN – Miriam 

JEFF MORROW – Paullus, o centurião 

ERNEST THESIGER – Imperador Tibério 

DAWN ADDAMS – Junia 

LEON ASKIN – Abidou 

MICHAEL ANSARA – Judas Iscariotes 

FRANK DeCOVA – Escravo 

JOHN DOUCETTE – Soldado da esquadra 

SAM GILMAN – Capitão da esquadra 

MAE MARSH – Mulher idosa de Jerusalém que ajuda Demetrius

JAY NOVELLO – Tiro 

HAYDEN RORKE – Callus, licitante do leilão de escravos. 

HARRY SHEARER – o pequeno Davi 

PERCY HELTON – Caleb, o mercador de vinhos. 

DONALD  C. KLUTE – Jesus Cristo

SALLY CORNER – Cornelia, mãe de Marcellus

PAMELA ROBINSON – Irmã de Marcellus

ROSALIND IVAN – Julia, esposa de Tibério 

E

CAMERON MITCHELL – A Voz de Jesus no Calvário.




Um Convidado Bem Trapalhão (1968): Blake Edwards faz Peter Sellers promover uma festa de arromba!

UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO ( The Party ) , produzido em 1968, é considerada a comédia mais hilariante do eterno Peter Sellers (1925-19...