domingo, 9 de abril de 2023

Fugindo do Inferno (1963): Baseado em Fatos Reais, Uma Referência dos Espetáculos de Ação

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Sabe-se que durante a II Guerra Mundial (1939-1945), o regulamento militar exigia dos oficiais capturados pelos inimigos o máximo empenho em fugir, ou caso isso fosse impossível, atrapalhar a vigilância rotineira dos campos de concentração. Para imobilizar os prisioneiros aliados que já tinham tentado fugir de outros campos da Gestapo e da SS, os nazistas criaram a Stalag Luft III, o mais vigiado dos campos de concentração militar. Pois foi justamente ali, diante do nariz de guardas alemães que fiscalizavam 24 horas por dia, que se concretizou a mais espetacular, ousada e espantosa fuga em massa que se tem notícia nos registros históricos de guerra.

Paul Brickhill, aviador que testemunhou os eventos da audaciosa fuga e que escreveu o livro The Great Escape, dando origem ao filme.
O roteirista James Clavell
O cineasta John Sturges
Paul Brickhill (1916-1991), testemunha ocular do evento, estava confinado no campo, mas não participou da fuga. Entretanto, reconstituiu a façanha dos fugitivos em um livro que os roteiristas James Clavell (1921-1994) e W. R. Burnett (1899-1982) adaptaram em 1962 para o cinema – FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape, 1963). Um mega-superespetáculo de 168 minutos de projeção, produzido e dirigido por John Sturges (1910-1992), resultando em uma das mais vibrantes aventuras de guerra da história do cinema, onde o diretor pôde repetir com sucesso a tensão temperada com farsa e deboche de seu trabalho anterior, Sete Homens e Um Destino (1960), do qual além de tomar o tom da narrativa, reutilizou três atores (Steve McQueen, James Coburn e Charles Bronson), e o repertório do compositor Elmer Bernstein (1922-2004). 

O diretor Sturges, com três dos astros do filme: Steve McQueen, James Coburn e Charles Bronson, que atuaram para o cineasta em Sete Homens e Um Destino, em 1960.
A chegada dos aliados ao campo de concentração.

Aparentemente, FUGINDO DO INFERNO não apresenta novidades em sua narrativa, já que foram contadas inúmeras vezes no cinema mais ou menos os mesmos incidentes (Inferno 17, de Billy Wilder, 1953). Mas o que dá força dramática a obra de Sturges para prender o interesse do público é a esplendida qualidade técnica do cineasta. Sem recorrer a efeitos especiais ou visuais extraordinários, atendo-se apenas aos recursos comuns da linguagem cinematográfica, Sturges narra sua história com um sentido dinâmico de reportagem, empregando um estilo cuja sobriedade tem suficiente impacto para levar o espectador à emoção. 
O diretor John Sturges dando um "retoque" no astro Steve McQueen.

Talvez a menor falha, mas percebível, em FUGINDO DO INFERNO, seja ela abordar apenas superficialmente a psicologia dos prisioneiros de guerra. O público fica apenas sabendo que é o dever de um oficial tudo fazer para escapar da prisão a fim de embaraçar e manter o inimigo ocupado da sua guarda. A obra de Sturges não explora convenientemente esse ângulo, fixando-se exclusivamente na execução do plano de fuga.  Assim, FUGINDO DO INFERNO  conta-nos a história de um ousado plano de fuga executado por um grupo de aviadores aliados recolhidos a um campo de concentração nazista, e que terminou irônica e dramaticamente num atentado a dignidade humana.

Bartlett "Operador X" (Richard Attemborough) é a mente e o chefe de tão audaciosa fuga.
John Leyton e Charles Bronson são os "Reis dos Túneis".

Charles Bronson é Denny, um dos "Reis dos Túneis", que apesar de sua perícia, é o mais amedrontado do grupo, pois sofre de claustrofobia.
Os fatos, incrivelmente surpreendentes, ocorreram de forma verídica. Em 1942, cerca de 600 oficiais britânicos e americanos da Força Aérea, detidos no Stalag Luft III, inconformados com a captura, passaram quase um ano preparando a fuga através de três túneis cavados dez metros abaixo do solo, com extensão superior a cem metros cada. Os oficias aliados estavam indignados com a prisão não porque foram extirpados de sua liberdade, mas porque de acordo com seu pensamento, a briga lá fora estava boa. A operação de fuga foi logo alcunhada de Operação X. Enquanto um grupo se revezava dia e noite nas escavações, outro forjava passes e documentos, manufaturavam mapas, e numa alfaiataria clandestina, faziam de velhos uniformes rasgados, trajes civis, e isto porque o problema maior existia após passar pela cerca de arame farpado: a perseguição massiva dos nazistas por toda a Alemanha, através dos canais de comunicação existentes, e também pelas rodovias e estradas de ferro.

