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sábado, 2 de dezembro de 2023

Sublime Tentação (1956): De William Wyler, Um Poema de Simplicidade, Ternura e Nobreza Humana aos Tempos da Guerra Civil Americana



SUBLIME TENTAÇÃO (Friendly Persuasion, 1956) é uma produção hollywoodiana premiada em 1957 com a Palma de Ouro no Festival Cinematográfico de Cannes, sob a direção sublime de William Wyler (1902-1981), que tantos sucessos possui em sua vasta filmografia. Sem a existência cruel ou a importância amarga de algumas realizações anteriores, Sublime Tentação é como um conto pastoral, um poema de simplicidade e ternura, de dedicação e nobreza humana, graças à suavidade de sua história, sendo um dos trabalhos mais inspiradores e menos teatrais do cineasta de Jezebel (1938), Chaga de Fogo (1951), e Ben-Hur (1959). Wyler concorreu com outros diretores em Cannes, como Ingmar Bergman (O Sétimo Selo), Robert Bresson (Um Condenado a Morte Escapou), e Federico Fellini (As Noites de Cabiria).

O cineasta William Wyler.
A escritora Jessamyn West, autora do romance SUBLIME TENTAÇÃO, publicado em 1945.
O roteirista Michael Wilson.
Com reminiscências de Sargento York (1941) dirigido por Howard Hawks, SUBLIME TENTAÇÃO combina lirismo e canto pastoral, mas os críticos americanos na época antipatizaram com a obra de Wyler, que não se deixou levar pelas opiniões e fez impor seu filme como uma de suas realizações mais criativas e marcantes. Extraída de livro publicado em 1945 pela escritora Jessamyn West (1902-1984), foi adaptada para o cinema por Michael Wilson (1914-1978), que não recebeu os créditos devidos, pois sua produtora, a Allied Artists (Um pequeno estúdio criado em 1946 e que esteve ativo até 1980, quando foi vendido para a Lorimar Poductions), negou-se a reconhecer um nome na lista negra do Macarthismo. Somente anos depois, quando Sublime Tentação foi lançado em DVD, Wilson teve seu nome inserido nos créditos, forma de reparar uma das maiores injustiças cometidas por Hollywood. A própria autora do livro serviu de consultora para o roteiro de Wilson.

A Família Birdwell: O patriarca Jess (Gary Cooper), a esposa Eliza (Dorothy McGuire), e os filhos Josh (Anthony Perkins), Mattie (Phyllis Love) e o caçula, o pequeno Jess (Richard Eyer)
Os Birdwell e um amigo da família, o Tenente Gard Jordan (Peter Mark Richman), interesse amoroso de Mattie (Phyllis Love)
SUBLIME TENTAÇÃO conta-nos sobre uma família Quaker (movimentação religiosa protestante de origem britânica surgida no século XVII, também conhecida como a “Sociedade dos Amigos” que prega a paz e se opõem ao uso da violência) numa fazenda do interior de Vernom, Indiana, em 1862, durante a Guerra Civil Americana. Jess Birdwell (Gary Cooper, 1901-1961), agricultor e comerciante, sua esposa Eliza (Dorothy McGuire, 1916-2001), e seus filhos: Josh (Anthony Perkins, 1932-1992), Mattie (Phyllis Love, 1925-2011), e o caçula Pequeno Jess (Richard Eyer). Toda a família vive dos princípios rígidos de sua religião que não admite que seus fiéis tenham pensamentos hostis para com o próximo. Por seguir esta linha de pensamento, é que os Birdwell nem imaginam como poderão sofrer quando o conflito chegar aos seus domínios. 

O Pequeno Jess em "perigo" com a ganso Samantha, um dos pontos cômicos de SUBLIME TENTAÇÃO (1956)

Uma das rotinas da Família Birdwell é ir nos cultos aos domingos...
...bem como ir ao parque nas tardes dos fins de semana, onde Jess sempre encontra seu amigo Sam Jordan (Robert Middleton).

Por enquanto, a vida para eles decorre num bucolismo rústico acolhedor, em que certos incidentes do cotidiano servem para quebrar a possível monotonia, como Jess a competir com seu amigo metodista Sam Jordan (Robert Middleton, 1911-1977) para ver qual cavalo dos dois é o mais veloz – ou mesmo o patriarca a discutir com a esposa Eliza por causa de um órgão, inadmissível para os Quakers, já que a crença não permite sequer ouvir ou tocar músicas sacras nas reuniões. Mas sem dúvida, a perseguição do filho mais novo dos Birdwell, o Pequeno Jess a uma ganso “inofensiva” de nome Samantha garante risadas e bom humor numa trama que direcionará brevemente ao drama.