Richard Attemborough é o "Operador X".
James Garner é Hendley 'The Scrounger'
Donald Pleasence é Blythe 'The Forger'
Como resultado de tão empenhada façanha que exigiu tanta perseverança, otimismo e engenho, o sucesso da operação foi parcial. Dos 250 prisioneiros escalados para a evasão, apenas 76 conseguiram atravessar o túnel. Quase todos, menos dois – recolhidos por um cargueiro do Mar do Norte – acabaram recapturados, e 50 foram sumariamente fuzilados, depois de uma fantástica caçada que mobilizou o surpreendente número de cinco milhões de alemães. 

O grupo preparando o terreno para a fuga audaciosa.
Steve McQueen é Hilts 'The Cooler King", isto porque sempre carrega uma luva e uma bola de Beisebol. O mais ousado e indisciplinado do grupo, que enfrenta diretamente... 
... os oficiais nazistas.
Três etapas dividem a narrativa: a chegada dos prisioneiros e o reconhecimento do campo; a preparação e a execução da fuga subterrânea; a dispersão dos fugitivos e a busca impiedosa em todas as vias e saídas pelos nazistas. Mas é a última fase a mais eletrizante de todas, graças aos desatinos de Hilts The Cooler King, o mais rebelde e indisciplinado do grupo, personagem vivido por Steve McQueen (1930-1980), que com motocicleta dispara pelos montes suíços.

Hendley e Blythe conseguem escapar do campo de concentração.

David McCallum é Ahsley The Pit 'Dispersal'

A proeza de Steve McQueen com a motocicleta em FUGINDO DO INFERNO (1963). O ator dispensou dublês para a cena.

O elenco é todo masculino. Além dos já despontados McQueen, James Coburn (1928-2002), e Charles Bronson (1921-2003) – este o mais amedrontado dos fugitivos – temos Richard Attemborough (1923-2014) como o chefe da Operação X; Donald Pleasence (1919-1995), James Garner (1928-2014), David McCallum (1933-2023), James Donald (1917-1993), John Leyton e Jud Taylor (1932-2008). Locações autênticas na Baviera emolduraram a espetaculosidade deste grande campeão de bilheteria nos cinemas (no Brasil, chegou em julho de 1964). 

Apesar da tão bem sucedida fuga do campo de concentração, Hendley é ferido e recapturado, e seu amigo Blythe morto pelos nazistas.
O 'Operador X', idealizador da fuga, também não teve sorte.
FUGINDO DO INFERNO (1963): um grupo de aviadores aliados recolhidos a um campo de concentração nazista, e que terminou irônica e dramaticamente num atentado a dignidade humana.
Quando exibido pela TV americana na década de 1970, registrou 31.3 pontos de audiência, e até hoje, além de ser uma referência nos cinematográficos espetáculos de ação, é uma das películas mais apreciadas e assistidas da história, o que corrobora sua qualidade de cinema de aventura, mesmo passados mais de 60 anos de seu lançamento.  Em 1988, um dos atores do clássico, Jud Taylor, junto ao cineasta Paul Wendklos, realizaram para a televisão uma sequencia da trama – FUGINDO DO INFERNO II – A VERDADEIRA HISTÓRIA (The Great Escape II – The Untold Story), com Christopher Reeve e Donald Pleseance, que também participou do filme de 1963.

Em cartaz no Rio de Janeiro em julho de 1964.

Ficha 

Técnica


Poster Original

Fugindo do 

inferno

(The Great Escape)

PAÍS – ESTADOS UNIDOS. 

ANO – 1963

GÊNERO - GUERRA/AÇÃO 

DIREÇÃO – JOHN STURGES. 

PRODUÇÃO – JOHN STURGES, JAMES CLAVELL e WALTER MIRISCH para a UNITED ARTISTS. 

ROTEIRO – JAMES CLAVELL e W. R. BURNETT, baseado no livro The Great Escape, de PAUL BRICKHILL. 

FOTOGRAFIA – DANIEL L. FAPP, em CORES. 

MÚSICA – ELMER BERNSTEIN. 

TEMPO DE PROJEÇÃO – 168 MINUTOS.


Steve McQueen

ELENCO

STEVE McQUEEN – HILTS “THE COOLER KING” 

JAMES GARNER – HENDLEY “THE SCROUNGER” 

RICHARD ATTEMBOROUGH – BARTLETT “OPERADOR X” 

JAMES DONALD – RAMSEY “THE SBO” 

CHARLES BRONSON – DANNY “O REI DO TÚNEL 1”

DONALD PLEASENCE – BYTHE “THE FORGER”

JAMES COBURN – SEGDWICK “MANUFACTURER” 

HANNES MESSEMER – VON LUG “THE KOMMANDANT” 

DAVID MAcCALLUM- ASLHEY PIT “DISPERSAL” 

GORDON JACKSON – MaCDONALD “INTELIGENCE” 

JOHN LEYTON – WILLIE “O REI DO TÚNEL 2” 

JUD TAYLOR – GOFF

WILLIAM RUSSELL – SORREN 

LAWRENCE MONTAIGNE – HAYNES 

KARL – OTTO ALBERTY – OFICIAL NAZISTA

Por Paulo Telles, direto do Cinema Com Poesia. 







sábado, 1 de abril de 2023

O Manto Sagrado (1953): O Filme Cuja Técnica Revolucionou Para Sempre a Estética do Cinema

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Há mais de 70 anos, o primeiro filme rodado no processo Cinemascope surgiu para botar a televisão no escanteio. Tudo porque este então novo veículo de comunicação ameaçava o cinema, e as salas de exibição tornavam-se cada vez mais vazias. O conforto de ver televisão em casa provocava medo na indústria de filmes, e donos de estúdios, produtores, cineastas e diversos artistas, mobilizavam-se para não perderem concorrência com a telinha.

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Parecia que a Sétima Arte estava com seus dias contados e fadada a um fim irremediável. No entanto, os recursos que grandes produtores e engenheiros encontraram para evitar a "extinção do cinema" e perder a concorrência com a TV foi expandir o formato de seus filmes. Devemos lembrar que, após o surgimento Cinemascope, vieram a surgir os processos Vistavision e Panavision (Câmera de 65mm, em Ben-Hur, 1959), e ainda o Techinirama 70mm, ambos formatos visavam transformar grandes produções em mega-espetáculos, e nada como filmes com temáticas históricas ou grandes épicos para fazer a alegria do público. Sem estas técnicas, é importante frisar que jamais existiria o formato Widescreen, que percorreria a grande maioria dos DVDS lançados no Mercado.

Henri Chrétien, inventor do "Sistema Hypergonar", que daria origem 30 anos depois ao surgimento do CinemaScope.

O curioso é que o Cinemascope já era um processo antigo antes mesmo de seu lançamento oficial em 1953. Engenhosamente, Darryl F. Zanuck (1902-1979), o chefão da 20th Century Fox, encontrou a solução para sobrepujar a concorrência com a televisão, quando lembrou do invento do francês Henri Chrétien (1879-1956), patenteado em 1927, com o nome de Sistema Hypergonar, que consistia basicamente numa câmara de lente anamórfica, capaz de criar imagens destinadas a uma tela duas vezes maior que a tradicional. Aperfeiçoando e "estereofonizado", o processo criado por Chrétien ressurgiu com o nome de Cinemascope, e rendendo uma fortuna aos cofres da Fox. E a nova técnica viria não somente para ficar, mas a influenciar outros formatos de tela. 

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Com esta vitória da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana, que conseguiu com isto promover a volta do público para as grandes salas, O Manto Sagrado/The Robe ficou na história como o primeiro filme a ser lançado no formato Cinemascope, levando plateias no mundo inteiro aos cinemas, e um dos espetáculos mais exibidos nos feriados de Páscoa em muitos cinemas do Brasil (em alguns lugares, ficou em cartaz por quase 10 anos)- e também era filme garantido de toda Sexta-Feira Santa nas antigas exibições pela Sessão da Tarde da televisão . No entanto, é justamente no televisor que o filme perde drasticamente impacto visual, pois a telinha deforma o Cinemascope, perdendo os enquadramentos originais. 