Peter Mark Richman é o Tenente da União Gard Jordan...

...amigo da família que alerta da chegada das tropas sulistas a Vernon. Com isso...
...Josh, o filho mais velho dos Birdwell, toma iniciativa em pegar em armas para defender a propriedade da família, para a infelicidade dos pais, que conforme as convicções religiosas são contra a violência.
A paz não dura muito tempo, pois as tropas confederadas estão a caminho de Vernon. Josh, o filho mais velho dos Birdwell, influenciado por Gard Jordan (Peter Mark Richman, 1927-2021), enamorado de Mattie e que serve como tenente para as tropas da União, decide pegar em armas para defender sua comunidade contra as forças sulistas, decisão esta não bem recepcionada por seus pais. O pacifismo de Jess e Eliza contrasta com a decisão de Josh, mas os pais nada podem fazer. Josh parte para o conflito, onde é ferido. Jess, ao perceber que também não pode ficar de braços cruzados esperando pelos acontecimentos, trata de ir ao front tentar salvar a vida do filho, enquanto Eliza e o pequeno Jess enfrentam um grupo de soldados sulistas que invadem sua propriedade, quando ela não hesita nem em dar "vassouradas" em um dos rebeldes.

Gary Cooper como Jess Birdwell. Uma singeleza quase pueril, que parece retomar aos antigos personagens de Frank Capra.
O diretor Wyler (de óculos escuros) supervisionando uma cena com Cooper em SUBLIME TENTAÇÃO (1956)

William Wyler e Gary Cooper.
SUBLIME TENTAÇÃO é um espetáculo de emoções sutis e harmonizadas – drama e poesia, sentimentalismo e humor feérico – que recria um segmento da história americana, com honesta afeição e sensibilidade. Se as características formais  com que William Wyler narra a trama são daquelas dignas de um grande cineasta, não se pode cometer injustiças quando se disser que o desempenho do elenco é um dos pontos mais vitais e magistrais da película. Gary Cooper, irrepreensível como o patriarca Jess Birdwell, retoma a candura e singeleza quase pueril de um Longfellow Deeds ou John Doe, personagens marcantes do ator nos clássicos O Galante Mr Deeds (1936) e Adorável Vagabundo (1941), ambos de Frank Capra.  O diretor Wyler, a princípio, pensou em Bing Crosby para interpretar o chefe da família Quaker. Crosby não se interessou e Wyler foi atrás de Gary Cooper, que também não se interessou pelo papel, até que em 1956 o astro finalmente aceitou o trabalho, com a condição de ter Ingrid Bergman para a parte de Eliza, esposa de Jess. Devido a seus compromissos com as filmagens de Anastácia, a Rainha Esquecida (1956), a atriz sueca teve que recusar, sendo então outras atrizes convidadas para a parte, como Katharine Hepburn, Jane Wyman, Vivien Leigh, Eleanor Parker e Maureen O’Hara. Nenhumas delas aceitou o papel, até que Dorothy McGuire foi contratada para personificar Eliza Birdwell. 

Para salvar o filho no front, Jess terá que enfrentar o inimigo. Será que ele liquidará este confederado?
Anthony Perkins estreando em um papel importante, como Josh Birdwell, um jovem sensível que mesmo contrário a guerra não hesitará em lutar pela segurança de sua família.
Eliza se comove com a decisão do filho mais velho de partir para o conflito na Guerra Civil Americana.
Consta que Cooper, insatisfeito com o que viu nas diversas etapas de filmagem, se desinteressou de tal forma pelo filme que nunca o assistiu. Decerto não passa de um exagero a autocrítica do astro achando que não tenha se saído bem como o cético e por vezes sarcástico Jess Birdwell. Mas é graças a atuação do veterano ator que SUBLIME TENTAÇÃO deve muito de sua graça e emoção, e esta é uma de suas excelentes interpretações.  A interação de Wyler com o resto do elenco pode ser medido com o desempenho dos atores coadjuvantes, onde entre eles merece destaque a ganso “Samantha”, que chega a ser sem dúvida notável. O filme também introduziu o então iniciante Anthony Perkins, ainda não marcado pelo papel mais famoso de sua carreira, o psicopata Norman Bates no clássico Psicose (1960) de Alfred Hitchcock.