Richard Burton como o tribuno romano Marcellus Gallio.
O épico de cunho religioso e bíblico versa nos últimos anos do reinado de Tibério (Ernest Thesiger, 1879-1961), quando Roma era a "Senhora do Mundo". Marcellus Gallio (Richard Burton, 1925-1984) é um jovem tribuno do império que está sempre envolvido com jogos ou mulheres. Além disto, tem rixa pessoal com Calígula (Jay Robinson, 1930-2013), o herdeiro do trono. A situação complica-se quando Marcellus oferece, em um leilão de escravos, a absurda quantia de três mil moedas de ouro por Demétrius de Corinto (Victor Mature, 1913-1999), um grego outrora trazido para a capital como prisioneiro de guerra e que também era disputado por Calígula no leilão.

Victor Mature como o escravo Demétrius de Corinto.
Jay Robinson como o insano imperador Calígula
Ao se ver derrotado por Marcellus, Calígula encara isto como uma afronta pessoal e então manda o tribuno ir servir imediatamente em Jerusalém, na Palestina, considerado o pior lugar do mundo. Entretanto, devido a motivos políticos, depois de curto período na "Terra Santa", Marcellus é chamado de volta por Tibério. 

Richard Boone como Pôncio Pilatos
Mas, antes de partir para Roma, Marcellus recebe de Pôncio Pilatos (Richard Boone, 1917-1981), procurador romano em Jerusalém,  a missão de supervisionar a execução de uma sentença: a crucificação de Jesus Cristo. Finda a tarefa, ele e outros soldados disputam em um jogo de dados a posse pelo manto vermelho usado por Jesus. Marcellus vence a aposta, mas o manto fica com Demétrius, pois quando Gallio tenta usar o manto, algo o aflige de forma indescritível. O escravo grego, que já tinha se tornado um cristão, tira-lhe o manto, dizendo que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre. Em seu retorno, o tribuno fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse.

Jean Simmons como Diana, a amada de Marcellus.

Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons, 1929-2010), a amada de Marcellus, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que o tribuno portava-se de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu em Jerusalém. Tibério acha que o oficial pode ter perdido a razão, mas quando Gallio atribui que a aflição que sente só aconteceu após cobrir-se com o manto de Jesus, então o adivinho da côrte conclui que o manto estava enfeitiçado e precisa ser destruído. Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno retorna à Palestina para destruir o manto e descobrir quem são os cristãos responsáveis por algum tipo de conspiração, mas esta viagem irá mudar profundamente sua vida.

Burton e Michael Rennie como São Pedro.
Pedro (Michael Rennie), o "Grande Pescador" e líder da Igreja, recebe Marcellus, ao lado de Justus (Dean Jagger)

Uma vez de volta a Palestina, em sua procura pelo manto, Marcellus vai à pequena vila de Caná, onde conhece Justus (Dean Jagger, 1903-1991) e Miriam (Betta St John, 1929-2023), dois exemplos de vida cristã.  Embora não acredite em algumas coisas que lhe falam, como a ressurreição de Cristo, o tribuno começa a ter dúvidas sobre suas crenças.  Justus lhe diz que conhece sua identidade e lhe informa que todos já o perdoaram, assim como Jesus o perdoou.  Logo depois, ao tentar convencer Marcellus do amor de Jesus pela humanidade, Miriam lhe diz que um dos seus discípulos, Simão Pedro (Michael Rennie, 1909-1971), conhecido como “O Grande Pescador”, acaba de chegar em companhia de seu companheiro grego, o próprio Demétrius.

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Ao pedir o manto para ser queimado, Marcellus ouve de Demétrius que o problema dele não está no manto e sim em sua consciência, em seu coração, por ter crucificado o Messias.  Receoso, em princípio, mas encorajado por Demétrius, o tribuno termina abraçando o manto de Cristo e  livra-se de todas as suas angústias.