Edição americana do livro SUBLIME TENTAÇÃO, de Jessamyn West, lançada originalmente em 1945.
LP original do filme SUBLIME TENTAÇÃO editado nos Estados Unidos, com a canção interpretada por Pat Boone.

Dorothy McGuire e Gary Cooper, o casal maduro de SUBLIME TENTAÇÃO (1956).
SUBLIME TENTAÇÃO concorreu aos Oscars de Melhor Filme, Direção (William Wyler), Roteiro Adaptado (Michael Wilson), Ator Coadjuvante (Anthony Perkins), e Canção (a famosa I Thee I Love, interpretada por Pat Boone). Destaque para o comovente score musical do Mestre Dimitri Tiomkin (1899-1979), e a foto a cores de Ellsworth Fredericks (1904-1993). 

Divulgação

SUBLIME TENTAÇÃO chegou com empolgação nas salas do Rio de Janeiro em 1957, motivado pela premiação do filme no Festival de Cannes. Notem o nome de Anthony Perkins como uma das grandes promessas do cinema. 
Sem dúvida, SUBLIME TENTAÇÃO é um filme esplendido, onde um cineasta de talento recriou com habilidade e afeto um dos pontos mais dramáticos da história dos Estados Unidos, a Guerra Civil Americana (1861-1865), aliás, as cenas de confronto são as melhores já vistas no cinema desde A Glória de Um Covarde, de John Huston e estrelado por Audie Murphy, realizado em 1951. Um dos grandes clássicos do cinema que merece ser visto, sem reservas, por ambos os públicos e por todas as gerações.


SUBLIME

TENTAÇÃO

(Friendly Persuasion)

Nacionalidade: EUA
Ano de Produção: 1956
Gênero: Drama
Direção: William Wyler
Produção: Robert Wyler e William Wyler, para a Allied Artists, em distribuição.
Roteiro: Michael Wilson, baseado no romance de Jessamyn West.
Fotografia: Ellsworth Fredericks (em cores)
Música: Dimitri Tiomkin, com a canção I Thee I Love, Interpretada por Pat Boone.
Metragem: 136 minutos.

ELENCO 
Gary Cooper – Jess Birdwell
Dorothy McGuire – Eliza Birdwell
Anthony Perkins – Josh Birdwell
Robert Middleton – Sam Jordan
Phyllis Love – Mattie Birdwell
Richard Eyer - Pequeno Jess Birdwell
Peter Mark Richman – Gard Jordan
Walter Catlett – Professor Quigley
Richard Hale – Purdy
Joel Fluellen – Enoch
Theodore Newton – Major Harvey
John Smith – Caleb Cope
Edna Skkiner – Opal Hudspeth
Marjoire Durant – Pearl Hudspeth
Frances Farwell – Ruby Hudspeth
Marjoire Main – A Viúva Hudspeth
Samantha, a ganso – ela mesma. 

A Magnífica música interpretada por Pat Boone, "Sublime Tentação".






sábado, 2 de setembro de 2023

Sargento York (1941): Obra Bélica com Misto de Canto Pastoral, com Gary Cooper Arrebatando seu Primeiro Oscar, Com Direção de Howard Hawks



1941 foi o ano do ataque japonês à Pearl Harbor, o que motivou a entrada dos Estados Unidos na II Guerra no ano seguinte. Entretanto, 1941 foi também o ano do lançamento de SARGENTO YORK (Sergeant York, 1941), dirigido e produzido pelo lendário Howard Hawks (1896-1977). A história real de Alvin C. York (1887-1964), fazendeiro do Tennessee, homem pacato, pacifista e religioso, que acaba se conscientizando da importância da guerra, tornando-se herói da I Guerra Mundial (1914-1918)e o soldado americano mais condecorado do conflito, matando 25 soldados alemães e capturando sozinho outros 132 inimigos. York compreende que, para conquistar a paz e a liberdade, às vezes pode ser preciso lutar com armas nas mãos.