Diana e Marcellus
Em seguida, Marcellus é levado à presença de Pedro e termina convertendo-se ao cristianismo, passando a seguir o apóstolo.  Tempos de depois, Pedro e seus seguidores chegam à Roma e passam a viver nas catacumbas.  Com a morte de Tiberius, Caligula é o novo imperador e inicia uma perseguição implacável contra os cristãos.  Quando Demétrius é preso e torturado nos calabouços do palácio de Calígula, o tribuno decide libertá-lo, o que consegue com a ajuda de um grupo de homens.  Entretanto, durante a fuga, eles são perseguidos e, em benefício da liberdade do grupo, Marcellus atrai seus perseguidores, e se entrega. 

Demétrius (Victor Mature) se apossa do Manto Sagrado e se torna seu guardião...
...a ponto de quase sacrificar sua vida, mas é curado milagrosamente por Pedro (Michael Rennie).
Depois que Marcellus é capturado, Diana visita-o em sua cela e lhe implora para que renegue Jesus, a fim de salvar a si próprio, mas ele fala pra ela sobre o povo de Caná, que nunca renegou Jesus, apesar do perigo de ser seu seguidor.

Marcellus e Diana na côrte de Calígula (Jay Robinson).
Marcellus jura lealdade ao Império Romano, mas não abjuga Cristo
Marcellus é então levado a julgamento por traição, oportunidade em que confessa ser um cristão. Calígula ridiculariza as afirmações do tribuno de que o seu rei é o Rei do Céu, que acredita em amor, compaixão e caridade acima de tudo. Irritado por que Diana ainda prefere Marcellus a ele, Calígula faz com que a assembleia exija a morte do tribuno.

Marcellus e Diana levados para o pátio dos arqueiros, onde sofrerão 0 martírio (cena eliminada no filme).
Marcellus e Diana, a caminho da Eternidade.
Diana, movida pela crença apaixonada de Marcellus e repugnada pela tirania de Calígula, escolhe morrer com o homem que realmente ama.  O Manto Sagrado foi indicado para cinco categorias do prêmio Oscar em 1953, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Richard Burton. Mas acabou conquistando o Oscar por Melhor Cenografia em cores, e ainda, um Oscar especial pela novidade técnica que viria revolucionar para sempre toda estética do cinema. 

LLOYD C. DOUGLAS, autor do romance que originou o filme
A fita, dirigida por Henry Koster (1905-1988), foi baseada em romance publicado em 1942 por Lloyd C. Douglas (1877-1951). No Brasil, o romance foi publicado com o título de O Manto de Cristo.  A trilha sonora foi encarregada pelo Mestre Alfred Newman (1901-1971), de A Canção de Bernadete. Os direitos do romance chegou a ser comprado pela RKO estúdio, que no início dos anos de 1950, vendeu para 20th Century Fox, como veículo para Tyrone Power que interpretaria Marcellus, mas ele recusou o papel.

Victor Mature e Mae Marsh.
O Filme foi um estrondoso sucesso e foi ocasião ímpar em toda História da Cinematografia, pois todas as salas de cinema tiveram que ser reformadas para recepcionar o lançamento deste êxito das telas.  A Fox, que detinha os direitos do livro de Douglas, não sabia o que fazer com as demais 200 páginas do romance, e aproveitando o embalo do sucesso de The Robe, o estúdio resolveu fazer uma sequência da obra, em 1954. 

DEMÉTRIUS 
O GLADIADOR

Victor Mature repete o papel de Demetrius em DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES. Aqui com Ernest Borgnine.
Sob a direção de Delmer Daves (1904-1977) especialista em dramas e westerns (Galante e sanguinário), e repetindo Mature (Demétrius), Michael Rennie (São Pedro) e Jay Robinson (Calígula) nos seus respectivos papéis em O Manto Sagrado. Produzida por Frank Ross (1904-1990), que havia também produzido o filme anterior, realizou juntamente com o diretor Daves uma fita superior, porque substituiu a religiosidade melodramática de The Robe por exuberante ação física e estimulantes aspectos aventurescos (as sequencias de treinamento na arena e a luta de gladiadores no Coliseu são excelentes, com ótimos movimentos de câmera). 

Susan Hayward como Messalina. Na foto, com Mickey Simpson.
Michael Rennie volta a interpretar São Pedro em DEMETRIUS E OS GLADIADORES (1954).
Escrito por Philip Dunne (1908-1992) com base nos personagens de Lloyd C Douglas, o filme transcorre após a morte de Marcellus (Richard Burton) e Diana (Jean Simmons), ocorrida no desfecho de O Manto Sagrado. O cristão Demétrius, o guardião do manto de Cristo, é perseguido pelo imperador Calígula, sendo preso e feito gladiador na arena, comandada por Strabo (Ernest Borgnine, 1917-2012).