O Verdadeiro Sargento Alvin C. York (1887-1964)
York era um herói democrático, e a obra de Hawks fez questão de frisar que não há nenhuma noção aristocrática e nem hierarquia implicada em seu conceito de democracia. Alvin York, a quem o povo americano rendeu entusiásticas homenagens, era um homem simples e bastante comum, um camponês rústico e laborioso, com noção rígida do dever, que dava a sua honestidade estrutural uma feição muito marcada de puritanismo.  Em seu retumbante heroísmo no front, York não agiu levado por desejo de fama ou egocentrismo, e mesmo com o fim do conflito, seus ideais religiosos e ideológicos permaneceram os mesmos, onde deixou até mesmo  de aceitar pompas maiores, regressando a vida que sempre desejou: seus trabalhos rurais nos campos do Tennessee. 

O Cineasta Howard Hawks
Justamente por essa defesa do conceito democrático do herói e pela sua justificação ideológica da guerra, é que Sargento York age também como um filme de propaganda. A circunstância, no entanto, não lhe prejudica o mérito artístico e técnico. Trata-se de uma obra prima vista pela ótica de seu realizador, ou então, pela primorosa atuação do elenco. Howard Hawks realizou um filme autoral, principalmente pelo ritmo que nunca é acelerado e se mantém num compasso mais ou menos retardado, para se ajustar aos efeitos psicológicos do personagem, lento nas suas reações. 

Gary Cooper viveu o SARGENTO YORK (1941) no cinema
Há cenas magníficas na fita de Hawks, merecendo destaque como as mais belas e bem realizadas no cinema, através do ângulo da emoção, como as que seguem com a conversão de York, que nem sempre fora um homem pacífico e religioso. No começo, Alvin era um arruaceiro e bêbado, que arranjava confusões nos campos do Tennessee, para desgosto da mãe, uma mulher religiosa. A rebeldia e a fúria de York só são aplacadas quando, em certa noite chuvosa, um raio atinge seu rifle, sem que Alvin e seu burro em que estava montado fossem feridos. Ao ver o estado do rifle destruído, York interpretou isto como um sinal divino. Imediatamente, se dirige a um culto, onde é recebido e abençoado pelo pastor local. É daí, como em muitas outras sequencias que dão brilhantismo ao filme, é que a fita de Hawks impõe-se com admirável coerência, onde as cenas são articuladas com muita habilidade pelo diretor.

Alvin York (Gary Cooper), bom com um rifle bem antes de ingressar na guerra
Há sequencias que já parecem pré-anunciar outras passagens do filme. A cena inicial com o sermão baseado na parábola da ovelha perdida do Evangelho de Lucas - Capítulo 15 e versículos de 1 ao 7- prepara a cena de conversão do personagem principal. O concurso de tiro, onde Alvin abate um peru, já antecipa o que ele fará com os alemães no front. Destarte, SARGENTO YORK mostra uma feliz harmonia de conjunto, onde se tem uma aventura bélica adicionada a um canto pastoral com importante mensagem de fé, esperança, patriotismo, coragem, e otimismo – valores importantes para os americanos no então momento, que atravessavam os horrores da II Guerra Mundial.

O Fotógrafo Sol Polito
O Compositor Max Steiner
SARGENTO YORK foi levado às telas sob uma equipe técnica para ninguém botar defeito. Além da direção perfeita de Hawks, o cineasta John Huston (1906-1987) colaborou com o script (outros roteiristas foram Howard Koch, Harry Chandlee e Abem Finkel), que teve como base dois livros sobre York e no diário de guerra do próprio biografado. Max Steiner (1888-1971) contribuiu com a trilha sonora, e Sol Polito (1892-1960) com a magistral fotografia em preto & branco, maculada anos depois quando resolveram colorizar o filme por computador para a TV na década de 1980.

A Família de York: a mãe (Margaret Wycherly) e os irmãos George (Dickie Moore) e Rosie (June Lockhart).
A trama
Em 1916, no Tennessee, Alvin York (Gary Cooper) vive com sua mãe (Margaret Wycherly, 1881–1956) e os irmãos mais jovens, George (Dickie Moore, 1925-2015) e Rosie (June Lockhart), numa fazenda cujas terras não são boas para cultivo.  Juntamente com os amigos Ike Botkin (Ward Bond, 1903-1960) e Buck Lipscomb (Noah Beery Jr, 1913-1994), Alvin se mete em brigas e bebedeiras. Quando se apaixona pela bela Gracie Williams (Joan Leslie), York lhe diz que vai trabalhar para conseguir uma boa fazenda e, assim, poder casar-se com ela.  Ao participar de um concurso de tiro ao alvo, York ganha todos os prêmios, mas fica desapontado ao saber que Zeb Andrews (Robert Porterfield, 1905-1971), um fazendeiro um pouco mais abastado, comprara as terras que ele tinha em vista. Furioso, pretende matar Zeb em certa noite chuvosa, mas um raio atinge seu rifle sem feri-lo, e Alvin interpreta isso como um sinal de Deus. Ajudado pelo pastor Rosier Pile (Walter Brennan, 1894-1974), ele se volta para a religião, e assim, o antes arisco e encrenqueiro Alvin York torna-se um homem pacífico e responsável.