Demetrius perde a fé cristã e submete-se aos caprichos de Messalina.
Demetrius e sua amada Lucia (Debra Paget).
Quando sua amada Lucia (Debra Paget) entra em estado de choque ao risco de ser violentada por um dos gladiadores, Dardanius (Richard Egan, 1921-1987), Demétrius perde a fé e sucumbe aos encantos de Messalina (Susan Hayward, 1918-1975). Demétrius e os Gladiadores constitui um dos melhores espetáculos já realizado no cinema épico de aventuras. A trilha sonora é do renomado Franz Waxman (1906-1967), com base no repertório de Alfred Newman, o compositor original de The Robe.

O LANÇAMENTO DE “O MANTO SAGRADO” NO RIO DE JANEIRO

O MANTO SAGRADO foi lançado nos Estados Unidos em 24 de setembro de 1953, no Chinese Theatre, em Hollywood, inaugurando definitivamente o Cinemascope. Não demorou muito, a novidade chegou ao Brasil, repetindo o mesmo sucesso de Los Angeles. Não diferente também como ocorrido nas salas de cinema nos EUA, algumas salas aqui tiveram também que ser adaptadas para  a estreia de The Robe no Brasil, inclusive no Rio de Janeiro, a então Cidade Maravilhosa, que recebeu de braços abertos, tal como o Cristo Redentor, o monumento turístico da cidade, a sagrada fita estrelada por Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, e Michael Rennie, nos idos tempos que o Rio ainda era a capital da República. 

O MANTO SAGRADO - OCASIÃO DE GALA TAMBÉM NO RIO DE JANEIRO, CONFORME ANÚNCIO  NOS JORNAIS DA ÉPOCA DE SEU LANÇAMENTO, NAS SALAS CARIOCAS.

Divulgação pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1954.
O CINE-PALÁCIO no Centro do Rio de janeiro, teve suas instalações alteradas para a estreia, e finalmente, a 15 de abril de 1954, estreou O MANTO SAGRADO nas salas de projeção da cidade.
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FICHA 
TÉCNICA
O MANTO SAGRADO
(The Robe)

País – Estados Unidos 

Ano – 1953

Gênero – Épico/Religioso 

Direção – Henry Koster

Produção – Frank Ross, para a 20th Century Fox 

Roteiro – Phillip Dunne e Gina Kaus (adaptação), com base no livro de Lloyd C. Douglas. 

Música – Alfred Newman 

Fotografia – Leon Shamroy, em Cores

Metragem – 135 minutos


elenco

RICHARD BURTON – Tribuno Marcellus Galio 

JEAN SIMMONS – Diana 

VICTOR MATURE – Demetrius de Corinto, o escravo 

MICHAEL RENNIE – São Pedro, o “Grande Pescador” 

JAY ROBINSON – Calígula 

TORIN THATCHER – Senador Galio 

DEAN JAGGER – Justus 

RICHARD BOONE – Pôncio Pilatos. 

BETTA St. JOHN – Miriam 

JEFF MORROW – Paullus, o centurião 

ERNEST THESIGER – Imperador Tibério 

DAWN ADDAMS – Junia 

LEON ASKIN – Abidou 

MICHAEL ANSARA – Judas Iscariotes 

FRANK DeCOVA – Escravo 

JOHN DOUCETTE – Soldado da esquadra 

SAM GILMAN – Capitão da esquadra 

MAE MARSH – Mulher idosa de Jerusalém que ajuda Demetrius

JAY NOVELLO – Tiro 

HAYDEN RORKE – Callus, licitante do leilão de escravos. 

HARRY SHEARER – o pequeno Davi 

PERCY HELTON – Caleb, o mercador de vinhos. 

DONALD  C. KLUTE – Jesus Cristo

SALLY CORNER – Cornelia, mãe de Marcellus

PAMELA ROBINSON – Irmã de Marcellus

ROSALIND IVAN – Julia, esposa de Tibério 

E

CAMERON MITCHELL – A Voz de Jesus no Calvário.




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