York (Gary Cooper) com o amigo de farras e bebedeiras Ike Botkin (Ward Bond, em um desempenho bem humorado).
O Pastor Rosier Pile (Walter Brennan) e outros tentando conter a ira de Alvin (Gary Cooper).
Alvin se interessa por Gracie Williams (Joan Leslie).
Quando os Estados Unidos entram na I Guerra Mundial, Alvin encontra-se ensinando a Bíblia para um grupo de crianças.  Inicialmente, resiste à ideia de se alistar, pois matar é contra seus princípios religiosos.  Entretanto, aconselhado pelo pastor Pile, ele se despede da família e de Gracie, e se alista no exército. Durante os treinamentos, sua habilidade com o rifle chama a atenção do Oficial Comandante.  No entanto, ele recusa uma promoção, justificando que matar é contra seus princípios bíblicos.  O Oficial lhe entrega um livro sobre a história dos Estados Unidos, com informações sobre Daniel Boone e outros homens que, no passado, lutaram pela liberdade, e lhe dá uma licença de 10 dias para que ele o leia e pense a respeito. Depois de ler o referido livro, ele retorna ao exército convencido de que, muitas vezes, as pessoas devem lutar pela liberdade e pela Pátria.  Assim, após o período de treinamento, ele segue para o front, na França.

Alvin acaba aderindo a religião, se tornando um cristão convicto e pacifista.
Mesmo motivado pelas convicções religiosas, Alvin é obrigado a se alistar no Exército e lutar na guerra. Para isso, ele tem como conselheiro o Pastor Rosier Pile (Walter Brennan), que o orienta a como servir à Deus e a Pátria.
No front, York tem como companheiros de luta "Pusher" Ross (George Tobias) e o Sargento Early (Joe Sawyer).
Em 8 de outubro de 1918, quando da ofensiva de Argonne, França,  Alvin York mata 25 alemães com 25 tiros e consegue capturar outros 132 soldados.  O então soldado é promovido a Sargento York e agraciado com a Medalha de Honra. Ao terminar a guerra, Alvin retorna à sua terra e aos braços de sua amada Gracie.  Uma vez lá, recebe do Estado do Tennessee, a título de doação, uma boa fazenda, como gratidão por seus atos de heroísmo e patriotismo.

Gary Cooper, um Campeão de Ouro da Academia!

O OSCAR PARA
GARY COOPER
Gary Cooper (1901-1961) era então o astro mais popular e requisitado em Hollywood no início da década de 1940, e estava sob contrato de Samuel Goldwyn (1879-1974) pela United Artists. A popularidade de Cooper era tanta que seu salário era maior até que o do Presidente dos Estados Unidos. Entretanto, seria a Warner a rodar o filme baseado nos feitos e heroísmo do Sargento Alvin. C. York

O verdadeiro Sargento York e sua mãe, em 1918.
O casamento do Sargento Alvin York e Grace Williams, tendo o governador do Estado do Tenneesse como testemunha, em 1919.
O Produtor Jesse L. Lasky promove o encontro entre Gary Cooper e Alvin C. York.
O verdadeiro Alvin York já tinha quase 55 anos quando SARGENTO YORK foi lançado nos cinemas americanos. Entretanto, uma cinebiografia sobre o herói já era planejada desde 1919 pelo produtor Jesse L. Lasky (1880-1958), com York fazendo o próprio papel, mas na ocasião ele recusou, alegando que sua farda “não estava à venda”. Na época em que vivia como um jovem fazendeiro no Tennessee e recrutado para o exército, Alvin tinha cerca de 20 e 21 anos de idade, e a Warner buscava astros mais próximos para desempenhar o biografado – entre eles Henry Fonda, Ronald Reagan (este mais de preferência com o estúdio), e James Stewart. Mas Alvin York reprovou todos os três e veio com a exigência de que o filme baseado em sua vida e em seus feitos gloriosos na I Guerra Mundial só seria rodado se Gary Cooper fizesse seu papel.  O mesmo Lasky estaria por trás da produção, juntamente com Hal B. Wallis e o diretor Howard Hawks.

Bette Davis visitou o amigo Gary Cooper no set de filmagem de SARGENTO YORK (1941).
Samuel Goldwyn.
A princípio, Cooper ficou com receio de interpretar uma celebridade que ainda estivesse viva e relutou bastante em pegar o papel. E ainda havia outro problema, porque Gary não era um ator contratado pela Warner e sim dos estúdios de Samuel Goldwyn. Mas após longas negociações entre os executivos da Warner e os executivos de Samuel Goldwyn, ficou resolvida que a empresa de Goldwyn cederia para Warner Brothers Gary Cooper para fazer Sargento York, e em troca, a contraparte emprestaria sua estrela de maior constelação, Bette Davis, para fazer Pérfida (The Little Foxes, 1941) de William Wyler, a ser realizado pela companhia de Samuel Goldwyn e distribuído pela RKO.

Gary Cooper e Alvin C. York.
Cooper, que já tinha 40 anos, era considerado velho para viver um jovem matuto do Tennessee, mas isto não impediu que o verdadeiro York requisitasse o astro para desempenhar seu papel, pois segundo palavras do próprio biografado, somente Gary Cooper exercia este poder. York participou como consultor técnico e acompanhou inúmeras filmagens ao lado de Howard Hawks. Mas certo dia, um membro da equipe, sem o menor tipo de noção ou tato, lhe perguntou quantos alemães ele havia matado. York começou a soluçar de forma tão veemente que acabou passando mal no set de filmagem. Este membro da equipe só não foi demitido porque, de forma muito nobre, York pediu que não o despedissem.

Joan Leslie, de 16 anos, viveu a personagem Gracie Williams, namorada de York.
Além da exigência de ter Gary Cooper fazendo seu papel, Alvin York ainda exigiu que parte das rendas do filme fosse beneficiada para a escola bíblica que ele havia construído no Tennessee, e que nenhuma atriz adepta do tabagismo interpretasse Gracie, sua esposa, muito embora Ann Sheridan e Jane Russell, fumantes inveteradas, fossem consideradas para o papel. A parte da esposa do biografado recaiu para a jovem Joan Leslie (1925-2015), então com 16 anos, a mesma idade da verdadeira Gracie na época em que namorava York. 

Alvin York se torna o bastião de seu pelotão durante a Primeira Guerra Mundial...
matando 25 soldados alemães e capturando outros 132. Por sua bravura e coragem demonstradas no front...
SARGENTO YORK recebe as maiores condecorações e honras concedidas à um herói.
Cineastas como Victor Fleming, Michael Curtiz, Henry Koster e Norman Taurog recusaram-se a dirigir o filme antes mesmo que o projeto fosse oferecido a Howard Hawks, que aprovou a atuação de Gary Cooper, sendo o diretor um dos grandes responsáveis pela sua indicação para um prêmio na Academia. A festa anual da premiação da Academia de Hollywood havia sido cancelada, pois dois meses antes, com o ataque a Pearl Harbor pelos japoneses, os Estados Unidos entraram na II Guerra. Mas Bette Davis, que era então presidente da Academia naquele ano, resolveu abrir a cerimônia para o público, vender entradas, e entregar os prêmios num grande auditório, e doar os lucros a Cruz Vermelha. Os diretores do evento, no entanto, acharam que, apesar da Guerra, a cerimônia deveria continuar, sendo privativa da indústria cinematográfica. Bette não concordou com isso e prontamente pediu renúncia do cargo. Ao jantar, compareceram 1.600 pessoas – recorde até então.

O regresso do Sargento Alvin York (Gary Cooper) aos Estados Unidos, e ao seio da família.
De volta ao lar, o Sargento York (Gary Cooper) recebe mais honrarias e condecorações.
Gary Cooper recebe sua primeira premiação ao Oscar nas mãos do Tenente James Stewart (que estava servindo na II Guerra) por seu desempenho como o SARGENTO YORK (1941).

E SARGENTO YORK concorreu para sete indicações: melhor filme, melhor diretor (Howard Hawks), melhor ator (Gary Cooper), melhor ator coadjuvante (Walter Brennan), melhor atriz coadjuvante (Margaret Wycherly), melhor montagem, e melhor roteiro adaptado. E o filme foi premiado com duas estatuetas: Melhor montagem (William Holmes, 1904-1978) e melhor ator do ano para Gary Cooper, que conquistou seu primeiro Oscar (o segundo viria 11 anos depois, por sua performance em Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann). Ao receber a premiação das mãos de James Stewart, que então estava servindo como Tenente da Força Aérea e que havia vencido no ano anterior por seu papel em Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story), Gary Cooper dedicou o prêmio ao verdadeiro Sargento York, que estava na plateia. Cooper lamentou não poder ter se alistado na II Guerra como os demais astros de sua época devido à idade e a uma antiga lesão em seu quadril, mas sentiu que seu desempenho em SARGENTO YORK foi uma forma de contribuir para a causa. Cooper ainda ganhou pelo papel o Prêmio da Crítica de Nova York em 1941. 


DIVULGAÇÃO

Gary viria a dizer tempos depois:

- O Sargento Alvin C. York e eu tínhamos algumas coisas em comum antes mesmo que eu pudesse interpreta-lo: nós dois fomos criados nas montanhas. Ele vem das montanhas do Tennessee e eu das montanhas de Montana, e ambos aprendemos a andar e a atirar como parte do crescimento. “Sargento York” me deu um Oscar, mas não é por isso que seja meu filme favorito. Eu gostei do papel porque, no fundo, eu retratava um ícone que simbolizava o caráter e a grandeza dos Estados Unidos.

O Herói real e seu intérprete nas telas.
A estreia americana de SARGENTO YORK foi em Nova York, a 2 de julho de 1941, tendo como anfitriões Gary Cooper e o próprio Alvin. C. York. No Brasil, a obra de Howard Hawks chegou aos nossos cinemas em 1943, onde o público brasileiro prestigiou a quieta e energética atuação de Gary Cooper. Sua atuação foi base de um filme de inteligente manipulação a favor da causa americana na II Guerra, mas ao mesmo tempo, se tornou um delicioso entretenimento com misto de drama pastoral adicionada à uma eletrizante aventura bélica aos moldes da era de ouro de Hollywood.

O busto do Sargento Alvin C. York, no Tennessee.
E o autêntico Alvin Cullom York morreu em sua casa, em Nashville, Tennessee, a 2 de setembro de 1964, três anos depois da morte de Gary Cooper, seu intérprete no cinema, deixando sua esposa Gracie (falecida em 1984) e sete filhos. 

Divulgação do filme pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1943.



Poster Divulgatório


País – Estados Unidos

Ano – 1941.

Gênero: Guerra/Biográfico

Direção: Howard Hawks.

Produção: Howard Hawks, Jesse Lasky, e Hal B. Wallis, para a Warner Brothers.

Roteiro: John Huston, Abem Finkel, Harry Chandlee, e Howard Koch, baseado no diário de Guerra do Sargento Alvin C. York.

Música: Max Steiner.

Fotografia: Sol Polito, em Preto & Branco.

Edição: William Holmes.

Metragem: 135 minutos.

Divulgação mexicana

Gary Cooper como o SARGENTO YORK (1941)


Gary Cooper -  Alvin C. York
Walter Brennan - Pastor Rosier Pile
Joan Leslie      - Gracie Williams
George Tobias - Ross
Stanley Ridges -    Major Buxton
Margaret Wycherly      - Mãe de Alvin York
Ward Bond - Ike Botkin
Noah Beery Jr. - Buck Lipscomb
June Lockhart - Rosie York
Dickie Moore - George York
Clem Bevans - Zeke
Joe Sawyer      - Sgt. Early
Gig Young - Soldado
Harvey Stephens - Capt. Danforth
Carl Esmond - Major alemão
Pat Flaherty - Sgt. Harry Parsons
Frank Wilcox - Sargento
Charles Middleton - Alpinista
Charles Trowbridge - Cordell Hull
David Bruce - Bert Thomas
Robert Porterfield - Zeb Andrews
Erville Alderson - Nate Tomkins
Tully Marshall- Tio Lige
Douglas Wood - Major Hylan


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